Duas dúzias de energúmenos foram dissuadidos esta noite, pelo Corpo de Intervenção da PSP, de invadir as instalações do Sporting. A polícia cumpriu o seu dever, escorraçando os arruaceiros. Foi quanto bastou, neste país rendido à fúria do futebol, para o assunto ganhar impacto nacional. Um dos indivíduos barrados pela polícia, que acabo de ouvir no canal público de televisão, dispara esta bojarda de olhos bem fixos nas câmaras: "Nós, neste momento, temos uma PIDE em Portugal. Chama-se PSP."
Qualquer imbecil sem memória nem leituras para fazer a mais remota ideia do que foi a PIDE tem hoje tempo de antena cá na terra. Em directo, ao vivo e a cores. Com os jornalistas, abdicando do seu papel de mediadores, irresponsavelmente transformados em pés-de-microfone.

Assino por baixo.
Adenda: não será despiciendo enquadrar ainda que, remota e indirectamente, este episódio no contexto de “asfixia democrática” e tal.
Essa mensagem passou para o bem e para o mal e quem abre uma porta tem dificuldade em a fechar…
Meu caro Pedro, não vi esse directo, mas “estou a ver a cena completa”. é o costume não e? no futebol como em tudo o resto…o que mais se vê por aí são pés de microfone.
Os pés de microfone, jornalistas ?? Pensei que eram mesmo e só, suportes…
Muito bem.
E quando a comparação não é a PSP é com a ASAE . Mas não são só jornalistas. Alguns até serão novatos, mal pagos e que foram atirados às “feras”. Mais grave é quando são políticos de carreira a dizê-lo e alguns há com mais de duas décadas de ofício.
Devia haver muito mais cuidado com os ‘directos’, Sérgio. O excesso de ‘directos’, onde a mediação jornalística não pode funcionar, gera coisas destas. Todos os dias, a toda a hora.