É um facto que o filme “Summer Holiday” tinha uma mão cheia de canções que fizeram história na música pop , goste-se ou não do estilo . Mas estando nós aqui nas “canções do século” é natural que a escolha recaia na que lhe deu o título ainda que , nas festinhas de garagem (como ontem dizía um comentador) , “The next time” tivesse outro êxito …
De qualquer modo o filme tem um lado curioso porque integra quase todas as canções em cenas dançadas , ao contrário do seu antecessor “The Young Ones” onde a intenção de promover o álbum musical (e os “The Shadows”) era mais evidente .
Meu caro RMG: agradeço, uma vez mais, este seu contributo para uma série que pretendo, desde o início, que seja dos leitores. Considerações estéticas à parte, estas canções do Cliff Richard com os Shadows marcaram uma época e toda uma geração, no final dos anos 50 e início dos anos 60, só comparáveis no Reino Unido à popularidade do Elvis no outro lado do Atlântico (logo a seguir vieram os Beatles e toda a hitória da música popular mudou, na Europa e na América). A popularidade era tanta que tiveram juntos (CF e Shadows) 34 temas nos tops britânicos. Basta isto para que quem não viveu esses tempos fazer uma ideia…
Também não procuro quase nunca fazer considerações estéticas a menos que a situação toque o escandaloso e , no que respeita à música que se fazia há 50 anos , isso é sempre muito discutível pois a maior parte dos que a criticam (para o bem ou para o mal) estão apenas a ser anacrónicos se os viveram ou pouco inteligentes se não os viveram . Falar doutros tempos à luz do que se sabe hoje (seja no que fôr) é , no mínimo , inútil .
Há música boa e há música má , como dizía Leonard Bernstein , e estas (e outras) “canções do século” que nos vai trazendo são música boa pois ainda aí está . Estou de resto à vontade para o dizer pois , razoável conhecedor da música pop (e da francesa em particular) , é na música clássica que a minha formação foi feita e é essa que eu conheço mesmo bem . Como não vejo nunca televisão , durmo 5 ou 6 horas por noite e não sei viver no silêncio , fácilmente se imagina o tempo que me resta para a música como fundo sonoro e permanente de todas as actividades .
Tem assim o meu amigo toda e mais alguma razão quando relembra a importância que estes e outros tiveram nos anos 50 / 60 do século passado . Basta lembrar que nesses tempos os sistemas de som “caseiros” estavam ainda muito confinados a minorias sociais mais “abastadas” , mesmo no Reino Unido e em França (já não falo sequer do nosso país) . De resto entre nós a música francesa , que ocupava todo o espaço por razões de influência cultural , acabou por ser destronada com CF e os Shadows Digo entre nós e peco por defeito : mesmo nessa altura as editoras francesas perceberam-no bem e as versões francesas de muitas destas e de outras canções começaram a ser editadas com notável êxito (Richard Anthony , Claude François , Johnny Halliday).
Talvez muitos já não se lembrem que no fim dos anos 60 um disco LP com 6 canções de cada lado custava entre nós entre 150 e 180 escudos , qualquer coisa como 44 a 52 euros a valores de hoje , o que para o poder de compra da época (e mesmo o de hoje …) só dava para comprar nos anos e no Natal , mesmo se os nossos pais vivessem melhor que a média . Ter uma colecção de LP com mais de 30 era só para “privilegiados” , íamo-nos safando com os singles , a maior parte das vezes os dos amigos . Os gravadores de fita (e as fitas) sendo caríssimos , a cópia estava limitada por definição .
O fenómeno Beatles é um fenómeno curioso pois conseguiram “abafar” quase todos os grupos à sua volta , uma “injustiça” relativa tremenda pois essa foi a época dourada em que apareceram dezenas de excelentes conjuntos a travar uma luta difícil e desigual . Com notáveis e respeitáveis excepções foram ficando pelo caminho (e alguns que ainda andam por aí já só com um ou dois dos membros originais mais valia terem sabido parar a tempo …).
Não tenho saudosismos de espécie alguma como já aqui disse há tempos , filhos quarentões e netos adolescentes “agarram-me” à realidade e essa é o amanhã e não o ontem . Mas os tempos continuam a mostrar-nos que a boa música é intemporal .
Meu caro, como já referi, esta série destina-se também a possibilitar a troca de ideias como estas que aqui deixa. Agradeço-lhe particularmente o relance que faz pelos preços dos discos naquela época, numa sociedade onde o poder de compra era muito menor em média do que o actual: é sempre útil termos essas medidas de comparação. De acordo consigo: para além das modas de circunstância, a boa música é intemporal. E regressará sempre, mais cedo ou mais tarde. Curioso ter mencionado aqui o Richard Anthony: ele está quase a comparecer enfim nestas “canções do século”.
É um facto que o filme “Summer Holiday” tinha uma mão cheia de canções que fizeram história na música pop , goste-se ou não do estilo .
Mas estando nós aqui nas “canções do século” é natural que a escolha recaia na que lhe deu o título ainda que , nas festinhas de garagem (como ontem dizía um comentador) , “The next time” tivesse outro êxito …
De qualquer modo o filme tem um lado curioso porque integra quase todas as canções em cenas dançadas , ao contrário do seu antecessor “The Young Ones” onde a intenção de promover o álbum musical (e os “The Shadows”) era mais evidente .
Meu caro RMG: agradeço, uma vez mais, este seu contributo para uma série que pretendo, desde o início, que seja dos leitores. Considerações estéticas à parte, estas canções do Cliff Richard com os Shadows marcaram uma época e toda uma geração, no final dos anos 50 e início dos anos 60, só comparáveis no Reino Unido à popularidade do Elvis no outro lado do Atlântico (logo a seguir vieram os Beatles e toda a hitória da música popular mudou, na Europa e na América).
A popularidade era tanta que tiveram juntos (CF e Shadows) 34 temas nos tops britânicos. Basta isto para que quem não viveu esses tempos fazer uma ideia…
Meu caro Pedro Correia
Também não procuro quase nunca fazer considerações estéticas a menos que a situação toque o escandaloso e , no que respeita à música que se fazia há 50 anos , isso é sempre muito discutível pois a maior parte dos que a criticam (para o bem ou para o mal) estão apenas a ser anacrónicos se os viveram ou pouco inteligentes se não os viveram .
Falar doutros tempos à luz do que se sabe hoje (seja no que fôr) é , no mínimo , inútil .
Há música boa e há música má , como dizía Leonard Bernstein , e estas (e outras) “canções do século” que nos vai trazendo são música boa pois ainda aí está .
Estou de resto à vontade para o dizer pois , razoável conhecedor da música pop (e da francesa em particular) , é na música clássica que a minha formação foi feita e é essa que eu conheço mesmo bem .
Como não vejo nunca televisão , durmo 5 ou 6 horas por noite e não sei viver no silêncio , fácilmente se imagina o tempo que me resta para a música como fundo sonoro e permanente de todas as actividades .
Tem assim o meu amigo toda e mais alguma razão quando relembra a importância que estes e outros tiveram nos anos 50 / 60 do século passado .
Basta lembrar que nesses tempos os sistemas de som “caseiros” estavam ainda muito confinados a minorias sociais mais “abastadas” , mesmo no Reino Unido e em França (já não falo sequer do nosso país) .
De resto entre nós a música francesa , que ocupava todo o espaço por razões de influência cultural , acabou por ser destronada com CF e os Shadows
Digo entre nós e peco por defeito : mesmo nessa altura as editoras francesas perceberam-no bem e as versões francesas de muitas destas e de outras canções começaram a ser editadas com notável êxito (Richard Anthony , Claude François , Johnny Halliday).
Talvez muitos já não se lembrem que no fim dos anos 60 um disco LP com 6 canções de cada lado custava entre nós entre 150 e 180 escudos , qualquer coisa como 44 a 52 euros a valores de hoje , o que para o poder de compra da época (e mesmo o de hoje …) só dava para comprar nos anos e no Natal , mesmo se os nossos pais vivessem melhor que a média .
Ter uma colecção de LP com mais de 30 era só para “privilegiados” , íamo-nos safando com os singles , a maior parte das vezes os dos amigos .
Os gravadores de fita (e as fitas) sendo caríssimos , a cópia estava limitada por definição .
O fenómeno Beatles é um fenómeno curioso pois conseguiram “abafar” quase todos os grupos à sua volta , uma “injustiça” relativa tremenda pois essa foi a época dourada em que apareceram dezenas de excelentes conjuntos a travar uma luta difícil e desigual .
Com notáveis e respeitáveis excepções foram ficando pelo caminho (e alguns que ainda andam por aí já só com um ou dois dos membros originais mais valia terem sabido parar a tempo …).
Não tenho saudosismos de espécie alguma como já aqui disse há tempos , filhos quarentões e netos adolescentes “agarram-me” à realidade e essa é o amanhã e não o ontem .
Mas os tempos continuam a mostrar-nos que a boa música é intemporal .
Desculpar-me-à a verborreia mas deu-me a deixa …
Um abraço
Meu caro, como já referi, esta série destina-se também a possibilitar a troca de ideias como estas que aqui deixa. Agradeço-lhe particularmente o relance que faz pelos preços dos discos naquela época, numa sociedade onde o poder de compra era muito menor em média do que o actual: é sempre útil termos essas medidas de comparação. De acordo consigo: para além das modas de circunstância, a boa música é intemporal. E regressará sempre, mais cedo ou mais tarde. Curioso ter mencionado aqui o Richard Anthony: ele está quase a comparecer enfim nestas “canções do século”.
uma vez por outra, até não é mau de todo trocar as férias de verão por um verão quente na cidade… J0
http://www.youtube.com/watch?v=s1_8909dN
Óptima alternativa, Carlos.