Aliança Velha.


Luís Menezes Leitão,

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Com a capacidade de análise que o caracteriza, Vasco Pulido Valente escreveu que Santana Lopes, que “presidiu ao mais desastroso governo constitucional pretende agora levar uma facção de anónimos a uma nova derrota“. Essa derrota começou hoje. Ninguém consegue entender no eleitorado que alguém que saiu em ruptura com o seu partido para formar um novo partido, pretenda agora coligar-se com o seu velho partido. Pode ser uma estratégia política de alto gabarito, bem ao estilo de Santana Lopes, mas a sua compreensão não está ao alcance do comum dos mortais, que são aqueles que votam nas eleições.

 

Na verdade, Santana Lopes pretende replicar à direita o trajecto de Lopes Cardoso à esquerda. Primeiro saiu do PS, depois criou a UEDS, depois a sua UEDS fez uma coligação com o PS e finalmente voltou a aderir ao PS.

 

Se é este o objectivo do novo partido, mais vale encerrá-lo já, que se poupa tempo. Tudo isto é muito velho e muito previsível. E, sinceramente, não faz falta nenhuma ao centro-direita.

0 comentários em “Aliança Velha.”

  1. Ninguém consegue entender no eleitorado que alguém que saiu em ruptura com o seu partido para formar um novo partido, pretenda agora coligar-se com o seu velho partido.

    Basicamente foi a mesma estratégia que, no lado oposto do espetro político, o Livre seguiu. Esse partido surgiu e singrou com uma única ideia: incentivar uma união da esquerda. Tendo-se para esse efeito separado dessa esquerda que pretendia unir…

      1. Só que com a direita não vai haver união nenhuma porque o PSD está nas ruas da amargura (o CDS também deveria estar, mas o povo é burro e as sondagens costumam beneficiá-los) e por isso juntos nem a 35% devem chegar.

    1. Uns quantos militantes do Bloco de Esquerda saíram para o Livre porque achavam que o Bloco estava a morrer. E nas eleições de 2015 o Bloco obteve a sua melhor votação de sempre, dando assim uma chapada de luva branca aos desertores.

  2. Já o disse e escrevi anteriormente, incluindo aqui no DdO, e espanta-me que tenha de voltar ao assunto: afirmar que o governo presidido por Pedro Santana Lopes foi o «pior», ou «o mais desastroso», ou qualquer outra idiotice desse tipo, só demonstra que quem o faz tem sérios problemas de (falta de) inteligência, de memória e/ou de saúde. José Sócrates decerto agradece tais disparates.

      1. José Sócrates agradeceu, sim (e, se não o fez, devia tê-lo feito), a Jorge Sampaio a oportunidade que teve. E, comparado com o do «engenheiro ao domingo», o governo de Pedro Santana Lopes foi mesmo magnífico.

        1. Se o governo de Santana Lopes tivesse um mínimo de consistência, em vez de andar a perder tempo com incubadoras, teria sido esmagadoramente reeleito após a dissolução, em lugar de dar ao PS a maioria que nunca teve.

          Depois desse desastre governativo, não percebo como é que há pessoas que continuam a apostar em Santana Lopes. Mas cada um apoia quem quer.

          1. A alusão às «pessoas que continuam a apostar em (Pedro) Santana Lopes» não é para mim de certeza, pois não «aposto» nele nem em praticamente qualquer figura do actual regime – regime que, volto a dizer, já há muito passou do «prazo de validade» e deve ser substituído.

            Porém, isso não implica que aceite, nem que seja pelo silêncio, as mentiras, as falácias, as distorções, enfim, a reescrita falseada da História, que atingem PSL ou qualquer outra pessoa. Obviamente, o governo daquele tinha de facto «um mínimo de consistência» – interna e ainda um apoio maioritário no parlamento – e não andou a «perder tempo com incubadoras» – tal foi apenas um «fait-divers», um «sound-bite», que, claro, os opositores e a comunicação social «amiga» daqueles trataram de exagerar até à histeria, criando o ambiente propício para que em eleições legislativas (indevidamente) antecipadas o PS obtivesse um (imerecido) triunfo.

            Desastrosa foi, sim, a presidência de Jorge Sampaio, cujas consequências continuamos a sofrer.

    1. O governo de Santana Lopes pode não ter sido ideal, mas foi certamente muitíssimo melhor do que o que o antecedeu (de Durão Barroso). O governo de Santana Lopes foi o primeiro que teve a coragem de enfrentar dois problemas do país, a liberalização do arrendamento urbano e a colocação de portagens nas SCUTs.

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