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«As minhas personagens de ficção favoritas são o Tintim, o Indiana Jones e o Inspector Clouseau»
De resposta rápida, riso fácil e atendimento afável, António Sala não se fez rogado ao ser confrontado com este questionário ao telefone. A sua experiência de muitos anos aos microfones do programa Despertar, na Rádio Renascença, frente às câmaras da RTP e em palcos musicais, onde actuou como cantor, dá sempre jeito.
Tem medo de quê?
Tenho medo de tremores de terra e de perder as pessoas que amo.
Gostaria de viver num hotel?
Não. A casa é muito pessoal e insubstituível. Os hotéis, salvo raríssimas excepções, são sempre impessoais. Goto muito de passar férias num bom hotel, mas só isso. Home sweet home.
A sua bebida preferida?
Água. Mas numa boa refeição não dispenso um tinto alentejano ou um tinto francês.
Tem alguma pedra no sapato?
Há alturas em que acho que não tenho pedras no sapato. E há outras em que acho que já nem tenho sapato: só tenho pedras.
O que faz nessas ocasiões?
Descalço-me.
A propósito: que número calça?
43.
Que livro anda a ler?
Ando a ler os Contos Completos de Truman Capote. É um livro fantástico.
Costuma ter muitos livros à cabeceira?
Costumo ter quatro livros à cabeceira. Um deles é a Bíblia, que leio de quando em vez. Tenho sempre um livro de ficção, seja romance ou conto. Por acaso agora, além dos contos do Truman Capote, tenho também o último romance do meu amigo Francisco Moita Flores, Mataram o Sidónio. Tenho habitualmente também um livro técnico e ainda um livro de meditações, com pensamentos adaptados ao quotidiano, que me serve de leitura diária. A minha mãe oferece-me sempre um livro destes, todos os anos, como prenda de Natal, para eu ler diariamente.
A sua personagem de ficção favorita?
Tenho três. Por um lado, o Tintim: é a minha banda desenhada favorita de todos os tempos, com o repórter que todos gostaríamos de ser. Depois, o Indiana Jones, que tem a ver com o meu lado aventureiro. E há ainda o Inspector Clouseau, personagem igualmente fascinante.
Rir é o melhor remédio?
Rir pode não ser o melhor remédio, mas ajuda muito em diversas circunstâncias.
Lembra-se da última vez em que chorou?
Foi há dois dias, ao ler um conto do Truman Capote: vieram-me as lágrimas aos olhos. Emociono-me com facilidade.
Gosta mais de conduzir ou de ser conduzido?
Quer no carro quer seja no que for, gosto de conduzir e de ser conduzido. Gosto de intervalar.
É bom transgredir os limites?
Desde que não corramos o risco de cair num precipício, de vez em quando é agradável transgredir os limites.
Qual é o seu prato preferido?
Bacalhau. De todas as maneiras.
Qual é o pecado capital que pratica com mais frequência?
Gula.
A sua cor preferida?
A minha cor preferida é o azul. Excepto como camisola desportiva: neste caso é o vermelho. Mas em tudo o resto prefiro o azul. Camisas azuis, fatos azuis…
Costuma cantar no duche?
Não. É muito raro cantar no duche. Só costumo cantar sozinho quando estou no piano.
E a música da sua vida?
Strangers in the Night, do Sinatra. E também gosto muito do Pó de Arroz, do Carlos Paião.
Sugere alguma alteração ao hino nacional?
Tenho muito respeito pelo hino nacional. Mas não me chocaria nada que fosse alterado – na letra e até na música. Na letra, sobretudo, não faz hoje sentido marchar contra os canhões…
Com que figura pública gostaria de jantar esta noite?
Com Nelson Mandela [falecido em 5 de Dezembro de 2013].
As aparências iludem?
Ui, tantas vezes…
O que é que um verdadeiro cavalheiro nunca faz?
Um verdadeiro cavalheiro nunca deve deixar de o ser.
Qual é a peça de vestuário que prefere?
Camisa. Uso camisa todo o ano.
Qual é o seu maior sonho?
Viver cada dia com saúde e ser feliz.
O maior pesadelo?
Que alguma destas coisas não aconteça.
O que o irrita profundamente?
A incompetência. Há demasiada incompetência.
Qual a melhor forma de relaxar?
Ler.
O que faria se fosse milionário?
Se calhar não fazia nada.
Casamentos gay: de acordo?
Não chamo casamento àquilo a que habitualmente chamam casamento gay.
Uma mulher bonita?
Kim Basinger.
Acredita no paraíso?
Acredito.
Tem um lema?
Ser melhor amanhã do que sou hoje.
Entrevista publicada no Diário de Notícias (10 de Julho de 2010)

Também gosto muito do António sala, dos programas da Renascença, dos Maranata, do 1,2,3… Subscrevo os heróis de ficção ( falta-lhe ali o Corto Maltese) e a cor azul … faz de conta que nem li que era da camisola. Mesmo com as tribulações da saúde, continua uma pessoa bem disposta. Next!
Ele foi muito simpático, recordo bem.