em Madrid
(Espanha)
O Edifício Mirador data de 2005 e está em Sanchinarro, uma zona suburbana de Madrid, para o lado norte. A concepção pertenceu ao MVRDV – um grupo
holandês de jovens arquitectos com alguns trabalhos arrojados (quer temporários, quer permanentes) espalhados por alguns lugares do mundo – e à espanhola Blanca Lleó.
Trata-se de um bloco de habitação com 21 pisos e 165 apartamentos de nove tipologias diferentes. Os apartamentos estão organizados de acordo com cada tipologia, formando uma espécie de bairros dentro do prédio, pelos quais se circula como se o fizéssemos por uma espécie de arruamentos e que se distinguem no exterior e no interior por umas fantasias arquitectónicas e pelos tons: branco, uns cinzas, corredores e áreas comuns a vermelho. Só falta saber se é distribuído um manual de
instruções à porta.
O edifício incluiu um enorme buraco na estrutura, cuja base constitui uma zona comum de lazer – uma espécie de terraço – com vista para a Serra de Guadarrama. Como a serra não faz 360 graus em torno do observador, o resto da vista não consta que tenha algum interesse. O que condiz com o inverso: quem estiver na serra a apreciar a vista para Sanchinarro, esbarra com uma estrutura em betão que tem um buraco e que não devia estar lá.
Com os seus 63,4 metros de altura, destaca-se definitivamente numa área em
que a urbanização tem crescido a olhos vistos. Foi erguido junto de uma rotunda e serve de cortina de fecho a uma avenida que aí desemboca.
Se a ideia foi conseguir travar de todo a vista para lá da avenida, o resultado teve sucesso. Se o buraco foi para evitar a ideia de uma cortina, o resultado foi continuar a ser uma cortina gigantesca com um enorme rasgão.


Cruzes! Que mamarracho!
Faz lembrar o novo hotel Estoril Sol que estão a construir lá para os lados de Cascais (apesar de tudo menos mau…)
http://1.bp.blogspot.com/_yD_ZI4o20Jk/R nUy_Pk13YI/AAAAAAAAAZ4/rrHd_vu6MWU/s400/E storil_Sol_02.jpg
Apesar de tudo… não é?
Sim, apesar de tudo, e não só por este ser espanhol… :-))
Boa! Hehe…
Tenho aprendido imenso com esta rúbrica. A maior parte das vezes, porém, “saio” do post quase angustiada, por via das images, das palavras e das histórias. Realmente faz-se cada “coisa”!
Valeu, menino Jota Cê do Dê Ó.
:)))
Que bom saber, Maria. Esqueça a angústia: há gostos para tudo…
Aliás, é por isso que o mundo não tomba…
:)))
Exactamente. Só é pena que certos edifícos não tombem…
Concerteza. Aliás (mais uma vez…) se alguns edifícios e algumas criaturas tombassem, possivelmente o mundo seria mais equilibrado… Digo eu.
:))
está giro.
Também acho que sim. Só é pena estar o edifício na frente…
Eh eh eh. Tiveste graça, como sempre.
Hehe…
João
Não percebo a dinâmica daquela abertura a meio.
Não provocará uma terrível corrente de ar em dias de ventania?
Voltaria a exigir que os arquitectos fossem experimentar por uns tempos viver na estrutura que conceberam. Tal como nas tais bolhas…
Não foi um arquitecto nosso que ficou debaixo da abóbada para ver se a estrutura aguentava? Pois então…
Longe vão os tempos do mestre Afonso Domingues.
Não se preocupe por não perceber a dinâmica do buraco. É precisamente o que o buraco não tem: dinâmica. O elemento dinâmico vem de fora: o vento.
Creio que o post peca por defeito. Conheço o edificio, conheço os arquitectos, nao conheço em concreto a ordenaçao urbanistica da zona em concreto, mas se é a zona que eu penso dentro de 10 a 20 anos estará repleta de torres de altura semelhante.
O trabalho de Winy Maas e companhia, na linha do que vêm desenvolvendo desde 1992 com o seu Berlin voids para o Europan, refelecte uma atitude de critica oportunista dos modelos actuais de cidade, quanto ao seu crecimento em altura e densificaçao, tentando retirar partido e criando “espaços de oportunidade”, funçao desempenhada por essa grande varanda urbana.
É uma atitude, do me ponto de vista em tudo louvável, retomando a estratégia critica do situacionismo e inspirada em algumas das teorias de Certeau, estes arquitectos nao se remetem ao puro papel de resistentes à modernidade e à especulaçao territorial, tentando subverter os “principios activos” do capitalismo de densificaçao urbana, construindo situaçoes, novas como velhas, da possibilidade de espaços que estes geram.
Por isso se quer criticar a altura dos edificios, critique os politicos que definem e aprovam a ordenaçao urbana, nao critique os arquitectos que conseguem trazer algum ponto de diferença e de qualidade, mesmo submetidos às pressoes de construtores e especuladores…
Quer ver como nos entendemos sem estarmos de acordo? Repare como é simples, Rafael.
1. Não sou um ‘expert’ na matéria, nem critico de arquitectos. O meu modesto ponto de vista é que permite uma crítica meramente pessoal, que tem aqui procurado ir ao encontro da crítica de quem convive com as obras que escolho. E a crítica que notar inclui todos os envolvidos, políticos incluídos (nem teria graça se eu os excluísse). Só não tenho atrevimentos em causas que me ultrapassem.
2. Gostos não se discutem: uns amam, outros abominam; foi e será sempre assim. Respeito o seu como o dos outros que fazem o favor de me dispensar atenção nesta série.
3. Admito que, como V. diz, o MVRDV tente «retirar partido» da coisa. No caso, retirou aquele pedaço ao prédio.
4. Não me lembro de o ver aparecer por aqui nos sete ‘posts’ anteriores, mas quero sublinhar de novo que não procuro provocar a polémica com esta série. Limito-me a trazer o que já é polémico. Porém, se eu a provocar, cá estaremos todos para trocar ideias sempre que for o caso.
Viu como foi simples? Vá aparecendo e continue a dizer o que acha. Gostei da oportuna referência «às pressoes de construtores e especuladores».
1. Desculpe lá a sensibilidade da minha parte, mas sendo a arquitectura a minha área profissional (e pessoal, pq nao?) encaro a sua critica (a da arquitectura) como algo que deve ser muito bem fundamentado, mesmo quando do ponto de vista do observador, utilizador ou comentador, mesmo sem ser expert. Se é verdade que muitos arquitectos têm caprichos, muitas vezes há caprichos com costas muito largas.
2. Concordo perfeitamente consigo. Mas em nenhum momento discuti o gosto. Discuti sim atitudes, estratégias de abordar um problema (se calhar estou a ser demasiado disciplinar) ou seja perante a construçao de uma torre habitacional como inevitabilidade o que é que é possivel fazer para dar algum sentido comum, publico ou semi-publico, espaço de qualidade ou referencia, espaço usado/ de uso ao anonimato construtivo…nao do ponto de vista da autoria, mas sim da operacionalidade do espaço.
3. O trocadilho foi engraçado…mas sabe que nao é esse o fundo da questao…
4. desculpe lá, mas acompanho o blog quando posso e nao me dei conta dos mesmos. Prometo vê-los e se achar oportuno comentá-los.
Por ultimo, a referencia à pressao de construtores e especuladores nao o digo como sendo eles os mauzoes ou algo que o valha, mas como estando a desempenhar o papel natural que a lei lhes confere.
Se eu tenho algo que pode valer potencialmente 5000 porque hei de ganhar 4000? Ou se neste espaço pode-se meter 400 habitaçoes sociais pq hei-de meter apenas 200? As decisoes politicas e economicas é que informam o arquitecto, nao ao contrário…
e sim, Joao, claro que nos entendemos. O meu comentário apenas pretendia contribuir para o esclarecimento, nao para a polémica…
Entendidos, pois. Como eu calculava, portanto. Aproveito para dizer-lhe que a sua perspectiva profissional (e pessoal), até por ser fundamentada com a qualidade do especialista, é muito bem-vinda. Seja para uma melhor leitura da polémica real, seja para contrapôr a diferentes entendimentos.
Como já disse, selecciono o que já era polémico, mas faço-o de modo eclético: trago um pouco disto e daquilo, com abragência e variedade. E é claro que estará aqui muito da simples observação pesoal que faço, mas não necessariamente peças que me causem grande distúrbio.
No fundo, como resulta do nome que dei à série, há arte nisto e, como tal, há uma grande dose de subjectividade. Mal-amados é o que são. Uns mais, outros menos, mas mal-amados por alguém que se encontre perto de cada obra. Portanto, sinta-se em casa para esclarecer e, mais ainda, polemize à sua vontade.
Um abraço.
Esta obra é curiosa e, contrariamente a algumas das que aqui nos tens trazido é, a meu ver, uma verdadeira obra de ‘artitectura’. Julgo que seria ainda bem mais interessante se tivesse o aspecto final dos coloridíssimos desenhos que acompanham as ilustrações. Então a escada de acesso ao terraço, está demais!… O buraco também é de toda a utilidade e as suas aplicações podem ser as mais variadas… basta apenas alguma imaginação. Cortina rasgada?, qual quê?! Isto é mas é um grande buraco, com um edifício ainda maior à volta…
«Um grande buraco, com um edifício ainda maior à volta»? Como és arquitecto e fazes o favor de ser meu amigo há muitos anos, fico esclarecido. Hehe…
Esta aprecio, ao contrário de quase todas as outras que já por cá passaram. Mas reconheço que é uma obra polémica. Aliás, nenhum outro edifício em Madrid gerou tanta polémica como este.
Ora bem. Justamente pela polémica enorme que gerou é que veio até aqui, compadre.
Claro. O que é preciso é polémica. E muito delito de opinião.
‘Artitectar’ já é um delito.
Muito curioso…
:))
Quem? Hehe…
Os arquitectos estão (ou sempre foram?) muito parecidos com economistas e ayatolahs: nunca têm dúvidas e raramente se enganam. Aliás, « só conheço campeões, não conheço ninguém que tenha levado porrada…», salvo erro.
Será?
João, este parece-me bem mais interessante.
:)))
Quiçá. Hehe…
Acho-lhe graça. E dá para aquelas exibições aeronáuticas que agora têm a mania de fazer. Já viste as acrobacias que aquele buraco permite?
Ah! Já sei! Aquele campeonato mundial de acrobacia aeronáutica que o Sócrates quer tirar do Porto para passar a ser em Lisboa.
Quer?? Para quê, se já cá existem tantas acrobacias? Nos bancos, nos tribunais, no parlamento… deixem lá as aéreas para o Porto, que nas terrestres somos nós peritos!
Fobias do 11 de Setembro