“Mas enquanto os discursos não avançam, a ILGA promove mais um “Arraial Pride”, este ano com especial incidência sobre o casamento entre homossexuais. “Vai haver propostas de casamento e aquela que for a mais original ganhará a lua-de-mel e o copo-de-água“, contou Paulo Côrte-Real. A viagem é patrocinada pela Colour Travel, uma agência segmentada ao público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros), com programação especializada na área. Por isso, não será de estranhar que, caso seja um casal lésbico a ganhar, a viagem seja à ilha de Lesbos, e se for um casal gay o destino será a ilha de Mykonos. Já o copo-de-água é oferecido pelo restaurante Maria B.A.”
(…)
“Neste momento, a lei da adopção é uma questão fundamental. É incrível como a nível familiar não são reconhecidas as duas mães a uma criança“, diz Sérgio Vitorino, das “Panteras Rosa“.
Ou de como se transformam coisas que eu pensava serem sérias, tanto mais que até mereceram a atenção do legislador, em arraiais com brinde.
É mesmo como diz, “coisas sérias em arraiais de brindes”. Lamentável que se transforme a possibilidade da celebração do casamento entre homossexuais numa festa ridícula feita de propostas de casamentos com direito a viagens em lua-de-mel… Sou a favor dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, mas parece-me que coisas sérias devem ser encaradas precisamente dessa forma. Por outro lado, parece-me de todo inoportuno que perante a vitória alcançada, vozes já se levantem no sentido de reinvindicar direitos no campo da adopção. Denoto a ausência de alguma sensibilidade e precipitação em relação a questões que não têm agora o seu momento, definitivamente.
Não é para alimentar discussão. Cada um tem a sua concepção de casamento. Eu associo casamento a família Sou retrógrado , pois bem serei. Sou também da opinião que cada um faz da sua vida aquilo que entender, mas chamam casamento, porquê? A união entre duas pessoas tem que se chamar casamento? Podem chamar outra coisa qualquer……como gayização , para não ferir susceptibilidades ou homossexualização . Da mesma forma que se diz ” aqueles são casados” dir-se-ia “aqueles são homossexualizados ” . Espero bem um dia, provavelmente já não será no meu tempo, não ser apontado na rua por ser heterossexual.
Qual discussão… Cada um de nós tem direito a expressar a sua opinião desde que o faça com respeito pela opinião dos outros, não concorda? Não me repugna de todo que chamem casamento à união entre pessoas do mesmo sexo, porque afinal se o que estiver em causa for uma união baseada na comunhão de vida o nome que se der não passará disso mesmo. Importante é a substância e não a forma. Logo, porque não casamento se os efeitos jurídicos até são os mesmos…(assim como a causa, o sentimento que une duas pessoas).
Isso não deve vir a acontecer, zeparafuso. O que continua (e continuará) a acontecer é exactamente o contrário, embora eu espere que menos. A banalização do casamento de pessoas do mesmo sexo talvez ajude a alterar o modo como as pessoas em geral vêem os homossexuais. E se associa casamento a família, é exactamente disso que estamos a falar: de pessoas que querem ter uma família, tal como o senhor.
De qualquer modo, não me parece que gostasse de ser heterossexualizado com a sua mulher.
«A banalização do casamento de pessoas do mesmo sexo». Paulo? Isso é que é o caraças…
É o caraças, bem sei, mas as pessoas hão-de habituar-se à ideia. O primeiro casamento foi muito mediático, como era esperado, e os próximos provavelmente também o serão. Depois deixa de ser novidade.
Não me referi ao acto formal, mas à designação. É como conduzir: ao ‘brevet’ e à carta de patrão de costa chama-se ‘brevet’ e carta de patrão de costa, não se chama carta de condução.
Mas “carta de condução” serve para homens e para mulheres, seja o veículo um camião, um autocarro ou um motociclo. Se duas pessoas querem viver juntas e dar à sua relação um enquadramento legal, têm duas hipóteses à escolha: a união de facto e o casamento. São duas coisas diferentes, tal como ter carta de condução ou “brevet”.
Hum… Vou pensar nisso. Gosto mais do caso das cartas de condução…
Lamento não poder concordar consigo. Eu associo casamento a família , pela única forma de se conseguir uma família . Pai, Mãe, Filhos. É a minha opinião e a minha concepção de família é esta . Serei retrógrado ? Pois serei e assumo. Terá que haver sempre um Pai uma Mãe. Dois Pais ou duas Mães, não poderão dar frutos como os filhos. Poderão adoptar ? Talvez. mas não é a mesma coisa. Nem sequer a educação poderá ser a mesma. Não concorda ? Mas como dizia no comentário que fiz á Sílvia , não quero discutir um facto consumado. Discordo e está tudo dito.
bom, já tinhamos as noivas de santo antónio… não vejo qual é a diferença, a não ser que se pensasse que a comunidade gay casamenteira era imune à pirosice; hoje em dia tudo se nivela por baixo – até as causas fracturantes ou sobretudo essas
A propósito das noivas de Santo António, Ana Cristina, palpita-me que este é o último ano em que a Câmara faz a festa… os embaraços serão mais que muitos com esta nova lei e a Igreja não vai entrar na dança, aposto (e acho muito bem, está no seu pleno direito e o padroeiro sempre é um santo católico, afinal).
Exactamente.
Francamente não vejo que isso seja assim tão diferente do arraial das noivas de Santo António, do leilão da liga ou dos copos a tilintar só para mais um beijinho.
Leilão da liga? Até para isto o futebol é chamado?
A diferença é que um momento tão relevante quanto alegam, momento histórico dizem, seria merecedor de uma celebração elegante e à altura dos princípios que supostamente a lei afirmou. Sem banalizações que em pouco abonam a seriedade do assunto.
Quanto a mim parece-me que a vontade cega da afirmação do igual mediante a observação do outro e a adopção dos mesmos comportamentos leva a isto…E mais, porventura presente estará a necessidade de chamar a atenção de forma extravagante para a causa que se afirmou juridicamente mas não se afirmou social e culturalmente. Da maneira menos habilidosa…