Após um momento #metoo (7)


joaomsandre,

«Ela só quer publicidade!»

24 comentários em “Após um momento #metoo (7)”

  1. É mais que óbvio que ela só quer publicidade. Dinheiro nunca lhe passou pela cabeça. Nem ela aceitaria mesmo que oferecido.

  2. Vi ontem na RTP uma entrevista com uma especialista sobre abusos sexuais (e não só).
    Compreensivelmente, as respostas, mesmo a perguntas simples, foram consideradas complexas e, diga-se de passagem, abordadas em conformidade – também com um discurso complexo, cerrado, mas abrilhantado com muita ênfase e convicção.
    No entanto, a definição de abuso, no essencial, resultou claríssima:
    – O abuso acontece a partir do preciso momento em que alguém diz um não explícito.
    Fiquei à espera de que o entrevistador pusesse a questão:
    – Se, por exemplo, a meio da ejaculação surgir um explícito não, quem será o abusado, o ejaculado ou o ejaculador?
    Mas não.
    Fiquei a saber que, além de claríssima, aquela definição também era indiscutida, indiscutível, definitiva.
    João de Brito

    1. um não explícito

      O que é isso?

      Quando uma pessoa faz uma proposta (de qualquer natureza) a outra e a outra diz “não”, é normal a primeira pessoa tentar convencer a segunda, através de diversos argumentos, a aceitar a proposta. A segunda pessoa pode, eventualmente, mudar de opinião e passar a dizer “sim”. Mas, se continuar a dizer “não”, é normal que o proponente insista ainda mais um bocado. É possível que, às tantas, a pessoa que recebe a proposta mude de opinião e acabe por dizer “sim”.

      Portanto, um “não”, por mais explícito que seja, não sgnifica nunca que mais tarde não possa vir um “sim”. Quando se recebe um “não” é normal não se desistir, mas sim insistir.

      Um não explícito não é razão para não se continuar a tentar. E isso não é necessariamente um abuso.

        1. Há abuso sim, se houver recurso à violência.

          Há também abuso se a pessoa que recebe a proposta, não somente disser “não”, mas também acrescentar “não quero discutir mais o assunto, não te quero ouvir mais, não me incomodes mais, vai-te embora”, acrescentando eventualmente uns berros ou uns murros na mesa.

          Agora, se a pessoa que recebe a proposta continuar apenas a dizer “não” mansamente, enquanto deixa correr o marfim, então há razões para suspeitar que esse “não” não seja sério.

          1. Falta contudo dizer que durante o acto sexual, na dialética de Eros, o “Não” pode estar associado ao jogo sexual…..a recusa seria ditada, na maioria das vezes, pelo Super Ego, normativo e castrador, e não pela vontade do Ego conciliador, verdadeira matriz do Eu individual e pontífice entre o Id e o Super Ego.

            Associado ao acto sexual existe toda uma terminologia animalesca, que se obedecida, e portanto vencido o Super Ego normativo, promete aos intervenientes uma saída do Eu consciente, através da fusão aos Elos Universais da Despersonalização. Aliás como bem sabem todos os praticantes de religiões orientais a ejaculação é metaforicamente uma saída deste mundo, daí a etimologia da palavra Orgasmo

          2. O pior é que há coisas que podem não parecer sérias, podem até, passados poucos minutos, serem confirmadas como sendo nada sérias, mas que recuperam a sua seriedade umas horas ou dias depois das suas anteriores
            e pouco sérias metamorfoses semânticas sofridas entre as paredes de um quarto.
            Dantes, quando eu era moço, chamava-se a isso “ter a faca e o queijo na mão”; hoje, a coisa deve andar mais pela expansão “ter a faca e o queijo na mão, comer o queijo todo, enfiar com o queijeiro nos calabouços e ficar-lhe com o resto dos queijos e com a queijaria.”
            Estamos perante uma guerra civilizacional: contra a cultura da violação, a vigorosa e virulenta reacção das lambonas que se perdem por um bom queijo. E que se dê por contente o inteligente Ronaldo por ser da Madeira e não ter nascido ali no sopé da Serra da Estrela…

  3. Caro anónimo das 12:49 (João de Brito)
    Também ouvi a entrevista da sexóloga de ontem. Na minha opinião só disse asneiras (e fiquei a pensar no que é que uma pessoa faz para se doutorar?? Será à Relvas?). No exemplo que apresenta, e na minha modesta opinião, o abusado é o ejaculador.
    Luís Lavoura: concordo consigo, um não explícito (assinado com assinatura reconhecida?) não é motivo para desistir. Se todos desistissem ao primeiro não … lá se ia a natalidade por água abaixo e, consequentemente, as reformas. Só os incapazes desistem à primeira dificuldade, não são bons empreendedores. Há que persistir.

    1. Pelo andar da carruagem, não tarda nada que os homens heterossexuais ocidentais vão “persistir”, em massa e a grande velocidade, para outras latitudes onde tenham a mínima certeza de na lotaria do “não” e do “sim” lhes não sair regularmente o enxovalho de um processo em tribunal e a possibilidade de uma pena de prisão perpétua.
      Quanto ao sexo, todo o ser pensante sabe que ele nos foi doado com o objectivo de nos dar imeeeeeeeennnso prazer…E sempre assim foi, claro: há poucas décadas, quando os métodos contraceptivos eram de uma eficácia espantosa, nem quero imaginar o prazer sexual que as mulheres teriam ao saberem que uma gravidez as poria em risco sério de morte em pleno parto.
      A resposta só poderá ser uma: devem essas senhoras ter, em devido tempo, pesado os prós e os contras do praticar o acto e chegado à conclusão de que ele há orgasmos que valem (literalmente) pela vida.

  4. Interessantes estes momentos #metoo. Cada título é uma desculpa típica de quem quer justificar o injustificável. Aprecio a ironia. São mais momentos #shestoblameforit. E o pessoal até cai. São muito interessantes os comentários.
    Interessante também que as #metuas cá do sítio estejam tão caladas. Já estou a estranhar a Isabel Moreira. Nenhuma se coibiu de opinar sobre Harvey Weinstein, Woody Allen, James Franco, Aziz Ansari, Louis CK, Kevin Spacey, etc. Depois foi a Asia Argento e Ooops! Agora o Ronaldo, e Oooooooops?

      1. O João André deve estar a fazer um projecto sociológico. Bota o isco e vê quem morde. Ele nunca referiu especificamente um caso. Os comentários – resposta são interessantes. Até a moderação foi suspensa. Não notou?

        1. É a arte da pesca… E a arte da pesca, tal como outras actividades outrora consideradas “tipicamente” masculinas, é hoje campo onde não poucas mulheres dão cartas: engodam com mestria e sabiamente dispõem o isco à espera que algum anafado salmonete o engula. Ao isco, ao anzol, à chumbada, à linha e ao mais que houver a engolir.

        2. se for o caso, então o João André está a recolher, eventualmente, ainda mais dados dos que inicialmente esperaria.

    1. As #metuas (excelente) cá do sítio estão mais agarradas ao assento parlamentar do que ao arriscado hábito de meter a cabecinha no cepo seja por que mulher for.
      Quando a coisa se passa lá longe e com gente que cá não nasceu, as #metuas são todas indignação e irmandade de antes quebrar que torcer com as alegadas vítimas. Quando a coisa embrulha um jogador nacional endeusado (para o bem ou mal) pela generalidade da tuga grei, há que rapar da calculadora, somar os benefícios e subtrair-lhes os custos, não vá uma opinião mal calculada custar-lhes aquilo com que ganham o pãozinho delas de cada dia. No caso de as capacidades matemáticas das ditas cujas não serem as melhores, já elas compreenderam que o silêncio, sendo (chatice, pá!) substantivo masculino, é, no entanto, feito da matéria de que nenhum homem (a não ser para a senhora Mayorga o Cristiano Ronaldo) é feito – o ouro.

  5. A mim estas histórias de violação entre um só homem sobre uma mulher (estou a excluir explicitamente o gang rape ou a violação por soldados em contexto de guerra) deixam-me bastante cético, porque não percebo muito bem como é possível um homem sozinho violar uma mulher se esta estiver verdadeiramente e ferreamente determinada a resistir, especialmente se houver outras pessoas por perto (como ao que consta foi o caso de Ronaldo no seu quarto de hotel).
    É que um homem não fica com o pénis imediatamente rígido e pronto para a penetração sem a prática de alguns preliminares, os quais necesitam de alguma colaboração (passividade, pelo menos) da mulher. Também, o homem está vulnerável, não só fisicamente mas também na sua ereção, se a mulher intentar alguma resistência – seja dando-lhe um golpe nos testículos, seja berrando bem alto, seja mordendo-o ou cravando-lhe as unhas, etc.
    Não estou de forma nenhuma a dizer que uma violação seja impossível, mas não me parece que possa ser um empreendimento trivial a não ser que a mulher resista com muito pouca convicção e que não possa potencialmente contar com ajuda.
    A história da Kathryn, que muda de roupa numa casa de banho com a porta por trancar sabendo que há homens por perto, e que depois se deixa cobrir sem pedir socorro à amiga e ao outro homem que estavam a dez metros de distância, cheira mal que tresanda.

  6. Ela, a vítima, quer o que os outros acham que quer e faz o que os outros acham que deve fazer, caso contrário não pode ser vítima.

    No meio de tanta gente a saber tanto, quiçá consultores desse best seller que é o “regras para uma violação conforme”, acho curioso nenhum sapiente juiz da praça ter falado do Estatuto da Vítima.

  7. A publicidade é um meio para um fim, pelo que, a avaliar pela linda e comovente peça “jornalística” do Der Spiegel, o que a senhora Mayorga sempre quis foi outra coisa. Da primeira vez, conseguiu-o sem publicidade (aliás, a falta de publicidade foi a forma mais célere que arranjou para consegui-lo), nesta segunda vez, e dada a mudança da conjuntura que a junção do Me e do Too operou, nada será mais efectivo do que a publicidade que tenta lançar a dita senhora como a mais novel heroína da massas ululantes que exigem a castração de todo e qualquer homem heterossexual, pois ele é, como todos sabemos, um violador em potência.
    Quem é que, feitas as contas, com tudo isto é verdadeira e definitivamente achincalhado? Curiosamente (e tragicamente, digo eu) são todas aquelas mulheres que são espancadas, massacradas, torturadas e violadas por energúmenos que não merecem o ar que respiram. Essas e todas aquelas que, com uma dignidade e coragem incríveis, durante décadas e décadas lutaram pelos Direitos da Mulher.

  8. Quanto à discussão que por aí anda, suponhamos isto: um casal heterossexual que mantém uma relação estável vai para o quarto e faz amor. A meio da coisa, a senhora diz NÃO. Aposto singelo contra dobrado que qualquer homem decente (é desses de quem eu falo, não de bestas quadradas), parará, retirar-se-á e ficará a dar voltas ao miolo a tentar descortinar que raio de mal terá feito (tê-la-á inadvertidamente magoado? terá sido a sua prestação de tal forma incompetente que a companheira se fartou? terá ela deixado de gostar dele?…). Se a coisa for ao contrário, uma pergunta e só uma pergunta – e isto na maioria dos casos, ressalve-se – imediatamente surgirá na mente da senhora: “Com quem anda este camelo a pôr-me os palitos?”
    Estarei a ver a coisa mal? É sempre uma possibilidade…

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