Leio por aí que Passos Coelho perderá o país se, tal como se prevê, vier a ser anunciado nos próximos tempos um aumento de impostos. Não me parece a análise correcta. Creio que Passos Coelho começou a perdê-lo há já uns tempos. Quando não quis ou não soube impor um rumo ético inatacável à sua condução política e não revelou vontade suficiente para reformar o Estado e interpelar interesses instalados. A incapacidade de se distanciar das práticas do costume em matéria de nomeações para a máquina administrativa, a insistência na manutenção em funções de ministros sem condições políticas para tal ou a timidez revelada na gestão do dossier das PPP são exemplos que serviram para turvar uma imagem que, depois de Sócrates, teria de ser límpida e cristalina. Não há nada mais mortal para Passos Coelho do que a ideia de que são todos iguais ou de que não há grande diferença face à gestão clientelar e eticamente desbragada de Sócrates. Na situação actual, ser menos mau não chega. A imposição de novos sacrifícios, mais do que uma legitimação pelas circunstâncias, carece de uma legitimação pelo exemplo. E esse não foi suficiente. É claro que pedir mais será talvez revelar desconhecimento sobre como se passam estas coisas ou exigir características incomuns nos actores políticos. O ponto, todavia, é que no actual contexto, e com este vento gélido que nos desce pelos bolsos vazios, não podíamos pedir menos. O momento é, pois, de alerta de tsunami. Não admira que o sinal do que vem aí tenha sido dado nas instalações da Autoridade Nacional de Protecção Civil.
Alerta de tsunami
Rui Rocha,

Concordo em absoluto; este Governo não está a aproveitar o capital de expectativas que as pessoas têm sobre ele. Tinham. Creio que já perdeu essa oportunidade ao fraquezar nas “excepções”, ao não querer enfrentar o poder autárquico (que nem é bem um poder, é um associativismo inchado) e ao não dar dois murros na mesa perante muita desinformação que foi aparecendo. Passos tinha 2 ou 3 ministros à disposição que teriam conseguido impôr alguma autoridade simpática mas optou por dar espaço a Miguel Relvas, que já desde a legislatura anterior veio aparecendo como o mais “manhoso” da bancada do PSD. Não são claras, por exemplo, as suas relações com Angola; utiliza um discurso mais cínico e mais malabaristas do que os seus colegas, etc, etc. Acho que no fundo se enganaram na estratégia. Eventualmente ainda vão a tempo de corrigir alguma coisa, mas têm de se livrar das zonas cinzentas. As pessoas já não suportam a política encapotada dos recadinhos, dos negócios, das “relvices”.
…se considerarmos que Portugal é ainda um PAÍS, considerando tudo o que é suposto um PAÍS ser!
Cumprimentos!
Gostei de ler.
Antes de mais é necessário realçar que alguém só perde o que na realidade tem. Posto isto, Passos nada perde porque nada possui, em termos de país. Contudo, Passos já perdeu muito. E perdeu de tal forma que nem o discurso da verdade que agora pretende fazer passar limpará o discurso da mentira – agora revelada mentira – durante o debate sobre o PEC IV e durante as eleições. Também é necessário não esquecer que o acordo de intenções firmado com os troikanos é também um acordo do PSD (não esquecer as declarações de Catroga, escolhido como representante desta casta sacerdotal que nos trás a “lei da verdade”). Porém, por qualquer razão que a lógica desconhece, não foi possível firmar, ou acrescentar ao acordo, a ideologia do ir mais longe. Esta ideologia do “ir mais longe” parece-me ser a afirmação dos troikanos sobre o facto de este acordo ser um acordo de Portugal (é necessário ler nas entrelinhas).
Quer queiramos quer não, a política que verificamos estar em curso no nosso país é uma política de resgate do sector bancário e seus sucedâneos. Esta tese firmou-se mais em minha razão pelas declarações de Luís Amado na Universidade de Verão (dando uma no cravo e outra na ferradura, para ver se convence Seguro a não fazer o que Passos fez aquando do PEC IV), agora administrador num banco que afirmou em tempos vir a necessitar desse apoio.
Neste sentido, se é verdade que Portugal necessita fazer alguns sacrifícios, não menos verdade é que a política de Passos está a fazer sacrificados em prol de uma política ideológica que se revela cada vez mais catastrófica.
Freitas do Amaral, ontem, com a moderação e ponderação que sempre o animou, lá veio dar uma pequena ajuda ao pronunciar-se sobre as correctas medidas de privatização de algumas empresas de bandeira. Porém, creio que Freitas não referiu que a estrutura económica e social desta nação, para além da CGD e a outra que referiu, não se compadece com a privatização dessas mesmas empresas (EDP, GALP….), porque são elas também o garante do estado social (equilíbrio) e de uma certa independência face a lógica assassina dos mercados que se tem revelado nos últimos 25 anos. Não é por acaso que a França, Alemanha, Espanha Itália etc. mantêm espartilhada e/ou blindada estas estruturas cruciais.
Também tenho escutado que Portugal tem cumprido e não se pode comparar à Grécia. Ora, na comparação, eu também penso que os dois países, nas atitudes, não se comparam, porque a Grécia provavelmente compreendeu que o plano não resultaria e que se alienassem o património do estado, como Portugal fez, hoje estariam na mesma situação em que se encontra e sem património na mão que permita alguma posição musculada. É um busca deste património que anda a troika.
Passos Coelho foi mais longe como queria, e depara-se agora com o abismo. Vá em frente homem!.
Estava claro logo desde o início.
Um belo texto cheio de palavras sábias.

As férias não lhe ” apagaram “o engenho na lucidez Rui.
Sempre achei que o rapaz (PPC) era fraco demais para o esforço que lhe era pedido.
Precisavamos de alguém com os ” ditos ” no sitio, corajoso, destemido, forte, lutador , justo e sensível, que nos fizesse acreditar que existem pessoas boas e honestas á nossa volta.
Uma espécie de irmão bom, que cresceu connosco, nos nos conhece bem, nos dá um estalo quando precisamos, nos defende dos ” malvados ” da rua, brinca, ri , enfim, um parceiro mesmo bacano.
Pronto ok, estava a divagar pelo campo das impossibilidades, ainda efeitos do verão, sorry…