Afagava-lhe o pescoço com aplicação enquanto a via esticar o focinho e cerrar os olhos, em êxtase. Mas o afago não era para ela. Na verdade a mão dele deslizava ao arrepio de outros afectos.
“Nada como o amor dos animais”, pensou, ao ouvi-la ronronar. Como se tivesse lido os seus pensamentos a bichana olha-o com doçura e delicadamente acomoda-se no colo desfrutando o calor que dele emana. Se falasse, dir-lhe-ia que também ele, que agora a observava embevecido a lavar as patas, era fácil de satisfazer. Sim, o amor dele por ela também era perfeito.


Para alguém ver numa gata o paradigma do amor dos animais, o mais certo é andar a afagar um peluche.
Há quem prefira a subserviência do cão, que se deixa humilhar, maltratar, e sempre espera mais do mesmo, com verdadeira devoção masoquista.
Quem confunda submissão plena e incondicional com amor e dedicação, não pode entender os gatos. Não pode gostar de gatos.
O que é muito normal, num país embrutecido e onde ainda se ensina as criancinhas a atirar o pau ao gato (que, e parece que causando sério aborrecimento, não só morreu, como também incomodou certa senhora com o berro que deu; raio do bicho!).
Costa
Também há gatos dedicados, Sampy.
Gato que é gato só ama uma coisa: a sua independência.
Gato que é gato nunca olhará para o seu dono como um igual.
Tudo o que saia disto, ou é imaginação do dono, ou é porque o gato não é gato.
Sampy, apesar de haver um estereotipo que nos serve de referência, segundo o qual o gato é um animal independente, que não aceita a autoridade do dono e não se liga verdadeiramente às pessoas, quem lida com bichanos aprende desde logo que não há dois gatos iguais e que muitos não encaixam, de todo, naquele perfil.
Teresa, a imagem confirma o que eu pensei de início, certo? Que ele é um homem e ela é uma gata. Só pode! 😉
Claro, só pode 😉
A minha filha tem uma gata linda, uma persa branca. Desgosto meu: não deixa que ninguém lhe faça uma festinha…