O Público dá hoje um enorme destaque, em primeira página, a um número não menos enorme: 53% de aumento, seja lá do que for, é uma variação que impressiona. Se estivermos a falar de despedimentos colectivos, o impacto da notícia será certamente muito maior. Todavia, se analisarmos o seu conteúdo, verifica-se que, apesar de o número de empresas que desencadeou despedimentos colectivos ter crescido os referidos 53%, o número absoluto de trabalhadores despedidos através deste processo aumentou 6,6%. Isto é, relativamente a 2011, terão sido despedidos em igual período mais 420 trabalhadores. Se tivermos em conta que o desemprego em Portugal atinge actualmente cerca de 700.000 pessoas, com tendência para subir, concluiremos que quer o número absoluto de trabalhadores abrangidos por despedimentos colectivos (6.917), quer o crescimento de 6,6% de 2010 para 2011, não são propriamente as razões fundamentais da preocupação colectiva que o desemprego deve provocar na nossa sociedade. O ano de 2012 trará muitos motivos para alarme. Não faltarão manchetes deprimentes para fazer ao longo dos próximos 364 dias. Por isso, não é aceitável que se embarque no alarmismo sem fundamento, reproduzindo para os leitores ondas de angústia que a situação concreta noticiada não justifica.


Rui, acho que está a ver mal a coisa. O enfoque não está no aumento dos despedimentos, mas no de empresas que recorrem a um meio já commumente aceite de reduzir quadros. E esse número de empresas é mesmo impressionante.
O despedimento colectivo começa com um mínimo de 5 pessoas. Por isso, muitas empresas a despedirem 5 pessoas cada uma dá relativamente poucos despedimentos. Mas o número de empresas cresce. E isso, sim, é preocupante.
Como é preocupante, quanto a mim, que ninguém saiba de onde isto surgiu. Com uma agravante: quando surgiu não foi colocado um travão, por exemplo, a impedir empresas com lucros de recorrerem a este processo. Se assim fosse, o número de empresas seria menor e menos umas centenas de trabalhadores perderiam o seu emprego.
Já agora, a “Lei” é do famoso Bagão Félix que perora aí, como muitos outros responsáveis pelo descalabro a que se chegou, como se nada fosse com ele. Vim a saber disto por ter sido vítima, precisamente, de um despedimento colectivo e em que o administrador responsável deu essa informação gratuitamente, ressalvando com certo laivo de ironia que precisamente não havia impedimento de o fazer mesmo a uma empresa que dava lucros – e era o caso.
Zé Luís, não questiono nada do que refere. Apenas digo que o número de pessoas afectadas por despedimentos colectivos é uma gota no oceano do flagelo do desemprego. Independentemente da causa (caducidade do contrato, despedimento individual, etc.) essa é a manchete que podia ser publicada nos jornais todos os dias.
este ano vai ser assim.
pena é começarmos o ano sempre com noticias sobre as mortes na estrada.
Eram evitáveis. As noticias e as mortes
bom ano
E deve achar que os despedimentos não custam vidas…
O desemprego é um flagelo. Neste momento, não há quem se possa declarar imune.
Bom ano, Francisco.