Encantado consigo próprio, o nosso Presidente da República continua filosoficamente a divagar sobre Portugal e os portugueses. Desta vez o ataque recaiu sobre os políticos, que são piores do que o povo. E tudo isto dito no dia de Camões e em França, ultrapassando assim o que ele denomina de espaço físico do país.
Senhor Presidente a opinião nacional sobre os políticos é má. Todos o sabemos. Mas será que não lhe compete a si, no desempenho das suas funções, ajudar a desfazer essa ideia, que mais não seja, pelo seu exemplo?
Francamente não percebo que “febre” assolou o mais alto graduado da nação, ao criar – parece um membro do Bloco – tamanhas clivagens entre as elites, os políticos e o povo. Não é, aliás, desse povo que saem uns e outros? Então para quê dividi-los e ajudar a criar uma tão má imagem de cada um deles?
O tema é tanto mais grave quanto o Senhor Presidente não pode deixar de pertencer a ambas as classes atacadas. Por um lado, é um político que sempre fez política e, por outro, integra e corporiza essa elite especial que é a Academia.
Esperemos que não venham mais comparações. Em França ele já ousou dizer que os portugueses são melhores do que os franceses. O que, mesmo em jeito de brincadeira, pode ser diplomaticamente arriscado.
Sugere-se, assim, um breve interregno nestas delicadas comparações. É que, em última análise, elas não lhe são nada favoráveis!
Sugere-se, assim, um breve interregno nestas delicadas comparações. É que, em última análise, elas não lhe são nada favoráveis!
