Numa das minhas livrarias mais estimadas – a Barata, na Avenida de Roma, em Lisboa – espreito as novidades editoriais. Um romance com um belíssimo título prende-me de imediato a atenção: Lágrimas na Chuva, de Rosa Montero, escritora e jornalista espanhola que há muito aprecio, autora de obras como Instruções para Salvar o Mundo e A Louca da Casa. Obras que são do melhor que li na última década.
Pego num exemplar do livro, abro as primeiras páginas, e lá surge o aviso da Porto Editora: o novíssimo romance de Rosa Montero foi traduzido de acordo com o famigerado “acordo ortográfico”. Motivo de sobra para o pôr logo de lado. Que faça bom proveito, a esta e outras editoras, terem aderido tão entusiasticamente ao acordês…
Comprador compulsivo de livros, mantenho a promessa de não gastar um só euro em obras que pervertam a nossa ortografia. Felizmente na Barata não faltam outros títulos, mais antigos ou mais recentes, escritos de acordo com a norma ortográfica que considero válida. E, como eu, tantas figuras relevantes das nossas letras – de António Lobo Antunes a Manuel António Pina, de Manuel Alegre a Baptista-Bastos, de Pedro Tamen a Vasco Graça Moura, de Inês Pedrosa a Miguel Esteves Cardoso.
Trago da Barata não um livro, mas dois: O Livro dos Snobs, de W. M. Thackeray (Guerra & Paz, 2010) e Um Homem na Lua, volume de contos de Edgar Allan Poe, traduzido por Domingos Monteiro (Editorial Inquérito, sem data mas presumo que dos anos 70).
Há sempre uma solução para tudo. Em matéria de livros, a minha solução é esta: cada vez mais obras antigas, cada vez menos títulos recém-lançados em Portugal. O “acordo ortográfico” fez-se, segundo os seus mentores, também para facilitar a penetração dos livros portugueses no mercado brasileiro. Sendo as coisas o que são, duvido que tal objectivo se concretize. Pelo contrário, a ortografia segundo as regras do acordês dificultará a expansão dos livros portugueses para Angola e Moçambique, países que não ratificaram o “acordo”. E afasta inevitavelmente muitos leitores, como eu. Leitores que entendem que espectador e sector devem continuar a escrever-se espectador e sector e não espetador e setor. Algo bem diferente, algo inaceitável.


Também gosto muito da Rosa Montero, e como estive uns dias na Galiza aproveitei e trouxe de lá um livro dela, no original: “El amor de mi vida” (uma compilação dos textos publicadas no El País entre 1998 e 2010). Há sempre uma solução, como dizes.
Acabarei por fazer o mesmo, Ana. Ler no original. O que aliás faço com o maior gosto.
se é da Inova do Porto então será de 73 (1900+73)
Colecção Inquérito Os Melhores Contos dos Melhores Contistas é dos anos 40…
tem uma edição da edição helios de 1947 com os melhores contos também mas só de H.g.wells e outros
o livro dos snobs foi editado em portugal no século XIX no fim do dito cujo numa tradução muito mauzota e creio que só teve duas ou três edições em português (exceto brasiu)
e aparentemente essa de 2010
mas um livro da inquérito dos anos 70 conheço não
e já me passaram pelas mãos e pés…dezenas de milhares de livros da inquérito
anos 70 só se for da inova….
O livro da Inquérito talvez seja da década de 60. Boa editora, a Inova – pena ter durado relativamente pouco. Os livros tinham um grafismo inconfundível, do Armando Alves.
Nunca li nada da senhora, mas também estou curioso quando ao “Lágrimas na Chuva” (como não podia deixar de ser). No entanto, e considerando o AO, vou esperar por uma tradução inglesa. Ou por aprender espanhol. Qualquer uma destas opções deve servir.
Estive com o livro na mão e não me entusiasmou o tema, exactamente por ser futurista. Mas uma coisa é garantida: está bem escrito, se é da Rosa Montero.
Eu li sobre o livro nos jornais, estive com ele na mão numa livraria… depois percebi que estava “acordado”. E li a contracapa e… é esperar por Agosto, quando a edição inglesa estiver disponível na Amazon!
Fazes muito bem, João.
“Acordado” é um achado, João. mas isso quererá dizer que preferimos livros a dormir? 🙂
Quer dizer que o acordo, nem acordado nem adormecido..!
O “acordo” ortográfico tem contribuído para a melhoria do meu… inglês. A Amazon inglesa põe cá os livros, grátis, em 48 horas e tenho lido no original. Amazon fr. para os franceses. Os livros são mais baratos.
Males que vêm por bem, de facto. Ou que bêm por vem, para respeitar o “acordo” à moda do Minho.
Pois eu, veja como são as coisas, vou agradecer-lhe as subrepticias sugestões e vou comprar os quatro, sem qualquer escrúpulo.
Isabel Seixas
Isabel, no seguimento do livro de Thackeray vale a pena ler também “Snobíssimo”, de Pierre Daninos. Ambos são deliciosos tratados de costumes e tiques sociais, analisados com ironia e muita graça.
Se o Thackeray é muito bom, atrevo-me a sugerir alguns outros clássicos delirantes do humor britânico (lidos de preferência no original): Three Men in a Boat, de Jerome K. Jerome, The Diary of a Nobody, de George e Weedon Grossmith, A Sentimental Journey to France and Italy, de Sterne e, sobretudo, também do Sterne, esse monumento que é The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gent. (existe em tradução portuguesa na Tinta da China, julgo). Just my two cents. 🙂
Óptimas sugestões, Zé.
Muito obrigado, Pedro. 😉 Abraço
Que belas dicas, Zé.
Why thank you, dear Ana. Vemo-nos no lançamento do livro da nossa amiga, vale?
tiques associais ….Kurt Vonnegut Jr., Shakespeare, Poe, Douglas Adams, T. STURGEON, Yndlingsbøger, Books would take forever. How about authors, Saramago, Torga, T.S. Eliot, Plath, Marquez, and Hofstadter, und A. CARPENTIER, I. BLAINSTEN, MARECHAL, E.GALEANO, S.J.GOULD, Herman Goëring, HESSE, H.ECO, KANDEL, KUHN, PROUSt, LACAN, FOUCAULT, SABATO, RODÓ, Mi-am dorit multa vreme o baie albastra,Il Diavolo, Giovanni Papini, Oh Jerusalem, le matin des magiciens, o despertar dos mágicos, o malhadinhas, ciclorama crítico de um tempo, Толстой, o titã, Morgan Robertson, le mystère des reves, Master Meng, Иван Антонович Ефремов, O. Henry, Lawrence, Аркадий и Борис Стругацкие, 姓孟軻, Meng-tzu, 孟子, Mohammed Basheer, Mengzi, 梁惠王章句上, 春秋, 周易, 詩經, 尚書, 禮記, 史記, 佛法, The Arctic Grail, Vaikum, The Quest for the Northwest Passage and The North Pole 1818-1909, Pierre Berton, Polar Inertia, Angels Don’t Play This haarp: Advances in Tesla Technology, Ludwig von Mises, Xianggelila, Tibet, tea, kung fu, Buddhism, Confucianism, Taoism, taijiquan
Hoje na RTP -” Falar Bom Português”
Nova ortografia:
Limpa-para-brisas ( sem acento no pára)!
“Parem com esta” mérda”!
Hoje li um «fitício», bem estampado num jornal. Depois de irem às “mudas”, agora atacam as “sonoras”. Malacaca.
Malacaca e Ormumuz são fortalezas ou casteleiros?
Casteleiros. Do tamanho de mamutes.
“…fez-se, segundo os seus mentores, também para facilitar a penetração dos livros portugueses no mercado brasileiro”. O contrário está mais perto da verdade.
Penso o mesmo.
tirando Paulo Coelho o leitor putugo lê não em brasuca
o nº de autores brasileiros é gigantesco e por cá foram reeditados sempre os mesmos
já os nossos são poucos e desde Eça a Saramago e A pEDRO pAIXÃO SÃO COMPRADOS pelas élites culturales brasucas
o que nã se pode dizer o mesmo das nossas
que compram livros de pöe velhos de 69 anos ou 40 se for da inova e não da inquérito
e lêem españolas do estilo barbara cartland …pués
já agora alexandre jardin…filho de Pascal Jardin ensaista e romancista de segunda como o filho
atão os melhores contos de H.G.Wells da Helios 1947
são do mesmo jaez do home na lua do Pöe
sobre tiques sucia ais Mónica do Aquilino IX vol do circulo de leitores ou 1ª edição von bertrand
mortal coils do Huxley
e já agora do Hux the doors of perception and heaven und hell penguin books
o livro dos snobs é muy britisha é uma visão muyto particular de um século e de uma cultura que se esvaiu
e além disse
i am a snob, not only in fact, but on principle.
Bernardo do chá in getting married.
He who meanly admires mean things is a Snob….é um bocadinho limitado na defenição dum snob
willi am make peace tack…
the booki of snobs, capitulum.2. e inda tem uma carrada igual
o velho tack era um pedante e um snob
Webster’s New World Dictionary of Quotations
“Motivo de sobra para o pôr logo de lado.”
Faço o mesmo. Meio a propósito: pus-me a olhar para a imagem que ilustra o teu post e demorei uns dez segundos a perceber o que raio é um “cato”. (E ainda agora só consigo pensar que a intenção devia ser escrever “gato” ou que é uma referência ao empregado doméstico do inspector Clouseau.)
Tem-me acontecido com essa e outras palavras, JAA. Palavras como ‘perceção’, ‘percetor’, ‘receção’, ‘cético’ e ‘detetar’.
Já para não falar em ‘insetos’.
Ou no binómio ‘faccioso’ / ‘fação’.
Um ‘dejeto’.
Continuas assim e qualquer dia deportam-te para o Egito…
No Egito há egícios?