Ninguém sabia onde repousava a carcaça do imortal escritor. O cenotáfio do panteão, em mármore rosa e letras douradas, continha um maço de poemas de amor legado pela viúva inconsolável à pátria que não o merecia. Sussurava-se que duas tíbias esquerdas, certificadas, originaram uma década de contendas judiciais entre a curadora de um museu municipal e o presidente da fundação registada em seu nome. “Bandido”, “falsária”, “sabujo” eram alguns dos termos que ornamentavam os autos.
Um grupo de estudiosos proclamava que o vulto não fora tocado pelos vermes, e que o seu corpo jazia intacto no anexo de uma sede partidária. Outros invocavam os periódicos coevos, truncados, debotados, para proporem que, não se encontrando os ossos, era imperioso que lhe buscassem as cinzas. Este assunto gerou um longo debate sobre os ritos funéreos do século XXI.

Cáustico como sempre, Luís. Gostei.
🙂
Apreciei a originalidade corrosiva de que o comentário lança mão. 🙂
Os meus parabéns o seu post é o certificado de um perfeito V.M.I ..
Ou seja vaidoso, mesquinho e invejoso. Infelizmente um cancro que domina Portugal.
Só que assino com o meu nome. Ao contrário de tantos idiotas que gostam de gente “frontal e polémica” mas tentam insultar-nos no anonimato. Deve ser outro fenómeno português, esse das ratazanas.
O Jojo é nosso ‘habitué’ há muito, Luís. Não sei se será possível fazer outra leitura do comentário, mas tu hás-de saber melhor do que eu.
jojoratazana por viver no meio de tantos ratos.
V. importa-se de precisar melhor o seu comentário anterior?
João, um tipo que me chama “vaidoso, mesquinho e invejoso” por causa desta historieta não merece grandes esclarecimentos.
Não deve haver outra interpretação, Luís. Ele nem voltou para se explicar melhor.
A esta hora já ele nem sabe. Dado o apelido, deve comer demasiado queijo.
Melhor fora que se olha-se ao espelho Sr. Pedro Correia.
A palavra é “olhasse”. E V. deve ter roubado esse pseudónimo (?) a um personagem pacífico que costumava aparecer por aqui de vez em quando.
Pode seguir pelo caminho de onde veio.
Não aprecia queijo, Sr. Ratazana?
A novela das cinzas foi a coisa mais deliciosa que ocorreu nestes dias. Nunca liguei pevide ao Saramago, que era um chato de galochas, mas ver as sumidades locais a esgadanharem-se pelos seus restos, com o Louçã de dedinho em riste e o Cavaco a assobiar para o lado, é pura poesia.