Antifascismo ‘rétro’


Pedro Correia,

Quarenta anos depois, estreando cravo vermelho na lapela, Diogo Freitas do Amaral fez hoje um corajoso discurso antifascista no palco do Teatro D. Maria II. Denunciando o “lápis azul” da censura num “país fechado”, de “partido único”, em que os políticos da oposição eram presos e “a industrialização era tida como perigosa para a moral e os bons costumes”.

Este discurso do homem que em 1976 votou e levou a sua bancada parlamentar a votar contra a Constituição da República na Assembleia da Constituinte pareceu-me interessante, mas algo desajustado no tempo. Vindo de onde veio, chegou simplesmente com quatro décadas de atraso.

14 comentários em “Antifascismo ‘rétro’”

    1. O homem que votou contra a Constituição de 1976, na bancada “mais à direita” da Assembleia Constituinte, enrouquece agora de indignação contra o Governo “mais à direita” desde 1976 – Governo cuja “capacidade de concretização” ele já profusamente elogiou (veja-se, a título de exemplo, http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=30643).
      Não vale a pena levar a sério. Só pode mesmo dar vontade de rir.

    1. Lembro-me dele ministro de Sócrates, Helena. Depois disso, a desancar o governo de Sócrates (de que fez parte). Depois em elogios desbragados ao governo Passos. A seguir, com críticas ainda mais desbragadas ao mesmíssimo governo.
      Mário Soares arrasou-o logo na primeira frase quando ambos se defrontaram no decisivo frente-a-frente das presidenciais de 1986: «O doutor Freitas do Amaral não fez nada pela democracia durante todo o período em que lutámos contra a ditadura.»
      http://www.youtube.com/watch?v=vYaVaBZ-6Fg
      Lembro-me deste debate sempre que a personalidade em causa regressa esporadicamente aos noticiários, em regra desdizendo tudo quanto já disse tempos atrás.

  1. tenho que discordar, não porque ache pertinente um dinossaurio ainda boatr tantodiscurso mas porque se faz uma injustiça comparar as posiçoes corajosas e muito uteis para a democracia de FA e Amaro da Costa nas contigencias penosas da epoca. Quando um dia se queira estudar as influencias de muitos teremos que colocar o FA como um dos pilares da democracia emPortugal -como a queremos sempre =plurifacetada e primado da escolha pelo cidadao individual.

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