Beethoven, Brian Wilson e Chet Baker
Ainda há uns quantos caixotes por abrir. Trato disso. E saltam-me logo à vista mais uns livros. Títulos tão diversos como a eterna Ilha do Tesouro, de Stevenson, O Livro da Selva, de Kipling, e um grande ensaio intitulado Macau — O Pequeníssimo Dragão, de Boaventura de Sousa Santos e Conceição Gomes (livro onde sou citado e que já havia procurado em vão) e o clássico Animal Farm, de Orwell, numa edição com o requinte a que me habituou a Folio Society.
Fui sócio da Folio durante uns anos: alguns dos melhores livros que tenho cá em casa chegaram-me por esta via, na sequência das encomendas que ia fazendo para Londres (era obrigatório, nessa época, um número mínimo de aquisições por ano). As edições são de qualidade muito superior às que geralmente encontramos no mercado, embora a preços correspondentes a esse acréscimo de qualidade.
Deixei de ser sócio por motivos de “ajustamento orçamental”, como agora se diz, mas alguns dos meus livros de que continuo a gostar mais têm esta marca: The Quiet American, Dubliners, Rebecca, To Kill a Mockingbird, The Mutiny of H. M. S. Bounty, por exemplo. E dois volumes sobre mitologia grega. E cinco sobre a história da Idade Média. E uma excelente biografia de Beethoven.
A súbita aparição destes livros obriga-me a inventar novos espaços. Enquanto escuto Medicin Man, de Bobby McFerrin, com temas de cinco estrelas, como este.
Não me resta alternativa, portanto, senão expandir o “estacionamento em segunda fila” a que já tinha aludido antes. E que pode ser ilustrado com o exemplo da fotografia aqui em baixo:
Ouço agora um CD a que regresso sempre com imenso prazer: Brian Wilson, o disco com nome próprio que assinalou a estreia a solo do genial criador de Pet Sounds. Comprei-o logo no ano do lançamento, em 1988, e tem-me acompanhado mundo fora desde então. Com temas inesquecíveis, como Love and Mercy.
Serve-me de inspiração para a nova etapa desta empreitada a que meti ombros. Uma empreitada interactiva, devo dizer. Por sugestão de uma colega de blogue e de uma leitora, juntei A Louca da Casa, de Rosa Montero, à secção dos livros que falam de livros. Faz todo o sentido: esta obra inclassificável (ensaio? romance?) da excelente escritora espanhola é um dos melhores exemplos que conheço deste subgénero.
“O essencial é que todos esses romancistas, que julgaram em algum momento perder o paraíso, escrevem — escrevemos — para tentar recuperá-lo, para restituir aquilo que desapareceu, para lutar contra a decadência e o fim inexorável das coisas”, sustenta Rosa Montero nestas páginas destinadas a apaixonar todos os amantes da literatura.
Uma síntese perfeita. Que merece banda sonora a condizer.
Aqui a deixo. Para escutar vezes sem conta — noite fora, vida fora.
Se existe magia na música é precisamente aqui.
Até amanhã.




Pois quando nos julgamos muito inovadores, acabamos por descobrir que outros adotam as mesmas soluções… cá por casa não tem sido a descoberta de livros, mas sim as novas aquisições que me obrigaram ao estacionamento para as novas obras em segunda fila.
Pois, Carlos: para grandes “males”, grandes remédios.
O Pedro, tal como a Rosa Montero, ama os livros, por isso é tão bom ler o que ambos escrevem.
Estes textos têm sido como maná no deserto.
Gostei muito de ver a Du Maurier e a Mansfield nas belas edições da Folio Society, que eu não conheço… mas tenho pena.
Já encomendei o ‘El amor de mi vida’ à Fnac, mas vai demorar.
Entretanto, li a introdução na net, e a Ana Vidal está certíssima, é mesmo para sublinhar tuuudo!
Eu também faço parte da ‘gran hermandad mundial de amantes de los libros’, só me falta mesmo é saber escrever.
🙂 Antonieta
São edições excelentes que só não recomendo pelo preço. Mas quem goste de livros e tenha condições financeiras para tanto, a Folio é um reduto de excelência.
Os contos completos de Katherine Mansfield: eis outra das minhas obras preferidas. Hei-de trazer aqui uma dessas pequenas/grandes histórias da excelente escritora neozelandesa, integrada na série Grandes Contos.
Também vou encomendar ‘El Amor de Mí Vida’, Antonieta.