Anonymous


Rui Rocha,

 

O caso wikileaks revelou ao mundo um, chamemos-lhe assim, colectivo que actua sob a designação de Anonymous. A sua visibilidade recente resulta da organização de ataques informáticos aos sites de entidades que boicotaram o wikileaks. Na lista das suas vítimas constam já, no âmbito da chamada Operação Payback, os sites de Paypal, Visa, Mastercard e do banco suíço PostFinance.

O método de ataque utilizado é simples: lançar sobre o site vítima milhares de conexões por segundo, a partir de computadores situados em qualquer parte do mundo. O excesso de tráfico provocado acaba por derrubar os servidores onde a página está alojada. É relativamente fácil de organizar e muito difícil de contrariar.

A actividade deste tipo de colectivo não começou com o caso wikileaks. Nem acabará com ele. Anonymous não é um grupo organizado, não se lhe conhecem propósitos coerentes, normas que orientem a sua actividade, ou líderes que o representem. Tem uma composição absolutamente variável no tempo e no espaço. A sala de reuniões mais frequente de Anonymous é o fórum 4chan.org, o segundo maior do mundo com cerca de 6 milhões de usuários. A linguagem utlizada no chat é de tal forma encriptada que é difícil aos forasteiros perceberem os temas das conversas. O anonimato é lei. Com tais características, o fluxo de informação e de interesses é, em geral, caótico. Todavia, quando esta massa informe alcança um acordo sobre um ataque a um site, é praticamente imparável. Os motivos podem ir dos mais nobres aos mais mesquinhos e estão sempre em causa os limites da legalidade (quando não da ética).

Um dos feitos mais divulgados antes do wikileaks foi a votação maciça em um dos seus fundadores, o que lhe permitiu ser eleito homem do ano 2009 pela revista Time. A Operação Payback, antes de estar direccionada para o wikileaks, visava fustigar estúdios e editoras e, em geral, qualquer entidade que Anonymous associasse à defesa de direitos de copyright. Os ataques são promovidos através de mensagens divulgadas no próprio 4chan ou por outros meios, como o twitter. Qualquer pessoa com conhecimentos mínimos de informática pode integrar pontualmente o colectivo acedendo a um link e seguindo algumas instruções.

Este é mais um ângulo de análise do wikileaks, mas o tipo de movimento em causa transcende o episódio em si, colocando a questão ao nível das novas formas e finalidades do activismo e das causas cívicas (ou não). Em rigor, do hactivismo.

2 comentários em “Anonymous”

  1. Antes desses ataques aos sítios da PayPal, etc, já tinha havidao ataques com a mesma metodologia a diversos sítios da própria WikiLeaks.

    Ou seja, trata-se de uma retaliação dos amigos da WikiLeaks, utilizando os mesmos métodos que foram utilizados contra a WikiLeaks.

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