Há quem considere este governo incompetente e, em mais aspectos do que seria desejável, talvez seja – mas de vez em quando mostra notável capacidade política. Duas propostas apresentadas pela ministra das Finanças na semana passada (redução da TSU e devolução dos cortes em 4 anos) podiam parecer extemporâneas e prejudiciais para as eleições. Hoje, o PS validou-lhes a lógica.
– Tendo obviamente que prometer devolver os cortes num período mais curto, os socialistas dispunham dos números ‘0’, ‘1’, ‘2’ e ‘3’. Escolheram o ‘2’. Como há uns tempos advogavam o ‘0’, não é de excluir que, se chegarem ao governo, apliquem o ‘4’.
– Mais hilariante, após clamar contra a descida da TSU, alegando que afectaria a sustentabilidade da Segurança Social, o PS também se propõe baixar baixá-la (em 4%). De onde viria o financiamento? De cortes nas pensões dos otários à espera de as receber a partir de 2021 (se votarem no PS, é bem feito) ou de qualquer outra solução que o governo da altura encontrar. É forçoso elogiar-se a coerência: seguindo a forma catita como Sócrates empurrou para o futuro os encargos com as PPP, o objectivo primordial dos socialistas continua a ser proteger votos e interesses instalados (perdão: adquiridos); quem vier depois que se desenrasque. (Eles cá estarão para prometer outras coisas e lixar ainda mais os seguintes.) Há pior, contudo: o PS dispõe-se a fazer incidir o corte na TSU sobre os 11% descontados pelos trabalhadores em vez de sobre sobre os 23,75% suportados pelas empresas. Este ponto autoriza maniqueísmos do género «o PSD alinha com o capital enquanto o PS está ao lado dos trabalhadores», que não deixarão de ser usados em campanha eleitoral, mas mostra também a diferença fundamental entre PS e PSD (não tenho a certeza quanto ao CDS) no que respeita ao modelo de desenvolvimento pretendido para o país. Enquanto o PSD anuncia a intenção de continuar a apostar na captação de investimento e no aumento da competitividade das empresas, de modo a que a actividade destas compense um aumento paulatino do consumo, os socialistas, inamovíveis pelo menos desde Guterres, continuam a acreditar que o simples estímulo ao consumo interno trará crescimento sustentável. Infelizmente, isso revelar-se-á falso (outra vez) e os estímulos apenas farão a balança de transacções pender para o lado errado (outra vez). O anúncio da eliminação da descida gradual do IRC (nascida de um acordo entre o governo e o PS, que os socialistas atiram agora para o lixo) segue exactamente a mesma lógica.
Das restantes medidas anunciadas, várias contêm o inevitável aumento da despesa pública, a compensar com receitas provenientes de um crescimento económico que, após meses a acusar o governo de optimismo descabido, o PS prevê ainda mais forte, e por aumento nos valores previstos para o défice (em comparação com os cenários do governo), mas há duas que me chamaram especialmente a atenção:
– Enquanto o PS de Sócrates garantia ir admitir apenas um funcionário público por cada dois que saíssem, o PS de António Costa promete adoptar a relação de uma entrada para uma saída. Com Costa, portanto, não haverá reduções adicionais de pessoal na função pública. (Se os socialistas governassem tão bem como sabem captar votos, estávamos todos ricos.)
– A intenção de limitar os contratos a prazo é piedosa mas havia de fazer um bem espectacular à taxa de desemprego.
Globalmente, as propostas socialistas são menos radicais do que muitos esperariam, podendo até desiludir alguns apaniguados da linha Galamba – Varoufakis. Ainda assim, revelam a incapacidade de sempre: perceber que o país necessita de ir alterando o seu modelo de desenvolvimento económico, sem o que todas as medidas de estímulo serão efémeras e, a prazo, contraproducentes. Mas que o PS não entenda isto dificilmente pode surpreender: afinal, trata-se do partido que, em 2011, levou o país à falência e, em 2015, está ele próprio quase falido.
Leitura complementar: Os gatos e os ratos, por Paulo Ferreira, no Observador.

Devo dizer-lhe, José, que ainda não li todas as 95 páginas do relatório “Uma década para Portugal”, e necessito cruzar os dados aí produzidos com outros. A TSU foi uma surpresa para mim. Mas uma surpresa agradável tendo em conta os seguintes aspectos:
1 – A redução para o trabalhador ajudará a complementar as disponibilidades monetárias e contribuirá efectivamente para economia interna;
2 – Esta redução é faseada, e será compensada também através da subida de 0,5% da mesma anualmente a partir de 2018 até que os 4% voltem a ser repostos. A reposição total ocorrerá em 2022, e já contam com a redução das pensões que está previsto se inicie em 2027.
3 – Verifica-se que estamos perante a consciência de uma medida de emergência e da reposição da Taxa (não é esbanjamento);
4 – A redução aplica-se ao valor do SALÁRIO BASE dos trabalhadores dependentes e ao valor declarado pelos independentes. Estando de fora os trabalhadores COM MAIS DE 60 ANOS.
5 – O valor da TSU só É EXTENSIVO ÀS EMPRESAS APLICANDO-SE SÓ E SOMENTE AOS CONTRATOS SEM TERMO. É uma medida inteligente para acabar com a boa vai ela. E o IRC para as empresas era um absurdo nesta fase na forma como estava previsto.
Quanto ao crescimento, O crescimento a que o PS se refere é exactamente aquele em que os actuais se escudam, isto é, a redução do preço do petróleo e o ajustamento das contas por esta via. Os 2,6% de crescimento é um preciosismo.
Significa isto que o PS está a contar com dados objectivos e introduz o imposto sucessório a partir de 1 milhão de euros. O capital vai ter de mostrar o seu esforço social.
A redução do IVA na restauração aponta para a vitalidade que ocorre no sector turístico e procura estimular o consumo interno.
Em suma, José, tudo está de acordo com o que eu tenho vindo a partilhar consigo. Não há nada de errado nestas contas.
O PSD teve muito tempo para compreender que a política de cofres cheios não pode ser feita através da dívida, mas sim através do estímulo da economia e do seu retorno. Políticas à tio patinhas dão nisto.
As medidas sociais estão contempladas e vão ao encontro do que ainda ontem partilhámos.
Ainda bem que está satisfeito. O PS certamente agradecerá os seus votos (de confiança e nas urnas). Quanto ao país, veremos.
Não é por mim nem pelo PS, José, que estou satisfeito. É pelo país. Tenho a certeza que temos pontos divergentes, mas a minha satisfação também engloba o José e todos os demais Josés. A minha satisfação não é contra alguém, sou simplesmente contra este desgoverno que usou e abusou, tal como Sócrates, de uma autoridade que lhe não foi conferida.
Mas tenho imenso respeito por algumas pessoas que fazem parte dele, uma dessas é o ministro da saúde Paulo Macedo. É um Homem cujo perfil e competência se enquadra em qualquer governo deste país. Será uma grande perda se ele não tiver no futuro um lugar de destaque na administração da nação.
O PSD vai ter de fazer sua travessia pelo deserto e regressar às raízes, fazendo despertar o espírito político de Sá Carneiro. Precisamos novamente do passado, de algum passado, para construir o futuro.
Os conhecidos aperceber-se-ão que esta já não é a era anterior, e os novos que por aí andam vão ter de se sentar ao colo do pai para aprender a ser homens (é o poema “os putos” que Carlos do Carmo emprestou sua excelente voz).
https://www.youtube.com/watch?v=HQOWrH-r uvA
Por favor, onde está 2022 leia-se 2026.
Já tenho outras contas, José, mas ainda não concluí a leitura do relatório. Já avancei algo ali no post do Sérgio.
“A boa vai ela” é a criação e manutenção de empregos e ter de arranjar no fim do mês dinheiro para pagar aos empregados, ao fisco e à segurança social?
Não sei o que é que Vento faz na vida, mas porque é que não vai ao Simplex criar uma empresa na hora e depois contrata, p. ex., 10 colaboradores com vencimentos de 1500 euros/mês cada um?
E depois venha para aqui arrotar postas de pescada!
Este “estudo” faz-me lembrar o PEC4: não bate a bota com a perdigota, as estimativas são pouco ou nada crediveis, é matemáticamente inexquível.
Mas o pior nem é a falta de rigor com que o “estudo” foi feito e apresentado; o pior é mais uma vez os politicos socialistas atirarem o onús das politicas irresponsáveis que querem implementar para as gerações futuras, só para ficarem bem na fotografia. Até a promessa dos 150 mil empregos lá está, só que agora não são 150 mil, são 300 mil. Dizer que o desemprego baixa de 14% para 7% até 2019 é o mesmo do que andar a vender banha-da-cobra pelas feiras do país.
Meu caro Alexandre Carvalho da Silveira, as postas de pescada que o meu caro verte parecem-me o choradinho habitual do empresário ou do patrão (mas não exclusivas, há outros), conforme nos situemos no tempo, em que a existência de funcionários numa empresa são uma dor de cabeça para o coitado ou desgraçado que se esfalfa a trabalhar para sustentar aqueles rapazes e raparigas que, provavelmente, nem merecem tanto esforço. Gostaria de dizer-lhe que a preocupação salarial é de todos, patrões e funcionários, e os riscos, na proporção, são comuns.
Por isto mesmo, não me venha com esses lamentos, porque se as dificuldades existem, e existem, são consequência do que optamos e também das situações que se apresentam.
Aqui chegados, faça o que lhe compete e aguente sem mais.
Foi o Alexandre que se sentiu tocado por essa da boa vai ela, e olhe que ela vai e vai muito miseravelmente, apesar de boa.
Também não entendi essa de trabalhadores com 1.500,00/mês. Deve estar a pensar que falou numa fortuna, mas eu sei que é uma fortuna para uma grande parte da pequenez empresarial (e não me refiro à dimensão das empresas) que abunda, mesmo quanto tal salário é mais que merecido e justificado e oportuno o seu pagamento. Há quem diga que a miséria tem de ser aguentada, e há misérias que se aguentam através de outros. Passado esse período reponha-se porque já não se aguenta assim tanto. Sim, refiro-me a reposição dos salários da administração do BPI após a conclusão do pagamento do empréstimo por nós feito e mesmo com prejuízos no banco. Certamente que o Alexandre vê isto com bons olhos, até porque mais disponibilidades salariais geram maior consumo. Ou não? Eu creio que não numa situação destas. 2
http://m.rr.sapo.pt/opiniao/artigo/18416
Eu sei, eu sei que é actividade privada. Se sei. Se sei.
Eu não necessito saber o que faz, basta ler o que me traz. Não me impressiona em nada para além do que possa escrever.
O Alexandre fala em matemática e não me aponta as contas. Eu percebo-o.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id _news=769669
Por último, note bem que a miséria que se encontra é o reflexo de nossa própria miséria. E o PSD nesta matéria destronou o seu antecessor Sócrates. Eu sei que o PSD concordava com todas as medidas absurdas que ele empreendia, mas andava chateado por não ser ele, PSD – Passos, a levá-las a efeito.
Agora que os resultados estão à vista continuam a dizer que tudo é culpa do outro e que estas medidas, em estudo e reflexão, trazem a troika. Como trazer a troika se ela ainda se mantém aí através deste desgoverno?
Só um povo masoquista e sem pinta de senso votará no PS…
PS que levou o pais à bancarrota e quem o governou para cadeia!
Pode ser? Não acredito !
Disse Costa que aquela coisa não é uma bíblia. Então faça o favor de descer ao adro e dar-nos a sua oração.
Ler o observador? Nunca……..
Eu sou como o camarada. Só leio o Avante!
O Costa já tinha vindo com a peregrina ideia do “Estado-motor”.
Com os impostos a mal darem para ordenados e prestações sociais, é de loucos varridos.
“Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto”. DN, 27 de Maio de 1984
“Não se fazem omoletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns”. DN, 01 de Maio de 1984
“Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo.” JN, 28 de Abril de 1984
“Quando nos reunimos com os macroeconomistas, todos reconhecem com gradações subtis ou simples nuances que a política que está a ser seguida é a necessária para Portugal”. Idem
“Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos nossos males colectivos e a indicar a terapêutica possível” RTP, 1 de Junho de 1984. Idem, ibidem
“A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós” RTP, 1 de Junho de 1984
“Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”. Idem
“O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalámos irresponsavelmente”. Idem, ibidem
“[O desemprego e os salário em atraso], isso é uma questão das empresas e não do Estado. Isso é uma questão que faz parte do livre jogo das empresas e dos trabalhadores (…). O Estado só deve garantir o subsídio de desemprego”. JN, 28 de Abril de 1984
“O que sucede é que uma empresa quando entra em falência… deve pura e simplesmente falir. (…) Só uma concepção estatal e colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa responsabilidade. Idem
“Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre”. RTP, 1 de Junho de 1984
“Pedi que com imaginação e capacidade criadora o Ministério das Finanças criasse um novo tipo de receitas, daí surgiram estes novos impostos”. 1ª Página, 6 de Dezembro de 1983
“Posso garantir que não irá faltar aos portugueses nem trabalho nem salários”. DN, 19 de Fevereiro de 1984
“A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar” RTP, 1 de Junho de1984
“A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa.” Der Spiegel, 21 de Abril de 1984
“Basta circular pelo País e atentar nas inscrições nas paredes. Uma verdadeira agressão quotidiana que é intolerável que não seja punida na lei. Sê-lo-á”. RTP, 31 de Maio de 1984
“A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser permitida a militares em serviço” La Republica, 28 de Abril de 1984
“As finanças públicas são como uma manta que, puxada para a cabeça deixa os pés de fora e, puxada para os pés deixa a cabeça descoberta”. Correio da Manhã, 29 de Outubro de 1984
“Não foi, de facto, com alegria no coração que aceitei ser primeiro-ministro. Não é agradável para a imagem de um politico sê-lo nas condições actuais” JN, 28 de Abril de 1984
“Temos pronta a Lei das Rendas, já depois de submetida a discussão pública, devidamente corrigida”. RTP, 1 de Junho de 1984
“Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói”. 6 de Junho de 1984