As coisas são o que são


Pedro Correia,

Outras brilhantes conquistas do Governo de José Sócrates: Portugal torna-se o país da zona euro com maior défice externo, enquanto o desemprego aumenta para 10,5% – a quinta maior taxa dos países membros da OCDE. Números que a retórica da propaganda já não ilude. Só o último reduto socrático, de que faz parte Vital Moreira, ainda consegue defender as sucessivas trapalhadas deste Executivo em total descrédito, que desdiz hoje tudo quanto disse ontem e não faz a mínima ideia do que dirá amanhã.

8 comentários em “As coisas são o que são”

  1. Sem dúvida uma conquista do governo de José Sócrates.
    Mas também da oposição, de todos aqueles que supostamente nos deveriam representar pugnando pelo interesse público e menosprezando guerrilhas políticas que impossibilitam a afirmação do diálogo político e que permitem apenas a procura do protagonismo pessoal e político.
    O governo falhou claramente os seus objectivos. E a oposição atingiu de forma plena os seus: a descredibilização das políticas governamentais, sem que a sua contribuição efectiva para algo efectivo se possa salientar; é a oposição pela oposição pura e simplesmente, numa demissão clara e despreocupada dos princípios que deveriam nortear a sua actuação no espaço público-político.

  2. «Quanto aos números do PIB português no primeiro trimestre (subida de 1% em cadeia e de 1,7% em termos homólogos, Sócrates afirmou que “Portugal registou o maior crescimento económico da Europa no primeiro trimestre deste ano”, salientando que a “economia recuperou e está a recuperar”.

    “Portugal foi o primeiro país a sair da condição de recessão técnica e o que melhor resistiu à crise”, frisou o primeiro-ministro, acrescentando que, no pico da crise, em 2009, a economia portuguesa decresceu 2,7% comparativamente com os 4% que se registaram noutros países europeus.» In Diário Económico.

    1. Pois. Sócrates continua a dizer que a economia está a recuperar. O problema, para ele e para nós, é que já ninguém acredita numa só palavra que ele diga. Aliás, como todos sabemos, a crise nunca existiu.

        1. Caro Francisco, vejo que é um homem de fé, o que só lhe fica bem. Recordo-lhe, entretanto, que o primeiro-ministro prometeu pôr Portugal a crescer a 3% anualmente quando ganhou pela primeira vez as eleições, em 2005. O mesmo primeiro-ministro que se congratula agora pelo facto de o País “só” ter descrescido 2,7%. Uma maravilha.

          1. Caro Pedro, a minha fé é já conheceu melhores dias e em todos os aspectos. Mas já que teve a gentileza, que aprecio e agradeço, de me responder, quero também lembrar-lhe, a propósito do decréscimo de 2,7%, que países com estruturas económicas bem mais fortes do que a nossa tiverem decréscimos bem maiores. Não preciso de lhe dar exemplos porque os conhece melhor do que eu. É que, convém recordar, entretanto ocorreu o tal “abalozito de terra”.
            Saudações cordiais.

          2. Quer saber, meu caro? Nenhum país pode descer mais do que aquilo que tem para descer. Em geral, se os países que estão mais atrasados são os que podem apresentar maior crescimento, também os mesmos países são os que apresentam menor descida.

            Por isso é que terem dito que a menor descida foi uma alegria não passou de inconsciência, exactamente como deitar foguetes por qualquer tímido e incipiente crescimento. E, com ou sem o tal “abalo”, manifestar satisfação em qualquer dos casos convenhamos que é falta de responsabilidade.

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