Como o Bob Dylan sempre foi um mensageiro de causas “difíceis” e a canção é de 1976, julgou muita gente que seria um hino à luta pela independência.
Quando lhes saíu isto nem queriam acreditar! E nunca mais o (ou)viram do mesmo modo.
Aqui vai a letra:
I like to spend some time in Mozambique The sunny sky is aqua blue And all the couples dancing cheek to cheek It’s very nice to stay a week or two And maybe fall in love just me and you
There’s lots of pretty girls in Mozambique And plenty time for good romance And everybody likes to stop and speak To give the special one you seek a chance Or maybe say hello with just a glance
Lying next to her by the ocean Reaching out and touching her hand Whispering your secret emotion Magic in a magical land
And when it’s time for leaving Mozambique To say goodbye to sand and sea You turn around to take a final peek And you see why it’s so unique to be Among the lovely people living free Upon the beach of sunny Mozambique
Já me sorri com a sua resposta, “a song for all seasons”…
Isto de escrever na blogosfera é tramado e não estou a ensinar nada ao vigário! Se não nos explicamos muito, muito bem acabamos a parecer que damos a nossa opinião quando até estamos a falar no geral.
E portanto, também para o geral, aqui vai. Quem anda por aqui talvez já se tenha dado conta que, não sendo eu de modo algum um especialista nem tendo pretensões a tal, sou um melómano coleccionador ou um coleccionador melómano, as opiniões dividem-se. E não tendo certezas que nada valem tenho opiniões que alguma coisa valerão.
Isto para dizer que do Bob Dylan tenho imensa coisa em vinil e bastante em CD e que o ouço sempre com o mesmo prazer e da mesma maneira, não me estava a referir a mim em particular e a música (esta mesmo) é muito boa, a letra é que não me parece vir a calhar para 1976 pois o “living free” da última linha é completamente apagado pelo “easy living” do resto do texto todo.
Acontece que basta andar (como eu ando) pelos sites onde se fala de música por esse mundo fora para verificar que muitos “nunca mais o (ou)viram do mesmo modo” (foi a esses que me referi), não nos podemos esquecer que tipo de ideais moviam o mundo por essa época e, muito em particular, os movimentos “rebeldes” nos EUA que o adoravam.
Claro que 40 anos depois os saudosismos variados levam muita gente a referir-se “aos bons velhos tempos” mas, como cantava um tal de Bing Crosby em 1975 “na altura não eram assim tão bons”, tenho este disco em vinil(*). E como ele insinua e eu confirmo: nós é que éramos mais novos.
Esta letra seria adequada talvez à época 25A, talvez a um mundo que só agora começa a despontar por lá, mas nunca à época em que foi escrita.
Isso aliàs está bem patente num interessante texto de Leo Johnson publicado 2 de Abril de 2013 na BBC News e intitulado “Mozambique: The Bob Dylan link”.
Não ponho aqui o link por me parecer que o conteúdo (muita guerra, muita fome) é desadequado ao local. Para os interessados em relembrar esses tempos por lá é só googlar.
Em 1976 já Bob Dyan – visionário – imaginava um Moçambique pós-Samora Machel e pós-guerra fria a incendiar a África negra com ideologias importadas da velha Europa. Enfim, em boa parte o Moçambique actual, que no entanto convém não mitificar.
Pode não ter sido uma canção de protesto, como outras músicas de intervenção do Bob Dylan, mas quem gostava do o ouvir até o tem (ainda) em vinil e não deixou de o ouvir. 🙂
Como o Bob Dylan sempre foi um mensageiro de causas “difíceis” e a canção é de 1976, julgou muita gente que seria um hino à luta pela independência.
Quando lhes saíu isto nem queriam acreditar!
E nunca mais o (ou)viram do mesmo modo.
Aqui vai a letra:
I like to spend some time in Mozambique
The sunny sky is aqua blue
And all the couples dancing cheek to cheek
It’s very nice to stay a week or two
And maybe fall in love just me and you
There’s lots of pretty girls in Mozambique
And plenty time for good romance
And everybody likes to stop and speak
To give the special one you seek a chance
Or maybe say hello with just a glance
Lying next to her by the ocean
Reaching out and touching her hand
Whispering your secret emotion
Magic in a magical land
And when it’s time for leaving Mozambique
To say goodbye to sand and sea
You turn around to take a final peek
And you see why it’s so unique to be
Among the lovely people living free
Upon the beach of sunny Mozambique
É verdade, meu caro. Mas também é isso que a torna mais intemporal. Uma canção “moçambicana” para todas as épocas.
Meu caro Amigo
Já me sorri com a sua resposta, “a song for all seasons”…
Isto de escrever na blogosfera é tramado e não estou a ensinar nada ao vigário!
Se não nos explicamos muito, muito bem acabamos a parecer que damos a nossa opinião quando até estamos a falar no geral.
E portanto, também para o geral, aqui vai.
Quem anda por aqui talvez já se tenha dado conta que, não sendo eu de modo algum um especialista nem tendo pretensões a tal, sou um melómano coleccionador ou um coleccionador melómano, as opiniões dividem-se.
E não tendo certezas que nada valem tenho opiniões que alguma coisa valerão.
Isto para dizer que do Bob Dylan tenho imensa coisa em vinil e bastante em CD e que o ouço sempre com o mesmo prazer e da mesma maneira, não me estava a referir a mim em particular e a música (esta mesmo) é muito boa, a letra é que não me parece vir a calhar para 1976 pois o “living free” da última linha é completamente apagado pelo “easy living” do resto do texto todo.
Acontece que basta andar (como eu ando) pelos sites onde se fala de música por esse mundo fora para verificar que muitos “nunca mais o (ou)viram do mesmo modo” (foi a esses que me referi), não nos podemos esquecer que tipo de ideais moviam o mundo por essa época e, muito em particular, os movimentos “rebeldes” nos EUA que o adoravam.
Claro que 40 anos depois os saudosismos variados levam muita gente a referir-se “aos bons velhos tempos” mas, como cantava um tal de Bing Crosby em 1975 “na altura não eram assim tão bons”, tenho este disco em vinil(*).
E como ele insinua e eu confirmo: nós é que éramos mais novos.
Esta letra seria adequada talvez à época 25A, talvez a um mundo que só agora começa a despontar por lá, mas nunca à época em que foi escrita.
Isso aliàs está bem patente num interessante texto de Leo Johnson publicado 2 de Abril de 2013 na BBC News e intitulado “Mozambique: The Bob Dylan link”.
Não ponho aqui o link por me parecer que o conteúdo (muita guerra, muita fome) é desadequado ao local.
Para os interessados em relembrar esses tempos por lá é só googlar.
(*)https://www.youtube.com/watch?v=XCN_8 0OYd3Q
Em 1976 já Bob Dyan – visionário – imaginava um Moçambique pós-Samora Machel e pós-guerra fria a incendiar a África negra com ideologias importadas da velha Europa. Enfim, em boa parte o Moçambique actual, que no entanto convém não mitificar.
Uma excelente data para recordar o tema. Khanimambo , Pedro, desde o Rovuma até ao Maputo, como diria o saudoso Samora Machel .
Fica modestamente a assinalar o 40º aniversário da independência de Moçambique, Sérgio. Abraço.
http://www.youtube.com/watch?v=81r0x_Acd rU
http://www.youtube.com/watch?v=BwAg5hLCC lE
Bem lembrado. Também associo sempre estas duas canções: ‘Mozambique’ e ‘Morena de Angola’ (que já foi ‘canção do século’).
Pode não ter sido uma canção de protesto, como outras músicas de intervenção do Bob Dylan, mas quem gostava do o ouvir até o tem (ainda) em vinil e não deixou de o ouvir. 🙂
‘Desire’ é um dos meus álbuns favoritos, Dulce. Se alguma vez escrever a série ‘Os discos da minha vida’, este virá certamente.