Ao nível do estábulo


Sérgio de Almeida Correia,

A raiva é uma doença grave que ocorre, em regra, em cães e gatos, embora seja transmissível aos humanos. Manifesta-se, ao que aprendi, embora seja naturalmente um leigo em matéria de medicina, seja veterinária ou para humanos, por acessos furiosos e ataques de cólera, a que se seguem momentos de paralisia. Também pode ser o nome de uma doença das gengivas que se manifesta nas crianças.

Não sei se o deputado Duarte Marques sabe o que é a raiva para, referindo-se ao primeiro-ministro e a José Pacheco Pereira, dizer que “António Costa é menos raivoso contra o PSD do que Pacheco Pereira“.

Confesso que nem queria acreditar no que li.

Duarte Marques, sendo deputado da nação, não passa de um fedelho. De nada lhe serviu ser aos 21 anos, de acordo com o seu brilhante currículo, assessor de Morais Sarmento, visto que não conseguiu aprender a escrever decentemente e a ter boas maneiras com o então ministro, como também de nada lhe serviu que Marco António Costa, vice-presidente do seu partido, se tivesse queixado do uso de linguagem imprópria e excessiva por parte do PS, acusando este partido de ter uma linguagem própria de partidos extremistas. Que dirá agora Marco António Costa da linguagem do seu colega de bancada ao referir-se ao primeiro-ministro e a Pacheco Pereira? Será linguagem própria de quem? De um rufia? De um estábulo? Do “putedo”, como diria Arnaldo Matos?

Eu, que já por várias vezes me manifestei contra o tipo de linguagem usada em São Bento por alguns senhores deputados, de todas as bancadas, sublinhe-se, não gostei de ler as declarações de Duarte Marques. Bem sei que alguns dos senhores deputados, apesar de não serem asininos se comportam algumas vezes como se usassem arreios, em sentido figurado, evidentemente, mas nunca pensei que um deputado se referisse ao primeiro-ministro e a Pacheco Pereira nos termos em que o fez, como de se animais raivosos se tratassem, e ele próprio não fosse um deputado e conselheiro nacional (!) do PSD.

Nenhum dos visados me passou procuração. Nem é isso que está aqui em causa. Mas o baixo nível de que o deputado Duarte Marques volta a dar mostras, aliado à projecção que tem, pelos vistos, no seu partido com a consequente amplificação que lhe é dada pela comunicação social, não podia passar em branco.

Pela linguagem que usa, Duarte Marques revela não ter categoria nem para servir como mainato do primeiro-ministro ou de Pacheco Pereira, esquecendo-se de que são os impostos dos portugueses, incluindo os dos visados, que lhe pagam o salário para que possa dizer os dislates que diz nos termos em que o faz.

O Dr. Passos Coelho, que em matéria de educação é pessoa correcta e que não usa linguagem desbragada, devia dar uma reprimenda ao sujeito e obrigar o senhor deputado a pedir desculpas públicas aos portugueses pela linguagem que usa. E, se possível, aproveitar para lhe enfiar uma rolha e dar-lhe qualquer coisa para fazer. De preferência uma ocupação que não o obrigue a escrever e a falar em público.

10 comentários em “Ao nível do estábulo”

  1. Da infopedia, outros dois signigicados de “raiva” que talvez se apliquem melhor ao que o deputado queria dizer.

    3. reação violenta contra aquilo que fere, aborrece ou irrita alguém; agressividade
    4. grande aversão; ódio; horror

    Se ele tivesse dito que o António Costa manifesta menos ódio contra o PSD do que o Pacheco Pereira já todos concordariam.

  2. Pacheco com tanto sonhar com Cunhal, ano após ano, já não é mais Pacheco nem é nada.

    Também outro escritor, teve o mesmo problema com Salazar, Fernando Acosta, que já vai em mais de trinta edições com as Máscaras do Homem.

    Como obcecados que ficam, as pessoas tornam-se inócuas.

  3. Já quando o Pacheco Pereira usa e abuda do o epiteto “raiva” para acusar os outros já está bem?

    Raiva contra o povo, raiva contra o manifesto dos 70, raiva contra etc…
    É só consultar os seus textos.

  4. E aquele menino educadinho e mui respeitador do PS:

    O Presidente da Republica portou-se como um “Gangster”??

    Escreveu Vexa algo sobre o dito?

    A um Esquerdelho tudo é perdoado!

  5. Duarte Marques ‘polémico’ com PP – e é tacticismo, canhestro e alarve certamente, mas nada de substantivo em termos ideológicos, tão pouco meritório da valorização hiperbólica que justifique tâo aturada e prolongada prosa – mostra que talvez o PSD esteja a circunscrever o “jotita” a “acção politica” de ‘junta de freguesia’ partidária’ – eu não conseguiria pensar em melhor ubicação para pivetes.
    Na equivalência ou “Benchmarking” entre PP e o ex-alcaide, agora chefe da Geringonça, eu vejo simplesmente que a percepção popular [de iletrados da Carne Assada ou jotitas que também são gente] ainda enquadra ,”entre ambos os dois” (como dizia um “presidente” da bola) naquela dimensão de entertainers de tv tipo… “A Quadratura do Círculo” – ou seja, sem os tomar demasiado a sério, com aquela prudência de “common sense” paralítico ( o ‘numb effect’ associado ao passivo consumo televisivo) de não transpor para o Pathos Luso as cientificidades das dissertaçôes de membros de painel (como ainda a semana passada lembrado, no Parlamento, pelo Dr. Centeno do Modelo Excel)transidos em paulatina auto-referenciação e “show-off”- isto com ‘handicap’ pois falta a argúcia inteligente de Lobo Xavier para lembrar que o mundo existe fora do Estudio e já existia antes de todos eles nascerem….

    1. Disse. Está “em todo o lado” na internet.
      Estamos feitos… A 2a figura: um figurão.
      Foi por Sexa estar bem enterrado no Casa Pia que o Sampaio nomeou outro, em vez de convocar eleições, onde o ps estava carbonizado.

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