As palavras desnecessárias…


fiodeprumo,

Uma pequena visita à blogosfera nesta época estival, já demasiado animada – para meu gosto – com análises políticas, fez-me dar conta de que os adjectivos mais usados nesse tipo de críticas são “a canalha” e “a bandalheira”.
Significando ambos quase o mesmo são, todavia, objecto de usos diferentes. O primeiro captou a chamada classe média baixa e o segundo apoderou-se das chamadas elites.
Não haverá maneira, neste país, de se fazerem campanhas sem ataques soezes e pessoais? Será com eles que a abstenção diminuirá? Alguém acredita?!

0 comentários em “As palavras desnecessárias…”

  1. A propósito do tema abordado aqui deixo uma pérola Expressa de Ricardo Costa:
    “As redes sociais estão para a publicidade como uma praga de gafanhotos para um campo de cereais. Destroem tudo o que lhes aparece à frente, de forma acéfala e em bando. Tanto fazem troça de campanhas absurdas ou tontas, como dos cartazes do PS, como obrigam a retirar do ar uma extraordinária promo de televisão, como era o caso da que a RTP fez para a Supertaça , totalmente centrada em Jorge Jesus. A promo era tão bem feita que a estupidez nacional não a conseguiu perceber.”

    Ai Jesus, não tarda vai querer acabar com a estupidez nacional promovendo o silenciamento das redes sociais, mas lembre-se Ricardo que a caridade bem exercida começa na própria casa. Vá dar uma volta pelos seus cantos, mire debaixo dos tapetes onde sacode os pés e aproveite para limpar as mãos á parede. A ser você o expoente visível do energúmeno com que ousa catalogar os portugueses espero bem que leve as respostas devidas em modo porrada de criar bicho nesta sexta feira 14 que o façam gritar pelo tradicional 13 do azar. Acho mesmo que este exemplar comportamento bem precisava de uns abanões na lapela.

  2. «É o que lhes digo.
    Com esta idade e nunca o usei.
    Há cerca de trinta anos apareceu-me auma oportunidade de o fazer, mas senti certas dúvidas e tive receio.
    No entanto, ultimamente [sic] tenho-o lido com bastante frequência nos discursos que quotidianamente vejo nos jornais.
    Já não sou criança e não quero deixar este mundo sem o usar pelo menos uma vez. É o vocábulo realmente impraticável, verão, mas mesmo assim vou usá-lo. Imarcescível. Aí está! Espantoso, não acham? Imarcescível. Alucinante! Por isso lhes conto »

    LEIRIA, Mário Henrique, 1923-1980 – Contos do gin-tonic. 3ª ed. Lisboa : Estampa, [1989]. p. 142

  3. Senhora, dê-me a honra da sua resposta: Acredita que estamos em condições para melhor do que aquilo em que nos transformámos?
    Somos um pequeno pobre desgraçado país deste mundo, habituado a levar porrada dos grandes de fora e dos grandes cá de dentro.
    Somos resistentes, mas estamos muito desgastados. Estamos na cauda da Europa em termos económicos e sociais. Humanos, estamos vendo que é também para a cauda que caminhamos.
    Resta-nos o futebol, a “Casa dos Segredos” e as telenovelas para dar alguma fantasia, sim apenas a fantasia. A grandeza do sonho é um privilégio que já poucos de nós conseguem abraçar.
    Os nossos governantes não podem ser mais do que o reflexo do que somos.

    1. Os governantes podem ser o reflexo de alguns daqueles que governam. Mas não são de todos. São “daqueles” que os escolhem. E “estes” não são mais do que o reflexo do partido onde votam.
      Ora o nosso maior partido é a abstenção. Logo os governantes só representam uma minoria dos portugueses!

  4. Acho, sim. E, já agora, o facto de sermos pobres não impõe que abusemos da pobreza de linguagem…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *