As palavras do ano


Pedro Correia,

Informa a Porto Editora que os vocábulos em competição até 4 de Janeiro, para conquistarem o título de  Palavra do Ano são incêndios (assim mesmo, no plural), afecto, vencedor, crescimento, cativação, desertificação, gentrificação, peregrino e independentista.

Noutros anos as palavras eleitas foram esmiuçar (2009), vuvuzela (2010), austeridade (2011), entroikado (2012), bombeiro (2013), corrupção (2014), refugiado (2015) e geringonça (2016). De acordo com quase todas, excepto bombeiro, que podia ser palavra de qualquer ano, e entroikado, termo fugaz, que nunca vingou. Vuvuzela – artefacto sonoro popularizado universalmente no campeonato mundial disputado na África do Sul – demonstrou como o futebol pode influenciar o vocabulário comum.

Até devido a tal precedente, aproveito para apresentar uma reclamação à Porto Editora: faltam desta vez aquelas que são para mim, inquestionavelmente, as Palavras de 2017: video-árbitro e cartilha. Raras foram tão usadas nos órgãos de informação e nas redes sociais ao longo do ano.

Vídeo-árbitro, tecnologia inaugurada para reforçar a transparência e o rigor nos campos de futebol, tem a ver com verdade desportiva. Cartilha, espécie de manual de maus costumes para efeitos comunicacionais, está relacionada com a inaceitável perversão do desporto-rei.

Eu votaria na primeira. Para acabar de vez com a segunda.

10 comentários em “As palavras do ano”

  1. Concordo consigo até certo ponto, Pedro.
    Aprendi a ler pela Cartilha Maternal João de Deus, que quero crer ter sido um bom princípio e demarcar-se completamente dessa subversão aplicada ao desporto.
    É bom esclarecer as coisas, para quem lê enviesado.

  2. Eu também votaria em “video-árbitro”, até porque não faço ideia onde é que “cartilha” ocorreu com tanta frequência. Deve ter sido em redes sociais que não acompanho…

  3. Eu votaria na primeira. Para acabar de vez com a segunda.

    O vídeo-árbitro não acabará de vez com nada enquanto fôr permitido que os árbitros continuem a assinalar foras-de-jogo inviabilizando jogadas que poderiam dar golo. Como aconteceu no Porto-Benfica do mês passado.

  4. É um concurso no mínimo impressivo e diferenciador que vai de encontro às minhas expectativas e atinge muitos objectivos. Muito lavouresco e inspirativo.

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