Nouriel Roubini, o homem que previu a recessão de 2008, faz uma síntese exemplar da crise do Euro e enumera as soluções que ainda nos restam. A Alemanha está contra, evidentemente. Um trecho com sublinhados meus:
(…) A reflação [estimular a economia através do aumento do suprimento de moeda ou reduzindo taxas, é o oposto de deflação] simétrica é a melhor opção para restaurar a competitividade e o crescimento na periferia da Zona Euro, ao mesmo tempo que se levam a cabo as necessárias medidas de austeridade e reformas estruturais. Isto implica uma significativa flexibilização da política monetária por parte do BCE; provisão de apoio ilimitado de credor de último recurso a economias ilíquidas mas potencialmente solventes; uma forte depreciação do euro, o que poderá transformar os défices das contas correntes em excedentes; e estímulos orçamentais nos países do núcleo se a periferia for obrigada à austeridade.
Lamentavelmente, a Alemanha e o BCE opõem-se a esta opção, devido à perspectiva de uma dose temporária de inflação modestamente mais elevada nos países do núcleo da Zona Euro face à periferia.
O amargo medicamento que a Alemanha e o BCE querem impor à periferia – a segunda opção – é a deflação recessiva: austeridade orçamental; reformas estruturais visando impulsionar o crescimento da produtividade e reduzir os custos unitários do trabalho; e uma depreciação real, através do ajuste de preços, por oposição ao ajuste da taxa de câmbio nominal.
Os problemas com esta opção são imensos. A austeridade orçamental, se bem que necessária, significa uma recessão mais profunda no curto prazo. Mesmo as reformas estruturais reduzem a produção no curto prazo, porque é algo que exige que se despeçam trabalhadores, que se encerrem empresas que estão a dar prejuízos e que seja feita uma realocação gradual da mão-de-obra e do capital em novas indústrias emergentes. Assim, para evitar uma espiral de recessão ainda mais profunda, a periferia precisa de uma depreciação real para melhorar o seu défice externo. Mas mesmo que os preços e salários caiam 30% nos próximos anos, o valor real da dívida aumentará fortemente, agravando a insolvência dos governos e dos devedores privados.
(…) Se os países periféricos continuarem enredados numa armadilha deflacionista de elevado endividamento, queda da produção, fraca competitividade e défices externos estruturais, acabarão por se sentir tentados por uma terceira opção: o “default” e a saída da Zona Euro. Isso permitir-lhes-ia revitalizar o crescimento económico e a competitividade, através da depreciação das novas moedas nacionais.
Evidentemente, um tal desmoronamento desordenado da Zona Euro constituiria um choque tão severo como o do colapso do Lehman Brothers em 2008, se não mesmo pior.
No mesmo sentido não percam este texto de Vitor Bento, sim o Vitor Bento, que agora se mobiliza contra o fundamentalismo moralista (e quem sou eu para o contrariar?) de alguns governos e do BCE.

No mesmo sentido de Vítor Bento (sem esquecer a referência final que faz à necessidade de permanência da austeridade nos periféricos) este texto que, aliás, se debruça sobre o destino que deves dar às tuas economias:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/37 36102.html
Hmmm, tens muitas certezas Rui. Aquele “quando” não passa de um “se”.
Qualquer mudança no estatuto e nos fins do BCE permitida pela Alemanha exigirá a perda total de soberania em matéria orçamental para países como o nosso. E essa soberania não migrará para qualquer estado federado de que sejamos parte, mas sim para um poder central que será apenas um outro nome da Alemanha. Visto que não nos sabemos governar até não acho mal. emplate=SHOWNEWS_V2&id=511581
Sobre Roubini, quer comprar a empresa dela? Aquilo não está bem e ele está a tentar ver-se livre dela. http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?t
Se você “nem acha mal” não vale a pena continuarmos com esta conversa.