“As we mark Holocaust Remembrance Day on Sunday, we should honor this man who engaged in what one historian called “perhaps the largest rescue action by a single individual during the Holocaust.”, Richard Hurowitz, New York Times, 27 de Janeiro
Pese embora o esforço que alguém fez para obscurecer a sua indelével marca, é reconfortante saber que passados todos estes anos um dos mais conceituados e lidos jornais do mundo honra a sua memória, mantendo-a viva para os seus leitores.
Um exemplo que nunca será demais recordar, em especial porque ele não o fez a troco de dinheiro, de títulos ou da glória, ao contrário de algumas sumidades locais que gostam de mostrar a sua beneficência.

Aristides Sousa Mendes é um dos meus heróis, uma pessoa de excepção. É muito fácil pensar que qualquer o faria. Porque não, que o medo do risco é terrível. E não existe muita gente que arrisque o seu bem estar em benefício de terceiros a quem nada de especial os liga, além de também serem homens e sofrerem de injustiça. O altruísmo só é fácil se exige pouco e não compromete.
Exatamente. Embora não se saiba exatamente quantos judeus ele salvou (quantos vistos passou), estima-se que tenha sido, de longe, o maior salvador que houve.
A comunicação social cá do sitio apenas se ergue para rastejar aos pés dos nossos esforçados obscurantistas.
Poder-se-á dizer que ASM terá tido os genes do verdadeiro português?
Sem dúvida, ASM é o modelo genético perfeito do Verdadeiro Português.
Todos os restantes portugueses são (muito) más e (muito) imperfeitas aproximações ao Verdadeiro Português que ASM foi. Têm montes de genes falsos, deteriorados, ou importados. Umas porcarias, em suma.
Há 25 anos perguntei aos que comigo tinham ido ao cinema “porque será que escolheram fazer um filme do Schindler e não do Aristides?”. Obtive parte, talvez toda, a resposta nas suas caras de espanto “quem?”
Não percebo o nosso silêncio…. mas ainda bem que há quem fale.
Bem, a história do Schindler presta-se muito mais a um guião cinematográfico, porque tem suspense, possibilidades de descoberta da fraude, e porque o próprio Schindler era uma personalidade dupla – por um lado tinha bom coração, pelo outro só estava a querer ganhar dinheiro à custa dos judeus.
A história de Aristides é muito mais linear, simples. Não dá bem para um filme.
Exacto, Lavoura, porque Aristides fez tudo às claras com o apoio do regime, atravessar a Espanha franquista foi mais monótono do que ir de Lisboa à Caraparica em Agosto, e a mulher de Aristides, de preto com carrapito e enorme buço, não seria nada telegénica.
Foi tão bom que ultrapassou o irmão gémeo, em fama.
Quem sabe que ele só foi cônsul e que César de Sousa Mendes foi embaixador e ministro dos negócios estranfeiros (antes da ditadura militar)? Quem sabe que César passou o tempo a tapar os buracos (dinheiros e aldrabices) onde o mano se enterrava? Quem sabe que o herói foi suspenso pelo estado novo ficando a auferir o ordenado por inteiro?
Quem já procurou por “César de Sousa Mendes” na internet para só tropeçar no célebre mano e em judeus?
Vão-se catar…
Espero que a Fundação em seu nome bem como os familiares envolvidos na perpetuação da memória deste Homem consigam os apoios internacionais e nacionais necessários a este propósito.
Em Cabanas de Viriato está em curso a obra do Museu Aristides de Sousa Mendes, a reconstrução de sua casa, e quiçá a comunidade judaica da diáspora e o governo de Portugal possam apoiar esta obra com documentos, e outros apoios, para que se transforme este Museu num marco mundial da resistência iniciada por um português contra a Shoah e o holocausto nazi. Foram cerca de 30.000 os judeus apoiados por Aristides de Sousa Mendes.