Uma canção muito popular, com muitas versões gravadas. Sinatra vai sempre bem já a filha … Pedro, sinceramente, essa não era uma canção que eu apreciasse na época (finais de 60), aliás, para a “malta” era uma canção um tanto ou quanto stupid “, talvez também o fossemos;)) Achei interessante ouvi-la agora, pois última vez tinha sido a versão em que Nicole Kidman canta com Robbie Williams . Acho que a Nicole vai melhor que a Nancy. Não faltam talentos à Nicole…;))
É como Douglas pai e filho no cinema. Um tem talento de sobra, o outro tem “sometin’ stupid”. Note-se que, na canção, é ele que canta mais alto, em primeira voz, enquanto ela se fica pela segunda voz, em escala mais baixa. O que não é comum na sobreposição de voz masculina e voz feminina. Tal não impede que esta canção, tão simples, tenha deixado marca, pese embora estar muito longe das marcas atingidas por Sinatra.
A melhor prova da força desta canção está nas inúmeras versões que tem conhecido – a mais célebre das quais foi o duo entre Robbie Williams e Nicole Kidman a que se refere a Maria. Este duo perde claramente, no entanto, para o original que pode ser ouvido aqui: Sinatra estava no auge e mete o Robbie num chinelo. A Nicole, concedo, é bem mais bonita do que a Nancy – quanto aos méritos vocais, acho-as equivalentes.
Passe o lesa-majestade que vou cometer,’ hate Sinatra:-( Sorry, gostos. A voz linear e desinfectada, asséptica e técnica… Isso mesmo: técnica e mais nada. Talvez o defeito seja meu, admito. Mas associo-lhe tudo quanto é postiço, vácuo e sem arte: orquestras de casino, filmes de 2ª, lots of marketing e música sem alma. Serei uma aberrante excepção?
Filmes de segunda, Chloé? – Um Dia em Nova Iorque (1949), Gene Kelly-Stanley Donen – Até à Eternidade (1953), Fred Zinnemann – O Homem do Braço de Ouro (1955), Otto Preminger – Deus Sabe Quanto Amei (1958) Vincente Minnelli
Estes e vários outros não são de segunda. São de primeira.
Nada disso, não me fiz entender: eu falei do que ele (não) me inspira e de quanto sempre o achei deslocado no estatuto de gigante. Quando aparece ele torna a coisa de 2ª… E nem são os primeiros tempos, do swing, que me desagradam, mas os posteriores. Eu não digo que estou a tocar na vaca sagrada…
1. Sou suspeito, pois nunca fui fã de musicais. E não me importo de começar o rol pelos filmes de Sinatra.
2. Nunca teve grande voz, num tempo em que uma boa voz era essencial para vingar. Mas era de um timbre agradável e soube usar a voz que tinha como ninguém ou como muito poucos. E encontrou sempre as canções certas para ele, o que lhe permitiu passar a vida a crescer.
Mais do que a voz, mais do que o ‘swing’, o Sinatra trouxe algo muito próprio à canção, que é o fraseado. Ele ‘diz’ os versos das canções como ninguém disse antes dele, arrastando propositadamente as sílabas e dando-lhe maior amplitude e sonoridade, por vezes com intenções irónicas, outras com um acentuado dramático. Valoriza os versos de um Ira Gershwin ou de um Cole Porter em versões que ficaram para sempre. Veja-se, a título de exemplo, “I’ve got you under my skin” – a versão dele é a definitiva. Com isto influenciou o modo de cantar de inúmeros cantores das gerações seguintes. Um Carlos do Carmo, por exemplo, não cantaria como canta se antes dele não tivesse havido um Sinatra a abrir caminho.
Bem, no ‘swing’ e no sentido das palavras ainda está para nascer alguém que se lhe compare. Nisso e na utilização de uma voz em que o melhor era apenas o timbre, principalmente, foi único.
Exacto. Obg pela compreensão, eheh 🙂 Por cá tem uma réplica, que me vou abster de nomear senão é que me cai tudo em cima…
Quase juro que concordo consigo, também na réplica. E pelas mesmas razões.
Chloé, seremos então as duas únicas hereges que não adoram o Sinatra. Acho que ele tinha uma boa voz (é inegável) e um fantástico repertório, mas também nunca gostei do estilo, que muito bem apelidou de “postiço”. E pronto, lá seremos crucificadas por isto… 😉
Eu também não gosto do senhor. E concordo que o adjectivo “postiço” é muito pertinente. E nisto como em tudo, nem só de voz vive o homem….
;)))
Boa, afinal não sou excepção! Que alívio 🙂 Já vi que percebeu quem é o clone português que não nos consegue provocar um arrepio que seja. Eu acho até que os cantores são um bocado como os cavaleiros e toureiros: podem ter uma técnica exímia mas se lhes falta emoção… não arrebatam. Quem discorre muito bem sobre isso é o Álvaro Guerra (mas, se não estou a trocar tudo, tenho uma vaga recordação dum post seu pouco dado a corridas..)
Nem mais, Chloé. E está mesmo a trocar tudo, porque também nisso eu sou politicamente incorrecta: sou apaixonada por corridas de toiros, e o post que refere era exactamente essa confissão. 🙂
A voz, o ‘swing’, o fraseado, a expressividade – além dos fabulosos arranjos de muitas das suas canções. Creio ter sublinhado o essencial um pouco mais acima.
Esta é daquelas canções que, ou se gosta muito, ou se detesta. Não tem pretensões, a começar pelo título. Por mim, que nunca fui grande dançarino, imaginei-me a dançá-la com todas as namoradas, muitas também virtuais, de quando tinha 18 anos. E é no original que continuo a gostar de a ouvir.
Uma canção muito popular, com muitas versões gravadas. Sinatra vai sempre bem já a filha … Pedro, sinceramente, essa não era uma canção que eu apreciasse na época (finais de 60), aliás, para a “malta” era uma canção um tanto ou quanto stupid “, talvez também o fossemos;))
Achei interessante ouvi-la agora, pois última vez tinha sido a versão em que Nicole Kidman canta com Robbie Williams . Acho que a Nicole vai melhor que a Nancy. Não faltam talentos à Nicole…;))
O pai bem puxou pela filha. Mas aquilo não dava mesmo.
;))
Pois, João, é mais um caso a contrariar a (estafada) frase-“filho de peixe sabe nadar”.;))
É como Douglas pai e filho no cinema. Um tem talento de sobra, o outro tem “sometin’ stupid”.
Note-se que, na canção, é ele que canta mais alto, em primeira voz, enquanto ela se fica pela segunda voz, em escala mais baixa. O que não é comum na sobreposição de voz masculina e voz feminina.
Tal não impede que esta canção, tão simples, tenha deixado marca, pese embora estar muito longe das marcas atingidas por Sinatra.
A melhor prova da força desta canção está nas inúmeras versões que tem conhecido – a mais célebre das quais foi o duo entre Robbie Williams e Nicole Kidman a que se refere a Maria. Este duo perde claramente, no entanto, para o original que pode ser ouvido aqui: Sinatra estava no auge e mete o Robbie num chinelo. A Nicole, concedo, é bem mais bonita do que a Nancy – quanto aos méritos vocais, acho-as equivalentes.
Passe o lesa-majestade que vou cometer,’ hate Sinatra:-(
Sorry, gostos. A voz linear e desinfectada, asséptica e técnica… Isso mesmo: técnica e mais nada. Talvez o defeito seja meu, admito. Mas associo-lhe tudo quanto é postiço, vácuo e sem arte: orquestras de casino, filmes de 2ª, lots of marketing e música sem alma. Serei uma aberrante excepção?
Filmes de segunda, Chloé?
– Um Dia em Nova Iorque (1949), Gene Kelly-Stanley Donen
– Até à Eternidade (1953), Fred Zinnemann
– O Homem do Braço de Ouro (1955), Otto Preminger
– Deus Sabe Quanto Amei (1958) Vincente Minnelli
Estes e vários outros não são de segunda. São de primeira.
Nada disso, não me fiz entender: eu falei do que ele (não) me inspira e de quanto sempre o achei deslocado no estatuto de gigante. Quando aparece ele torna a coisa de 2ª… E nem são os primeiros tempos, do swing, que me desagradam, mas os posteriores. Eu não digo que estou a tocar na vaca sagrada…
Vou tentar acrescentar algo.
1. Sou suspeito, pois nunca fui fã de musicais. E não me importo de começar o rol pelos filmes de Sinatra.
2. Nunca teve grande voz, num tempo em que uma boa voz era essencial para vingar. Mas era de um timbre agradável e soube usar a voz que tinha como ninguém ou como muito poucos. E encontrou sempre as canções certas para ele, o que lhe permitiu passar a vida a crescer.
Consegui?
Mais do que a voz, mais do que o ‘swing’, o Sinatra trouxe algo muito próprio à canção, que é o fraseado. Ele ‘diz’ os versos das canções como ninguém disse antes dele, arrastando propositadamente as sílabas e dando-lhe maior amplitude e sonoridade, por vezes com intenções irónicas, outras com um acentuado dramático. Valoriza os versos de um Ira Gershwin ou de um Cole Porter em versões que ficaram para sempre. Veja-se, a título de exemplo, “I’ve got you under my skin” – a versão dele é a definitiva.
Com isto influenciou o modo de cantar de inúmeros cantores das gerações seguintes. Um Carlos do Carmo, por exemplo, não cantaria como canta se antes dele não tivesse havido um Sinatra a abrir caminho.
Bem, no ‘swing’ e no sentido das palavras ainda está para nascer alguém que se lhe compare. Nisso e na utilização de uma voz em que o melhor era apenas o timbre, principalmente, foi único.
Exacto. Obg pela compreensão, eheh 🙂 Por cá tem uma réplica, que me vou abster de nomear senão é que me cai tudo em cima…
Quase juro que concordo consigo, também na réplica. E pelas mesmas razões.
Chloé, seremos então as duas únicas hereges que não adoram o Sinatra. Acho que ele tinha uma boa voz (é inegável) e um fantástico repertório, mas também nunca gostei do estilo, que muito bem apelidou de “postiço”.
E pronto, lá seremos crucificadas por isto…
😉
Eu também não gosto do senhor. E concordo que o adjectivo “postiço” é muito pertinente. E nisto como em tudo, nem só de voz vive o homem….
;)))
Boa, afinal não sou excepção! Que alívio 🙂
Já vi que percebeu quem é o clone português que não nos consegue provocar um arrepio que seja.
Eu acho até que os cantores são um bocado como os cavaleiros e toureiros: podem ter uma técnica exímia mas se lhes falta emoção… não arrebatam. Quem discorre muito bem sobre isso é o Álvaro Guerra (mas, se não estou a trocar tudo, tenho uma vaga recordação dum post seu pouco dado a corridas..)
Nem mais, Chloé. E está mesmo a trocar tudo, porque também nisso eu sou politicamente incorrecta: sou apaixonada por corridas de toiros, e o post que refere era exactamente essa confissão.
🙂
Bela síntese a sua, Chloé.
:)))
Obg, graças a si e à Ana Vidal sinto-me outra vez normalzinha 🙂
Se calhar é mesmo estúpido dizê-lo, porque baixamos a guarda. Mas viver sempre na zona de conforto é uma tremenda chatice.
Essa frase, que subscrevo, merece banda sonora especial, Hot Legs.
Este Homem tinha uma voz fantática.
A voz, o ‘swing’, o fraseado, a expressividade – além dos fabulosos arranjos de muitas das suas canções. Creio ter sublinhado o essencial um pouco mais acima.
Esta é daquelas canções que, ou se gosta muito, ou se detesta. Não tem pretensões, a começar pelo título. Por mim, que nunca fui grande dançarino, imaginei-me a dançá-la com todas as namoradas, muitas também virtuais, de quando tinha 18 anos. E é no original que continuo a gostar de a ouvir.
Também eu. Apesar da Kidman.
“And then I go and spoil it all, by saying something stupid like ..” i really don’t like Sinatra, e se a minha Mãe ler isto, deserda-me!
Well .. bom fim-de-semana Pedro 😉
Bom fim de semana, Catarina (o meu será a trabalhar). Com a banda sonora que escolher.
.. o meu vai ser ao som do “poeta dos blues” Pedro 😉 Bom trabalho, então!