Convivo numa base diária com um desses seres extraordinários que encontram uma explicação esotérica para todos os fenómenos que nos rodeiam, pessoal ou profissionalmente. Naquilo que uns vêem coisa nenhuma ou apenas uma grande acaso ou uma fortuita coincidência, este ser de luz e mezinhas encontra desígnios e caminhos de uma grande ordem esotérica que, felizmente, escapa à maioria – mal de mim se tivesse de aturar isto sempre. Admito que a espaços até lhe acho piada. Sei pelo olhar ou sorriso que foi encontrada uma explicação para o perfume que se pôs no ar, a corrente de ar que atravessou a sala ou para os energúmenos – e quantos – que se atravessam nas vidas comuns de gente comum, na minha inclusive. Sabendo de antemão a teoria, as dificuldades surgem para que cresçamos, evoluamos e percorramos esse calvário de vidas passadas, o karma que se nos agarrou à nascença e que só percorrido nos libertará, ou coisa que o valha, prevejo com relativa facilidade – será porventura o meu karma?- a resposta adequada.
E assim vou vivendo tranquila, sem lhe dar grande crédito, confesso, nem sempre tenho paciência para estes devaneios onde os insubordinados e mal-educados me foram postos no caminho para que eu evolua. Ficaria eternamente grata se fossem fazer progredir ou evoluir outros necessitados seres e me deixassem cá sossegada, de preferência, sem ter de me irritar frequentemente e chamar a atenção para tudo e mais alguma coisa. Se viram A Turma sabem exactamente do que falo.

«Segundo Eça, “o riso é a mais antiga e ainda mais terrível forma de crítica. Passe-se sete vezes uma gargalhada em volta de uma instituição, e a instituição alui-se”.» Esta foi bem lembrada, Leonor.
Dei por mim a sorrir disto. Disto e da impressionante actualidade do Eça, uma vez mais. Mas sorri à sucapa, não vão os actuais responsáveis pensar que têm alguma graça. Não têm. Ou melhor: é que nem isso têm!
Nem imagino o que Eça diria/escreveria se cá voltasse… e tem razão, João, não se ria muito alto não vão achar que até é engraçado. O que me irrita é dizerem que antes não havia avaliação, foi o Ministério que a instituiu tal como era, e agora proporem coisas destas que contam para a avaliação dos professores. Uma anedota pegada.
E é com o anedotário desta Educação que continuamos a perder gerações…
Enquanto a preocupação for meramente estatística não se vai a lado nenhum.
Ahaha isto deve ser praga, porque eu também tenho uma colega que, imagine-se, meteu-se-lhe (eu sei que isto está mal mas tem mais piada) na cabeça que é indigo e agora acha que é muito especial e acha que tem capacidades sensitivas que os outros não tem. Coitada…
Uma dessas ainda não me calhou, Daniela, mas nunca se sabe… 😉
Desde que a Leonor não se fie nessa conversa ou fique triste… 🙂
Não me fio, Mike, mas nunca se sabe o que me poderá acontecer se frequentar uma acção de formação altamente científica como esta 😉
Prepare-se, Leonor, pois além das índigo há crianças de muitas outras cores (tantas quantas as do arco íris), sendo de esperar que venham a existir outras tantas acções de formação para cada uma delas.
Este ME é realmente de partir o côco e só lhe faltava o recurso à bruxaria e às ciências ocultas para compor o ramalhete. Tal como diz o Rui Baptista, não tendo conseguido resolver o problema pela via exotérica, o ME voltou-se agora para o esoterismo. Até já estou a imaginar uma academia tipo Hogwarts, (do Harry Potter), em Portugal, para dar formação a professores.
Assim, vamos longe, vamos… Na educação e em tudo o que se lhe segue.
Sim, eu sei, há uma série delas, mal de mim 😉
É absolutamente revoltante. Se eu quiser ir a um congresso, tenho de pedir n autorizações, deixar planos de aula, conseguir um substituto para as minhas aulas, enfim, foi-me vedado o direito a formar-me como qualquer outro cidadão, à luz do dia e em situações normais. No entanto, se for para ouvir estas tiradas que nada têm de científico, não só sou autorizada, como o próprio Ministério acreditou a acção. Seguir-se-ão mais sobre numerologia, tarot e astrologia e não tarda aparecerão alunos a reclamar porque o seu signo não é compatível como o do professor. Depois disto, muitos cenários são possíveis.
Indigo é a cor dos jeans. Nada de mais prosaico, Leonor.
Respira fundo e aguenta… 😉
É o que tento fazer, mas sem grande êxito nos dias que correm. beijos, Ana