Este ano calhou ir aos Açores e passar de esguelha pela ilha do Faial. Fiz questão de visitar o Vulcão dos Capelinhos. Não porque me interesse particularmente por catástrofes naturais, mas porque me lembro de sempre ter ouvido dizer que o meu pai tinha sido um dos operadores de câmara destacados para cobrir o acontecimento. Em 1958, com a RTP a dar os primeiros passos da televisão em Portugal, lá embarcou o pai Zé António nesta aventura, com os parcos recursos que na época existiam.
Consta que foi durante as filmagens que tomou a resolução de casar com a minha mãe, de maneira que a boda se celebrou um ano mais tarde. Depois nascemos nós em escadinha, e ainda hoje permanecem juntos com um companheirismo e sentido de humor invejáveis.
Ora eu sou uma sentimentalona incorrigível, de maneira que, estando nas redondezas, não podia perder a oportunidade de visitar o local onde uma decisão deste calibre tinha sido tomada. Lá fui, com marido e filhos e, apesar da paisagem crua, não consegui deixar de me comover quando vi a minha filha Rita saltitar por entre as pedras com uma fita cor de laranja no cabelo. De alguma maneira, passados quase sessenta anos, dei com uma neta a marcar o amor dos avós, levando um traço de cor a este local de cinzas.


E eu também não consegui deixar de me comover com este seu belo texto.
A Francisca põe a alma em tudo o que escreve, é sempre um prazer lê-la.
Estive aí em 78 e nunca esqueci essa paisagem tão desoladoramente bela.
🙂 Antonieta
Um grande beijinho para si, Antonieta.
Muito obrigada
Lindo, minha amiga, de memória e fotografia.
E essa paisagem cinzenta a rematar no mar …
Nas cinzas também surgem pérolas. Eis uma, o teu texto sobre este local que também tanto me tocou. Parabéns, Francisca.