As autárquicas na minha terra – V


Paulo Sousa,

Aqui para os meus lados, como disse já aqui num comentário a este postal da Cristina, o candidato do PSD à Câmara, Jorge Vala, já mereceu a visita de Paulo Rangel e de Rui Rio. O primeiro esteve presente e discursou durante um serão numa acção de campanha transmitida em linha. Rui Rio, o ainda líder do PSD, apareceu em Porto de Mós numa sexta-feira de manhã, o que equivale a dizer à hora do mercado municipal. O luto nacional decretado pelo falecimento do ex-Presidente Sampaio, acabou por condicionar o acontecimento e impediu assim que o líder da oposição (por inerência) tivesse um banho de multidão.

Entretanto, em vários comícios realizados em várias freguesias, já foram despachados alguns suínos, confecionados no belo espeto e servidos em sandes de pão caseiro, acompanhadas por minis a gasto e vinho em box, que é uma outra invenção fora da caixa.

Com o cancelamento das festas populares por motivos sanitários, estes comícios têm sido bastante concorridos. Não há ASAE, nem GNR que se atreva a interromper um evento político seja porque motivo for, até porque o tempo da outra senhora já lá vai e há muita conversa para pôr em dia.

O acesso a estes eventos é o mais democrático possível. Quanto maior for o afastamento de cada um das coisas públicas, mais fácil é fazer o pleno. O assador de porcos, que nisto dos partidos é agnóstico, tem uma camisola de cada cor para ir trocando ao gosto do cliente. As concertinas andam sempre por ali à volta a bufar música e já devem ter o cheiro da carne assada entranhada nos foles.

debate porto de mos.png

Ontem à noite decorreu o segundo debate entre os candidatos à câmara. Foi transmitido na rádio Dom Fuas e em diversas plataformas digitais. Mais uma vez deu para entender a diferença entre o vinho e o vinagre.

Como já aqui escrevi, João Salgueiro, após ter sido afastado pela lei anti-dinossauros e cumpridos os quatro anos de pousio, concorre novamente pelo PS. Lembrou-se agora que queria fazer mais qualquer coisa que se tinha esquecido, a memória também já não é o que era.

Novamente neste segundo debate foi desmentido quase em continuo. A certa altura terá entrado em perda e, sem dar por isso, acabou por dar uma preciosa contribuição para o anedotário da região. Acho até que se esmerou ao ponto de poder ajudar a colocar Porto de Mós no mapa, um compromisso do seu rival do PSD.

– Então não é que, pasme-se (pausa de quatro segundo para captar a atenção do auditório) foram construir um abrigo para cães à frente de uma fábrica de chouriças!!

Poderá haver um qualquer escanção de anedotas que não concorde, mas mesmo através da transmissão em linha, deu para ouvir as gargalhadas da plateia e isso mostra algum potencial da piada. Se as eleições do próximo dia 26 se destinassem a escolher o tipo que, pasme-se, consegue dizer mais coisas tontas sem se rir, ele merecia ganhar.

17 comentários em “As autárquicas na minha terra – V”

  1. Por falar em Autárquicas, ontem foi dia de Figueira da Foz, 3ª cidade portuguesa, a anteceder as duas cabeçorras do bicéfalus portuga. Figueira está tão na moda que até os tubarões a visitam.
    Ao contrário da maior parte dos debates, o tópico #1 não é o pão, emprego e habitação, mas sim a dívida. Sim, no país em que a Esquerda anda sempre a pedir para meter o défice debaixo do tapete e exige investimento público, o grande problema do Concelho é gastar demais em obra pública.

      1. O candidato desterrado foi prestar a devida homenagem ao senhor que, qual Trump, o despediu à má fila.
        Mas a vida continua, e a Figueira precisa de avançar. Menos na dívida. Areia sim, dívida não.

  2. Não sabia que no PSD ainda se mantivesse esse método do porco assado, a que os jornalistas chamam precisamente “o circuito da carne assada”.
    Acho deveras vergonhoso que um partido ainda faça campanha através desse método estomacal, de dar a comer (e beber) de borla aos populares.
    No meu partido fazem-se jantares de campanha, mas cada participante paga e em geral são somente os militantes (e seus convidados) que vão. O partido não anda dar de comer e beber a todo o gato pingado que apareça.

    1. O emissor adequa a mensagem ao receptor, ou seja, recorre às variáveis a que ele é mais sensível.
      No partido dos anónimos o método será outro, mas pelo que ouvi, a manobra de pôr os comensais a pagar 10€ por um jantar que pode ter custado 7€, permite financiar campanhas eleitorais com dinheiro vivo, ou seja em notas. Pelo que sei isso deixou de ser legal.

      1. O “anónimo” sou eu, balio.

        a manobra de pôr os comensais a pagar 10€ por um jantar que pode ter custado 7€, permite financiar campanhas eleitorais com dinheiro vivo, ou seja em notas

        No caso do “meu” partido (Iniciativa Liberal) não há ilegalidade nenhuma, uma vez que o jantar é antecipadamente pago mediante transferência bancária para os cofres do partido a partir da conta pessoal (não pode ser de uma empresa) do participante no jantar. Não há qualquer dinheiro vivo (notas) a circular. Quem quer ir ao jantar reserva lugar e paga-o antecipadamente por transferência bancária.

        1. Essa malta dos liberais andam armados em gente séria, amiga do escrutínio e da clareza. Esse método não deixa, de facto, espaço para jogadas nem manobras de bastidores. Onde é que isso já se viu?

          Folgo em saber que é membro da IL.

  3. Dúvida sobre a anedota: deveremos imaginar que os cães passam o dia a babar-se pelo cheiro de morcelas? Ou que os tais enchidos terão passado a ser à base de gado latido?

    1. Ele já tinha feito uma referência ao PAN. Talvez esteja preocupado com a consumição dos bichos, que mesmo com aquele aroma pelo ar, são sustentados a ração.
      Isso seria comparável a organizar um congresso do PAN em frente a fábrica de tofu ou seitan. Ficava tudo a salivar.

  4. Em Portugal, distribui-se carne assada em campanha eleitoral. Na Alemanha, usam-se benesses desse tipo para levar as pessoas a vacinarem-se, pois as vacinas estagnaram nos 65% da população (mais coisa, menos coisa). Já houve localidades a oferecerem as famosas salsichas de churrasco a quem se vacinasse. Hoje li que, ontem, num bar de Hamburgo, ofereceram pizzas a troco da injecção. Foi um sucesso tão grande, que as pizzas não chegaram para todos. Parece que os que ficaram a ver navios receberam um “voucher pizzeiro”

      1. Até ver, em relação a este post : Figueira, despedido, porco no especto, transferências bancárias (um pode pagar para uns tantos mil?), e coisa e tal.
        E em Porto de Mós continuam as pegadas na pedreira.

    1. num bar de Hamburgo, ofereceram pizzas a troco da injecção

      Não seria melhor terem oferecido Alsterwasser? Ou será que isso poderia fazer uma reação negativa com a vacina?

      1. “Alsterwasser” tem algum álcool. Não me parece que fosse eticamente aceitável oferecer uma bebida com teor alcoólico (ainda que baixo, pois é uma mistura de cerveja com laranjada) como recompensa por uma vacina.
        Além disso, acho ter mais eficácia oferecer algo para comer do que uma bebida. E, apesar de ter origem italiana, a pizza deve ser do que os alemães mais gostam, a seguir às salsichas.

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