A mais difícil é continuar a lutar convictamente. A mais deprimente é deixar de lutar. A mais exasperante é possuir todos os motivos para deixar de lutar e não conseguir deixar de o fazer.
Alternativas
escafandro,
A mais difícil é continuar a lutar convictamente. A mais deprimente é deixar de lutar. A mais exasperante é possuir todos os motivos para deixar de lutar e não conseguir deixar de o fazer.
Acho que nunca se possui todos os motivos para se deixar de lutar, Jaa. Sobra sempre um qualquer para continuar, a não ser que se seja derrotista antes de se ser derrotado.
És uma optimista, Ana. E ainda bem. Mas há muitas situações (no emprego ou numa relação, por exemplo) em que frequentemente se percebe que não vale a pena continuar a lutar. Bater com a cabeça na parede uma e outra e ainda outra vez não só dói como desgasta. Mas há quem não consiga parar de o fazer.
Sou optimista, de facto, mas não sou masoquista. Dou-te razão: é preciso saber quando se deve parar.
O problema é que tanto desistir como não desistir pode ser quase igualmente frustrante. Considera a seguinte situação, bastante comum: uma pessoa entra numa empresa para ocupar um cargo qualquer. Vai cheia de vontade de mostrar serviço. Tem ideias e faz questão de as expor. Com o tempo, apercebe-se de que trabalha mais do que os outros e que não ganha mais por isso. De que as suas ideias são aceites com um sorriso de condescendência mas nunca implementadas – ou são implementadas sem que ela receba crédito por tê-las apresentado. Chegará uma altura em que será muito difícil (e devo dizer que, na primeira frase do post>/i>, hesitei bastante entre os termos “difícil” e “estúpida”) a esta pessoa manter a convicção. Poderá procurar outro emprego mas imagina que até ganha razoavelmente – e os tempos não estão fáceis, não é verdade? Continuar a bater com a cabeça na parede é doloroso e exasperante mas acomodar-se, sendo a opção “sensata” (excepto para a empresa, que terá “liquidado” mais um elemento com valor), também gera imensa frustração. O que fazer?
Raios, falhei as marcações de itálico…
Um dilema, eu sei. A única coisa que posso dizer-te – e vais chamar-me idealista, imagino – é que quem tem brio profissional nunca será capaz de fazer o seu papel menos bem, e que quem tem ideias nunca conseguirá afogá-las ou fingir que não as tem. Mas ser-se original e competente pode ser frustrante? Claro que sim, é até vulgaríssimo. Mas é uma fatalidade, meu amigo.
That’s my point, minha amiga.
«O homem não nasceu para a derrota. Pode ser destruído mas não pode ser derrotado.» (Hemingway)