Vai-se ao campo e não se tem electricidade. Aprende-se que é porque caiu um raio muito grande mesmo no centro da aldeia. O leitor não quereria estar por perto de um acontecimento como este. Para lhe dar uma ideia de quão perturbador pode ser, numa área de cinco metros em redor teria sido muito difícil usar o seu telemóvel.
Por uma vez, é bom não ter de culpar o governo. Mas o homem que ficou com a casa destruída não concorda. Ele acreditara que um raio saberia distinguir um pára-raios das suas góticas antenas de TV. Quer muito poder imputar responsabilidades a alguém (isso revela, é claro, um desejo reprimido de dormir com a mãe e matar o pai). Mas quando é assim, diz o senhor da luz que vem dar apoio psicológico e substituir o disjuntor, quando é assim, quer dizer, a Natureza ou Deus ou seja lá quem for que lança os raios, é muito difícil: eles alegam causas naturais e pronto.
Agora já há electricidade no campo. Dou graças. Uma hora sem energia numa noite glacial, aqui, é equivalente a cinco horas de uma actividade divertida, como a lipoaspiração ou um telefonema de marketing. E para o raio também não deve ser fácil. Já pensou? Ele tem tão pouco tempo para si.
