Que dizer às pessoas num momento como este? Tenho pensado nisso enquanto leio os outros blogs ou poiso os olhos nos jornais e encontro apenas ressentimento e angústia.
A opinião está barata, como qualquer produto em mercados saturados, mas a esperança não. Talvez não possamos mudar a realidade, mas está ao nosso alcance mudar alguma coisa em nós. Podemos ser um pouco mais observadores, um pouco mais capazes, e tentar fazer coisas que ainda não fizemos.
São raros os seres humanos verdadeiramente indefesos. São poucas as pessoas que não conseguem criar uma estratégia — e onde há uma estratégia há sempre uma esperança.
A esperança não é uma experiência colectiva, é uma experiência individual. Não depende da crise, não depende da idade e pode reforçar-se em contextos prejudiciais.
Por isso devemos aprender a separar os ruídos do mundo da nossa voz interior. Se a carga afectiva dos outros o perturba, ignore-a. Até nos períodos de crise há gente que prospera: procure essas pessoas.
Cada um de nós pode ser um pouco melhor a estabelecer objectivos realistas e a cumpri-los. Jorge Luis Borges escreveu que a coisa mais superficial de um homem são as suas opiniões.
Ignore as opiniões tóxicas.

Clap, clap, clap! Vivo a dizer isto mesmo, porque acredito ser a mensagem mais útil em tempos como estes que vivemos. Recriarmo-nos, descobrirmos em nós potencialidades que a preguiça (ou a falta de estímulo, ou a simples falta de necessidade) nos impedia de procurar, é o grande desafio que temos pela frente. E pode fazer milagres. As opiniões tóxicas são boas para análise – e, quando têm graça, para mantermos os níveis de humor – mas não servem para mais nada. Porque paralisam, porque não impelem à acção quem já está aterrorizado.
Gostei de ler-te, Luís. Espero que não seja uma conversão definitiva (as tuas opiniões tóxicas fazem-me falta!), mas esta tese, defendida por ti, tem redobrado valor. 🙂
Esqueci-me de acrescentar que vou inaugurar esta semana o consultório de auto-ajuda do Professor Jorge: defesa contra o mau olhado, a infidelidade e as drogas leves. Apenas 50 euros por mês se aderir agora à nossa mailing list com conteúdos, vantagens e prémios.
Ah, que alívio. Agora já o reconheço, Professor Jorge!
Quanta razão leio neste post!
São mais textos como este que precisamos nestes tempos incertos.
“Se a carga afectiva dos outros o perturba, ignore-a.” Não será, afinal, este um dos grandes males da nação?
Gostei de ler.
Excelente, Luís.
O meu sábio marido costumava dizer que a coisa a que os seres humanos não conseguiam de todo escapar mas que mais detestavam e à qual ofereciam maior resistência era a mudança.