Canção do álbum de 1972 com o mesmo título, álbum esse de que mais nenhuma canção ficou para as historietas da música sequer.
Sempre vi isto como uma homenagem ao pai dele mas já li uma vez uma tese complexa onde lhe eram imputadas razões sórdidas para, em ligação com o poder local da época, fazer o jogo do reaccionarismo mais primitivo e contra o povo explorado.
Portanto é o mesmo por toda a parte: a malta escreve dezenas de páginas completamente inconsequentes durante uns meses ao abrigo de uma bolsa qualquer, páginas que lhes permitem usufruír de uma vida calma , comer todos os dias e justificar a existência. E terão sempre uns patetas para os aplaudir.
Quem nunca foi ” do antigamente”, que atire a primeira pedra, até porque “antigamente” muito pouca gente sabia ou fazia sequer ideia que se podia ser diferente do que se era… “antigamente”…
Teño morriña, hey, teño saudade, porque estou lonxe de eses teus lares…
Isto de se lembrar onde se estava a 19 de Novembro de 75…
Poucos por cá se devem lembrar do aniversário da morte do Generalíssimo. O outro debate, penso que há muito pouca gente que não se lembre de o ver, em directo e a preto e branco. E foi mau de ver? Olhe que não, Senhor Correia, olhe que não 🙂 🙂 🙂 Beijinho, Pedro e obrigada pelo “bate-papo”
Jerôme tinha 24 anos e Sylvie 22. Ambos faziam inquéritos psicossociais. E tal ocupação, que não era exactamente uma profissão, consistia em entrevistar pessoas, de acordo com várias técnicas e temas. Era um trabalho difícil que exigia, pelo menos, uma forte concentração, mas não lhe faltava interesse, era relativamente bem paga, e deixava-lhes apreciável tempo livre.
Como quase todos os seus colegas, Jerôme e Sylvie desempenhavam esta ocupação por necessidade, não por escolha. Não se sabe de resto, onde os teria levado o livre desenvolvimento das suas inclinações totalmente indolentes. A história, mais uma vez, tinha escolhido por eles.
Teriam preferido, é certo, como toda a gente, dedicar-se a alguma coisa, sentir uma necessidade premente, a que teriam chamado vocação, algo que os arrebatasse, uma paixão que os fizesse vibrar.
Mas, hélas, eles conheciam uma única paixão, que os deixava esgotados- viver melhor. O desejo de saber não os devorava, simplesmente, e sem dissimulações, sentiam necessidade de um quarto um pouco maior, de água corrente, de um duche, de refeições mais variadas, ou apenas mais copiosas, do que as das cantinas das universidades, talvez dum carro, de discos, de férias, de roupas. em ‘Les Choses’- Une histoire des années soixante, de Georges Perec
Claro que tem que se gostar de Perec e isso hoje nem sempre é fácil, é um autor do exaustivo pormenor e da quase nula acção.
Nos últimos 12 anos li e depois reli “La vie mode d’emploi”, uma espécie de romance-puzzle, o que não abonou muito a meu favor junto de alguns meus conhecidos que nunca têm tempo nem para ler as notícias até ao fim…
Canção do álbum de 1972 com o mesmo título, álbum esse de que mais nenhuma canção ficou para as historietas da música sequer.
Sempre vi isto como uma homenagem ao pai dele mas já li uma vez uma tese complexa onde lhe eram imputadas razões sórdidas para, em ligação com o poder local da época, fazer o jogo do reaccionarismo mais primitivo e contra o povo explorado.
Portanto é o mesmo por toda a parte: a malta escreve dezenas de páginas completamente inconsequentes durante uns meses ao abrigo de uma bolsa qualquer, páginas que lhes permitem usufruír de uma vida calma , comer todos os dias e justificar a existência.
E terão sempre uns patetas para os aplaudir.
Pois, meu caro. Mas palavras leva-os o vento. E as músicas vão ficando.
http://www.youtube.com/watch?v=0hjij6zmq vc
http://www.youtube.com/watch?v=dVOkVWA6x M0
E já vai com 91 anos, o pequeno/grande Aznavour.
Quem nunca foi ” do antigamente”, que atire a primeira pedra, até porque “antigamente” muito pouca gente sabia ou fazia sequer ideia que se podia ser diferente do que se era… “antigamente”…
Teño morriña, hey, teño saudade,
porque estou lonxe de eses teus lares…
Isto de se lembrar onde se estava a 19 de Novembro de 75…
Desse dia não me lembro. Mas poucos dias antes estava eu frente à RTP, a ver o debate Soares-Cunhal.
Poucos por cá se devem lembrar do aniversário da morte do Generalíssimo. O outro debate, penso que há muito pouca gente que não se lembre de o ver, em directo e a preto e branco. E foi mau de ver? Olhe que não, Senhor Correia, olhe que não 🙂 🙂 🙂
Beijinho, Pedro e obrigada pelo “bate-papo”
Jerôme tinha 24 anos e Sylvie 22. Ambos faziam inquéritos psicossociais. E tal ocupação, que não era exactamente uma profissão, consistia em entrevistar pessoas, de acordo com várias técnicas e temas. Era um trabalho difícil que exigia, pelo menos, uma forte concentração, mas não lhe faltava interesse, era relativamente bem paga, e deixava-lhes apreciável tempo livre.
Como quase todos os seus colegas, Jerôme e Sylvie desempenhavam esta ocupação por necessidade, não por escolha. Não se sabe de resto, onde os teria levado o livre desenvolvimento das suas inclinações totalmente indolentes. A história, mais uma vez, tinha escolhido por eles.
Teriam preferido, é certo, como toda a gente, dedicar-se a alguma coisa, sentir uma necessidade premente, a que teriam chamado vocação, algo que os arrebatasse, uma paixão que os fizesse vibrar.
Mas, hélas, eles conheciam uma única paixão, que os deixava esgotados- viver melhor.
O desejo de saber não os devorava, simplesmente, e sem dissimulações, sentiam necessidade de um quarto um pouco maior, de água corrente, de um duche, de refeições mais variadas, ou apenas mais copiosas, do que as das cantinas das universidades, talvez dum carro, de discos, de férias, de roupas.
em ‘Les Choses’- Une histoire des années soixante, de Georges Perec
O autor numa entrevista a propósito da história que conta no livro, quando da sua publicação em 1965:
http://www.ina.fr/video/I00005530
Claro que tem que se gostar de Perec e isso hoje nem sempre é fácil, é um autor do exaustivo pormenor e da quase nula acção.
Nos últimos 12 anos li e depois reli “La vie mode d’emploi”, uma espécie de romance-puzzle, o que não abonou muito a meu favor junto de alguns meus conhecidos que nunca têm tempo nem para ler as notícias até ao fim…