Se a Economia é a ciência da análise e da previsão de como as sociedades usam os recursos escassos e a correspondente produção de bens (valores), procurando a sua utilização eficiente, jamais perceberei porque é que, na maioria dos casos, os profissionais do foro se auto-reduzem a uma função de “prático-de-folha-de-excel”, sem capacidade para observar e compreender os comportamentos, sem visão de enquadramento histórico, sem sentido humanístico dos fenómenos que dissecam afanosamente na mesa cirúrgica (aliás, mais frequentemente na mesa de autópsias, o que já diz bastante sobre a matéria…).
Nada é tão raro como encontrar um economista culto.
E no entanto, quanto nós precisávamos de ter muitos discípulos de Amartya Sen, que nunca se desgarrou dessa ideia nuclear e anti-determinista de liberdade na escolha, de desenvolvimento inteligente e de progresso útil, à escala do Homem.
O Nobel da Economia merece luz e palco até ao fim dos dias.
A trapalhada desta última década só lhe veio a dar razão.

Bem lembrado. Muito bem lembrado.