Alguém falou em transparência?


Sérgio de Almeida Correia,

Depois de notícias como esta, esta, e esta, só para citar alguns exemplos que foram conhecidos em Julho passado, ouvi esta tarde na Antena 1, na sua emissão regional, o presidente da Câmara Municipal de Loulé dizer que o processo tem decorrido com "toda a  transparência". 

Não duvido. Só mesmo com muita transparência é que se podem gastar milhões a comprar terrenos em zona de Reserva Agrícola Nacional e ficar dependente de uma alteração a um PDM que não se sabe se algum dia será concretizada. 

Porém, não percebo o que leva a IKEA a querer investir em Loulé com a "transparência" de que fala Seruca Emídio.

É que havendo mil e um locais do Algarve bem mais carecidos desse investimento do que o rico concelho de Loulé, certamente haverá maneira mais transparente de conciliar as necessidades da IKEA com os interesses do Algarve, não? Que pensará disto o Miguel Freitas, agora que se fala num plano regional de emprego para o Algarve?

4 comentários em “Alguém falou em transparência?”

  1. “havendo mil e um locais do Algarve bem mais carecidos desse investimento do que o rico concelho de Loulé”

    Sim, mas uma grande superfície comercial situa-se geralmente em locais ricos, não em locais pobres. O Corte Inglés também tem uma loja em Lisboa e outra em Gaia, embora provavelmente Guimarães ou Vila do Bispo estivessem mais carenciadas desse investimento! As grandes superfícies comerciais situam-se lá onde há poder de compra, não onde ele não existe. Ademais, Loulé fica no centro do Algarve, portanto facilmente alcançável desde toda a região.

  2. “haverá maneira mais transparente de conciliar as necessidades da IKEA com os interesses do Algarve”

    Tentar fazer tal coisa seria uma parvoíce. Rui Rio tentou fazer isso com o Corte Inglés – obrigá-lo a instalar-se na baixa do Porto e não na zona da Boavista – e o resultado final foi o Corte Inglés ter mandado o Porto à fava e ter ido instalar-se em Gaia.

    As pessoas e as empresas devem ser, essencialmente, livres de investir onde e como quiserem. A IKEA faz o que quer com o seu dinheiro e, se as autoridades algarvias a chatearem muito, facilmente se passa para a Andaluzia atlântica.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *