Ao Supremo Comité da Delação


Rui Rocha,

Camarada Grande Delator,

Envio infra provas irrefutáveis do desvio reaccionário da camarada Rita Ferro Rodrigues da linha igualitária que ambos sabemos ser justa e que ela própria, numa manobra crapulosa de diversão, quis dar ideia de defender em alguns escritos que publicou recentemente. Mas palavras são palavras e a essas leva-as o mesmo vento que também traz as lâminas afiadas da contra-revolução. E actos são actos: a camarada Rita Ferro Rodrigues veste o filho de calções de banho azuis e a filha de bikini cor-de-rosa. O que terá levado a camarada a considerar que peças de vestuário com determinada cor seriam apropriadas para o rapaz e de outra cor à rapariga, levando-a a fazer estas opções? Por que não terá optado por cores neutras? Basta pensarmos um bocadinho e encontrarmos a resposta: estereótipos. Roupa rosa para meninas. Azul para rapazes que o rosa é “paneleirice”. A camarada dá assim continuidade a uma linha retrógrada de estereótipos de género que em nada beneficia a luta pela igualdade. Pela igualdade, Camarada Grande Delator! É preciso estar atento aos avanços da sociedade, às conquistas que têm vindo a ser feitas nos últimos anos em matéria de igualdade de género e que tanto custaram a alcançar. Negar o óbvio é andar para trás. As nossas raparigas não precisam de ser guiadas através de um labirinto rosa. Elas sabem qual é o caminho e vão trilhá-lo, por mais ondulante e sinuoso que seja. A camarada Rita Ferro Rodrigues sabe-o também mas tal não impediu que adoptasse relativamente aos filhos um comportamento condenável e reaccionário. Não serei eu a sugerir quais as medidas que devem ser adoptadas porque essa é uma missão que cabe ao Supremo Comité da Delação e, especialmentem a ti, Camarada Grande Delator. Mas parece-me que a coisa já não vai lá com processos de auto-crítica como aquele que para mim mesmo decidiste quando, num momento de fraqueza, fui apanhado numa piscina capitalista montado num unicórnio de plástico.

Saudações igualitárias,

Vitor

Camarada.png

 

12 comentários em “Ao Supremo Comité da Delação”

  1. Cada um deve escolher a cor que mais lhe convier. E não a cor que nos querem atribuir. E aí a Porto Editora falhou. Contudo honra lhe seja feita ao sucesso do lobying que nestas últimas décadas tem feito no Ministério de Instrução Nacional. Com as suas revisões e alterações encapotadas aos manuais que influenciam os meninos e meninas a pedirem aos papas os “novos e mais giros”cadernos de estudo.

  2. Sou da velha guarda.
    Formado e iniciado na longa carreira profissional de toda a vida, ainda no antigo regime.
    Fui professor no ativo 40 anos redondos.
    Agora sou professor (faço questão) aposentado.
    E, se o texto postado tem algo de sério a ver com os já famosos manuais cor de rosa e azuis da Porto Editora, devo dizer, sem qualquer tipo de dúvida, que eles são um medonho tiro no robusto pé da editora.
    João de Brito

    1. Se os livros fossem “manuais escolares” eu entendia, visto que “parece” os exercícios são de dificuldade diferenciadas! Mas assim não entendo, nem a editora, nem o governo, nem as feministas! Parecem parvos, mas eu sei que não são! Por isso não os entendo! Não conseguem arranjar motivos mais sérios para serem “noticia”!?

  3. O que mais assusta, em modo trágico-cómico, é ver que temos adjuntos ministério e ministro que, diligentes, se prestam pronta e acriticamente a emitir “recomendações” a partir de tais “denúncias”.
    Atribuir-lhes uma abordagem ideologica de “equidade de género” (e discutir tais pressupostos, mesmo com inteligente ironia) é ser generoso com dissipação de energias -o tal adjunto geringonço é , fruto d’alma de eterno amanuense, assim a dar para o “poucochinho”, bem mais destro a introduzir como prática institucional o sacar de microfones a interlocutores de quem não gosta…

    Vamos esperar que seja apenas uma daquelas “panaches” tontas do tontito com vagar (alguém já percebeu o que substantiva o adjunto ministério? Eu não – e olhe que procurando equivalencias, pesquisei históricamente até aquele periodo de uns ministros sem pasta e, “en passant” tentando quantificar – com microscópio de ampla ampliação – prática e legado ministerial de, por exemplo, um Ministro Lacão…) depois de ter sido atazanado pela filha de um camarada de partido que já recorrentemente deu mostras para as patologias de “downbursts”, quis mostrar “acção politica” …

  4. Está muito bem esgalhadinho, sim sr!! Apreciei, especialmente, o “Mas palavras são palavras e a essas leva-as o mesmo vento que também traz as lâminas afiadas da contra-revolução.”-Delicioso!!
    Um bem haja,

  5. Pela minha experiencia o humor é uma ofensa quando os camaradas tratam de assuntos da reação. Não os irrite que há muitos galambas mesmo fora dos camaradas da Soeiro P. Gomes, mais afectos.

  6. Parole, parole, parole
    Je t’en prie
    Parole, parole, parole

    Je te jure
    Parole, parole, parole, parole, parole
    Encore des paroles que tu semes au vent

    Encore des mots toujours des mots
    Des mots magiques des mots tactiques
    Qui sonnent faux

    “Paroles, Paroles” que vão entretendo parolos, enquanto os camaradas vão sugando o que resta do país para, em vez de fatos de banho, comprarem seus próprios escafandros.
    Um país com uma Dívida em relação ao PIB de 124% e já conseguiram em tão pouco tempo 138,63% e, quanto à economia melhorar, só se for para aqueles cuja função é levar-nos ao fundo e, definitivamente, acabar com o resto porque, de País, não vai restar nada e, não há incompetências, apenas finalizar um trabalho para os patrões externos que, assim, podem implementar e legislar tudo o que quiserem e lhes apetecer.

    Que tu es belle
    Parole, parole, parole
    Que tu est belle
    Parole, parole, parole

    Apenas e só, com meras palavras…
    killing us softly with their song

    1. A questão é muito mais subtil
      do que se se pensa. Podem dar as voltas que quiserem, mas uma coisa é certa. “Os homens não são iguais às mulheres” e as meninas e os meninos do BE que me desculpem, mas é mesmo assim.
      Cá em casa somos três homens e uma mulher, e todo o santo dia (sei do que falo) me deparo com essa realidade.

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