
Há neste momento uma guerra cada vez menos surda no PS, já a pensar no ciclo pós-António Costa.
Defrontam-se dois projectos, que não são apenas pessoais: são também políticos. Ou uma hipotética parceria de longa duração com o PSD, que encontraria em Fernando Medina o protagonista ideal, ou uma provável fusão a prazo entre socialistas e bloquistas, com Pedro Nuno Santos ao leme.
Esta facção acaba de receber um poderoso incentivo com a entrada em cena de Ana Gomes, que ao apresentar-se como candidata presidencial fez questão de proclamar os laços de amizade que mantém com Marisa Matias, sua concorrente na campanha. Algo que só terá soado estranho a quem ignore o conflito que germina nos bastidores do PS.
Costa tem uma aversão inata ao Bloco e detesta Ana Gomes. O instinto político diz-lhe que a ex-embaixadora funcionará, nesta corrida a Belém, como aliada objectiva de Pedro Nuno Santos na disputa pela liderança do partido. E não ignora que este grupo tem ligações estreitas a influentes sectores da comunicação social: filho de jornalista, irmão de jornalista, é-lhe fácil reconstituir o circuito de cada manchete na imprensa e cada abertura de telediário. Sabe que o intervalo de poucos dias entre o anúncio público da candidatura de Ana Gomes e a notícia do seu envolvimento no apoio a Luís Filipe Vieira no Benfica não foi coincidência.
Alguns analistas políticos asseguram que nas presidenciais o confronto principal será entre Ana Gomes e André Ventura: isso é próprio de quem só consegue ver a espuma dos acontecimentos.
O que interessa acompanhar verdadeiramente é a evolução de posições no processo de substituição de Costa, que de algum modo já está em marcha. E de que a mais recente substituição no elenco de secretários de Estado constitui indício. Não apenas do esgotamento da capacidade de recrutamento do primeiro-ministro, hoje incapaz de atrair personalidades fora do circuito partidário para o elenco governativo, como do reforço do peso relativo de Pedro Nuno Santos: duas das cinco mudanças ocorreram no ministério que lhe está confiado e simbolizam o avanço de peões num tabuleiro de xadrez.
Dama, já existe: é a candidata presidencial.
O dilema hamletiano de um PS liderado por Medina, que privilegiaria um novo bloco central, e um partido sob o comando do titular da pasta das Infraestruturas, dando prioridade absoluta a entendimentos à esquerda, dominará a partir de agora as movimentações internas no PS. Cabendo à desalinhada Ana Gomes um papel decisivo.
Na corrida a Belém, ela funciona como lebre de Pedro Nuno para o Largo do Rato.

Marcelo desejoso de uma retumbante re-eleição envolveu-se num namoro -um tanto ao quanto caricato- com o PS e a esquerda.
Isso terá caido mal ao centro e á direita?. Abriu o flanco para Passos Coelho?.
Tão subtil que não percebi patavina. Mas pode sempre tentar outra vez.
Não sabia que o Pedro Correia tivesse tanto jeito para a redação de análise política. Parece o Marcelo Rebelo de Sousa nos seus velhos tempos no Expresso.
É de mestre a utilização do adjetivo “hamletiano”. É melífluo atribuir ao “instinto político” de António Costa a tese que o próprio Pedro Correia pretende afirmar, como se Pedro Correia pudesse ler aquilo que o “instinto político” de outrém diz a essa pessoa.
Não me parece que uma “fusão a prazo entre socialistas e bloquistas” seja um cenário verosímil. Encontraria fortíssimas resistências dentro de ambos os partidos.
Outrem.
Escreve-se assim. Sem acento.
Em regra, as palavras graves não são acentuadas.
verdade ou mentira, isto é apenas má literatura.
Excelente literatura, só a que é escrita por anónimos.
As traições do costume no partido e no país. Nunca param na despesa porque são sempre os mesmos a pagar.
É mais o jogo da mama.
Vidas infinitas.
Aqui é batalha naval. Com submarinos, um barco de três canos em navegação rápida e um porta-aviões que pode ir ao fundo.
Bem visto
Às vezes dá-me ainda para escrever sobre política, Vorph. Cada vez menos. É tema entediante.
Não sei se ela está a funcionar como lebre na corrida a Belém. Acho que o apoio a Vieira é mais para evitar que os descontentes votem no Ventura.
Em vez da lebre, eu penso que é mais um coelho que o Costa tira da cartola.
O Coelho de Costa chama-se Sousa. Embora não seja Carlos.
Então? Lebre ou Pinto?
Você muda de animal como quem muda de camisa.
Você é que saltou de lebre para coelho. Pinto, só no canal Memória.
Excelente análise, Pedro. Parabéns.
Só estranho que Ana Gomes tenha apoiado António José Seguro na disputa contra António Costa, quando aquele supostamente representaria uma linha mais à direita no PS.
Obrigado, Luís. Nessa altura Costa era o adversário comum. Ou “inimigo”, se quisermos usar a clássica definição de Churchill.
Ana Gomes tem sido coerente – embora não profunda – no ataque à corrupção. Costa tinha sido nº 2 de Sócrates e tinha com ele praticamente todos os que tinham estado com Sócrates.
Esse o contexto, sim.
Boa analise mas não me parece que Medina favorecesse um Bloco Central a não ser que o PSD aceitasse quase tudo o que ele quer.
Lembrar que é em Lisboa que o PS e Bloco estão mais próximos e foi na Câmara de Lisboa que começaram as geringonças.
lucklucky
Medina podia ser do PSD. Deste PSD, seguramente.
Santos poderia ser do BE: nada o distingue da ala menos radical do Bloco.
Gostei muito deste postal, merecedor de se integrar num blogue que tem como nome “Delito de Opinião”.
Não vale a pena existirem blogues para terem postais a replicar os OCS ou para serem porta-voz de opiniões de grupos no terreno. Levantar ângulos novos da notícia, isso sim, é delito de opinião daquelas que estão instaladas e se digladiam no terreno. Parabéns
Obrigado, Carlos. Tenho exactamente a mesma opinião relativamente à utilidade dos blogues: se é só para replicar o que já surgiu antes na TV ou na imprensa, acrescentam pouco ou nada.
O chamuças anda todo baralhado.
O que vai dizer é o que se lembrar no momento. dá disparate.
Ele navega á vista, sem previsão nem estratégia e isso vai-lhe rebentar nas mãos mais cedo do que ele pensa…
A.Vieira