‘Artitectura’: os mal-amados (4)


jmmcc,

 

Ryugyong Hotel,

em Pyongyang

(Coreia do Norte)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Ryugyong Hotel foi projectado para 330 metros de altura e uma área de 360 mil metros quadrados em 105 andares, com três mil quartos, sete restaurantes rotativos, casinos, nightclubs, etc. À época, o governo empatou 750 milhões de dólares (dois por cento do PIB norte-coreano).

Começou a ser erguido em 1987 para estar concluído dois anos depois; seria o maior hotel e o sétimo maior edifício do mundo. Mas correu mal: em 1989, quando devia ficar pronto, estava muito atrasado, por consecutivos problemas com o método de construção e materiais utilizados. Três anos depois, em 1992, era o caos: problemas de financiamento, cortes de energia eléctrica e racionamento de toda a ordem. A construção parou e assim ficou até ao ano passado: durante 16 anos, o único movimento foi o do guindaste deixado lá no alto, ao sabor do vento.

Em 2008, um grupo egípcio decidiu ficar com a obra e já iniciou os trabalhos a partir dos andares de topo. Muitos materiais foram repensados e estão a ser substituídos; grande parte da estrutura já sofreu deterioração irremediável pela exposição às condições climatéricas durante tanto tempo. Os investidores esperam abrir a Ryugyong Tower em 2012 e o governo de Pyongyang faz as contas: para o edifício ficar seguro, deverá chegar aos dois mil milhões de dólares (dez por cento do PIB).

Nem mesmo um norte-coreano ingénuo e sem termos de comparação pode apreciar o historial interminável de um arranha-céus que lhe custa os ossos e a medula, pensado para desafiar a Coreia do Sul e agora desejado para celebrar em 2012 os cem anos do nascimento de Kim Il Sung (o antigo líder e pai do actual).

Além do mau gosto, é também o triste símbolo arquitectónico de uma ditadura comunista dinástica em que o poder tira da população miserável para erguer aos céus uma torre absurda no centro da sua decrépita capital.

20 comentários em “‘Artitectura’: os mal-amados (4)”

  1. Tens a certeza de que isto é mesmo um edifício? Não será antes uma versão agigantada daquela enorme ‘árvore de Natal’ que um banco (muito bom, por sinal), andou a passear por aqui em diversos locais deste jardim à beira mar plantado? Banco?, Jardim?,… isto faz-me lembrar qualquer coisa… Ainda dizem que não há coincidências!…

  2. João
    Aqui não há palavras…
    E tem a ver claramente com o que o João diz aqui: “mau gosto… triste símbolo arquitectónico de uma ditadura comunista dinástica em que o poder tira da população miserável para erguer aos céus uma torre absurda…”

  3. Excelente e deprimente. Não é incrível que todos os regimes autoritários gostem de obras monumentais? O caso mais emblemático é talvez o da Roménia mas acontece um pouco por todo o lado.

    Se bem que, para ser sincero, não seja apenas nos regimes autoritários que isto sucede. Também há uns quantos exemplos em países democráticos onde o Estado se intromete demasiado na economia. Poder-se-ia até dizer que, por cá, coisas como os estádios de futebol e a profusão de auto-estradas têm uma lógica similar. E, já agora, posso sugerir uma série de posts sobre rotundas ridículas?

    1. É exactamente como diz.
      Rotundas? Boa ideia. Não sei se a minha localização actual me facilita a recolha, mas fica em agenda ou para quem quiser e puder pegar na ideia. Hehe…

  4. Nunca fui a Pyongyang (nem tenciono ir). O edifício mais horroroso que vi até hoje é o tristemente célebre ‘bolo de noiva’, plantado no centro de Varsóvia, como «prenda» de Estaline aos polacos. Uma coisa medonha, inqualificável. Implodir aquilo seria um acto ecológico.

  5. E que tal a futura “capelinha” que parece ir ser construída ali para as bandas do Restelo ?? Pelo que já se viu da maquete da dita, este hotel coreano é um monumento ao bom-gosto …

  6. Como me atrasei na leitura dos post e agora comecei a eito, a partir do mais recente…. já disse parte do que este monstro me inspira. Isto, a história disto, enfim… é tudo um enorme vómito…

    :))

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