As coisas que se lêem


Sérgio de Almeida Correia,

“Mas enquanto os discursos não avançam, a ILGA promove mais um “Arraial Pride”, este ano com especial incidência sobre o casamento entre homossexuais. “Vai haver propostas de casamento e aquela que for a mais original ganhará a lua-de-mel e o copo-de-água“, contou Paulo Côrte-Real. A viagem é patrocinada pela Colour Travel, uma agência segmentada ao público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros), com programação especializada na área. Por isso, não será de estranhar que, caso seja um casal lésbico a ganhar, a viagem seja à ilha de Lesbos, e se for um casal gay o destino será a ilha de Mykonos. Já o copo-de-água é oferecido pelo restaurante Maria B.A.”

(…) 

“Neste momento, a lei da adopção é uma questão fundamental. É incrível como a nível familiar não são reconhecidas as duas mães a uma criança“, diz Sérgio Vitorino, das “Panteras Rosa“.

 

Ou de como se transformam coisas que eu pensava serem sérias, tanto mais que até mereceram a atenção do legislador, em arraiais com brinde.

16 comentários em “As coisas que se lêem”

  1. É mesmo como diz, “coisas sérias em arraiais de brindes”. Lamentável que se transforme a possibilidade da celebração do casamento entre homossexuais numa festa ridícula feita de propostas de casamentos com direito a viagens em lua-de-mel… Sou a favor dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, mas parece-me que coisas sérias devem ser encaradas precisamente dessa forma. Por outro lado, parece-me de todo inoportuno que perante a vitória alcançada, vozes já se levantem no sentido de reinvindicar direitos no campo da adopção. Denoto a ausência de alguma sensibilidade e precipitação em relação a questões que não têm agora o seu momento, definitivamente.

    1. Não é para alimentar discussão. Cada um tem a sua concepção de casamento. Eu associo casamento a família Sou retrógrado , pois bem serei. Sou também da opinião que cada um faz da sua vida aquilo que entender, mas chamam casamento, porquê? A união entre duas pessoas tem que se chamar casamento? Podem chamar outra coisa qualquer……como gayização , para não ferir susceptibilidades ou homossexualização . Da mesma forma que se diz ” aqueles são casados” dir-se-ia “aqueles são homossexualizados ” . Espero bem um dia, provavelmente já não será no meu tempo, não ser apontado na rua por ser heterossexual.

      1. Qual discussão… Cada um de nós tem direito a expressar a sua opinião desde que o faça com respeito pela opinião dos outros, não concorda? Não me repugna de todo que chamem casamento à união entre pessoas do mesmo sexo, porque afinal se o que estiver em causa for uma união baseada na comunhão de vida o nome que se der não passará disso mesmo. Importante é a substância e não a forma. Logo, porque não casamento se os efeitos jurídicos até são os mesmos…(assim como a causa, o sentimento que une duas pessoas).

      2. Isso não deve vir a acontecer, zeparafuso. O que continua (e continuará) a acontecer é exactamente o contrário, embora eu espere que menos. A banalização do casamento de pessoas do mesmo sexo talvez ajude a alterar o modo como as pessoas em geral vêem os homossexuais. E se associa casamento a família, é exactamente disso que estamos a falar: de pessoas que querem ter uma família, tal como o senhor.
        De qualquer modo, não me parece que gostasse de ser heterossexualizado com a sua mulher.

          1. É o caraças, bem sei, mas as pessoas hão-de habituar-se à ideia. O primeiro casamento foi muito mediático, como era esperado, e os próximos provavelmente também o serão. Depois deixa de ser novidade.

          2. Não me referi ao acto formal, mas à designação. É como conduzir: ao ‘brevet’ e à carta de patrão de costa chama-se ‘brevet’ e carta de patrão de costa, não se chama carta de condução.

          3. Mas “carta de condução” serve para homens e para mulheres, seja o veículo um camião, um autocarro ou um motociclo. Se duas pessoas querem viver juntas e dar à sua relação um enquadramento legal, têm duas hipóteses à escolha: a união de facto e o casamento. São duas coisas diferentes, tal como ter carta de condução ou “brevet”.

        1. Lamento não poder concordar consigo. Eu associo casamento a família , pela única forma de se conseguir uma família . Pai, Mãe, Filhos. É a minha opinião e a minha concepção de família é esta . Serei retrógrado ? Pois serei e assumo. Terá que haver sempre um Pai uma Mãe. Dois Pais ou duas Mães, não poderão dar frutos como os filhos. Poderão adoptar ? Talvez. mas não é a mesma coisa. Nem sequer a educação poderá ser a mesma. Não concorda ? Mas como dizia no comentário que fiz á Sílvia , não quero discutir um facto consumado. Discordo e está tudo dito.

  2. bom, já tinhamos as noivas de santo antónio… não vejo qual é a diferença, a não ser que se pensasse que a comunidade gay casamenteira era imune à pirosice; hoje em dia tudo se nivela por baixo – até as causas fracturantes ou sobretudo essas

    1. A propósito das noivas de Santo António, Ana Cristina, palpita-me que este é o último ano em que a Câmara faz a festa… os embaraços serão mais que muitos com esta nova lei e a Igreja não vai entrar na dança, aposto (e acho muito bem, está no seu pleno direito e o padroeiro sempre é um santo católico, afinal).

  3. Francamente não vejo que isso seja assim tão diferente do arraial das noivas de Santo António, do leilão da liga ou dos copos a tilintar só para mais um beijinho.

    1. A diferença é que um momento tão relevante quanto alegam, momento histórico dizem, seria merecedor de uma celebração elegante e à altura dos princípios que supostamente a lei afirmou. Sem banalizações que em pouco abonam a seriedade do assunto.
      Quanto a mim parece-me que a vontade cega da afirmação do igual mediante a observação do outro e a adopção dos mesmos comportamentos leva a isto…E mais, porventura presente estará a necessidade de chamar a atenção de forma extravagante para a causa que se afirmou juridicamente mas não se afirmou social e culturalmente. Da maneira menos habilidosa…

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