10 comentários em “As canções do século (1403)”

  1. Um autor-intérprete com uma carreira curiosa , muitas vezes encarado não sem alguma razão como “kitsch” .

    No entanto entre canções originais e versões francesas tem algumas muito interessantes e bastas vezes muito bonitas (no meio de outras pura e assumidamente comerciais) .

    É dele uma das canções mais curiosas pela sua duração , uma espécie de “suite” cantada com mais de 12 minutos “Le jardin du Luxembourg” , ainda que ele a tenha regravado com duração “normal” de 4 minutos para efeitos de colectâneas.

    A que hoje nos traz é das mais representativas dele , uma espécie de associação franco-italiana pois a letra é de 2 franceses e a música de 3 italianos , tanto uns como outros figuras de topo da música popular .

    1. Morreu estupidamente cedo. Se tivesse vivido mais anos, a carreira dele provavelmente conheceria outros voos. Mas ficaram dele algumas canções que marcaram uma época. Esta, por exemplo.

      1. Tem razão no que diz sobre a morte prematura e a consequente falta de oportunidade para outros voos .

        Há ali 3 grandes álbuns seguidos “Le costume blanc” (1975) , que abre com esta canção , “Le jardin du Luxembourg” (1976) e “Les femmes de ma vie” (1978) , um álbum temático .
        O álbum seguinte “15 ans déjà” (1979) já é um pouco um retorno ao estilo anterior , talvez por ser comemorativo .

        Mas de facto os 2 últimos álbuns já são saltos para “outras coisas” , ficámos sem saber qual seria o projecto dele nessa altura .

        Quanto à referência que fiz de que seria considerado “kitsch” por muito boa gente é evidente que era à época , mas esqueci-me de o explicitar .
        Não podemos esquecer que ele começou a gravar em 1964 e portanto atravessou uma época “intelectualóidemente” (esta inventei eu agora …) muito especial da vida em França , que se espalhou por toda a Europa .
        Hoje em dia estamos de tal maneira rodeados de “kitsch” por todos os lados que a expressão , quando aplicada nestes casos , se tornou anacrónica .

        PS – Joe Dassin não chegou a fazer 42 anos pois morreu de um ataque de coração dois meses antes e o seu pai , o realizador Jules Dassin , morreu com 96 anos .

        Um bom domingo para si

        1. Tem razão, RMG. Rodeados de ‘kitsch’ por todo o lado, a todo o momento, esta designação perdeu significado pelo menos na sua vertente crítica. O ‘kitsch’ impera. É vê-lo, lê-lo e ouvi-lo nas redes sociais e verificar como daí transborda para os chamados meios de massas. De facto, Jules Dassin sobreviveu 28 anos à morte do filho, falecendo em 2008. Não terá sido por falta de bons genes que este cantor desapareceu tão cedo.

  2. Quem lembra a versão original, essa sim do Séc. XX, e que enchia as rádios dos anos 70, acho que repara que a voz da recente aproveitadora não acrescenta nada, aliás, estraga muito.

    Parece um caso de aproveitamento comercial de péssimo tom, mesclando imagens reais e falsas do Dassin, como se ele estivesse vivo.
    Enfim, quando é para tratar da vidinha, até parece que vale tudo.

    Se tivessem simplesmente juntado a voz do Dassin ao arranjo orquestral moderno, teria ficado muito melhor.

    1. Sinto-me tentado a dar-lhe razão, meu caro. Tudo começou com o Nat King Cole, “ressuscitado” digitalmente para cantar ‘Unforgettable’ com a filha, Natalie Cole, num disco que foi dos mais vendidos da década de 90. Os franceses fizeram o mesmo com a Piaf, “ressuscitada” para um dueto com o Aznavour em ‘Plus Bleux que le Bleux de tes Yeux’. A moda pegou ao ponto da quase banalização.
      Esta série não reproduz apenas originais: por vezes escolho versões actualizadas (e já do século XXI) das ‘canções do século’ (XX). Não só por questões autorais (é difícil, por exemplo, reproduzir vários temas do Dylan porque a Sony faz descer uma cortina negra sobre eles, antes ou imediatamente depois) mas também porque de versões é feita muita dessa ‘música do século’. O ‘My Way’, por exemplo, que começou por ser canção francesa, do Claude François, tornou-se inseparável da voz do Sinatra, na versão americana. Inversamente, parece-me que ninguém cantou tão bem ‘Tenderly’, como Dick Farney: parece ter sido um tema composto para a voz dele. E o Joe Cocker apropriou-se para sempre de ‘With a Little Help from My Friends’, dos Beatles. E quem diria que a saudosa Mama Cass conseguiria um êxito mundial na década de 60 com um tema quase desconhecido de 1931 intitulado ‘Dream a Little Dream of Me’? E até o grande Louis Armstrong interpretou com sucesso a nossa ‘Coimbra’, rebaptizada de ‘April in Portugal’. Etc, etc.

      1. Apesar de tudo dou um certo desconto ao Aznavour no “duo” com Piaf pois a canção “Plus bleu que le bleu de tes yeux” (ou “Plus bleu que tes yeux” , é conhecida das duas maneiras) foi escrita por ele propositadamente para ela em 1951 , ano em que a relação entre eles terá terminado , não sei até que ponto como consequência de um grave acidente de viação que ambos sofreram e que a afectou muito .
        Aznavour gravou-a só em 1952 num 78 rpm juntamente com “Oublie Loulou” .

        Natalie Cole reincindiu no álbum “Still Unforgettable” cantando em “duo” com o pai “Walking my baby back home” .

    2. Este disco de Outubro passado tem levado pancada a tempo inteiro da crítica francesa que conta (há sempre “os outros” , os amiguinhos) precisamente pelas razões que aponta (mal conseguido , oportunismo , etc) .

      A pequena tinha 9 anos quando o Joe Dassin morreu e o facto de ter feito uma carreira de certo modo a pulso devia ser a primeira razão para não embarcar nestas .

      De qualquer modo alguém (editores , herdeiros) deu licença para isto pois a canção está nitídamente dentro dos prazos relativos a ” direitos de autor” e são tão ou mais culpados que ela (sem a isentar , claro) .

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