
«Fui peregrino e acolheste-me.»
Mateus, XXXV-35
Nesta quarta-feira em que o Papa chega a Portugal, Lisboa transborda de jovens e adolescentes oriundos de todo o mundo. São centenas de milhares, andam por aí desde a semana passada: com risos e cânticos, enchem de alegria a vetusta urbe, habitualmente tristonha e sorumbática. Circulam aliás pelo país inteiro em grupos felizes, coloridos, poliglotas. Irradiando um optimismo contagiante. Testemunhas vivas da fé que professam, tendo Cristo como inspiração suprema.
É a Jornada Mundial da Juventude – que concentra agora na capital a maior multidão de que há memória neste século em Portugal. Muito mais do que qualquer evento político, sindical, desportivo (Euro-2004) ou empresarial (Web Summit). Como ficou ontem evidente, nas impressionantes imagens da missa campal no Parque Eduardo VII presidida pelo cardeal-patriarca de Lisboa.
A próxima eucaristia, já com Francisco junto ao altar, será certamente ainda mais concorrida. Num sinal de inequívoca vitalidade da Igreja Católica que apenas surpreende os mais incautos. Nenhuma outra organização está tão incrustada no terreno social, em tempos de bonança ou tempestade.
Devem ser dias de angústia para os agoirentos Velhos do Restelo. Lastimo por eles: é a vida, como dizia o outro.
Devem também ser dies irae para aqueles que desejariam exterminar as religiões da face da terra, como se a crença não fosse inerente à espécie humana desde o alvorecer do mundo. «Só o Espírito, quando sopra sobre a argila, pode criar o Homem», escreveu Saint-Exupéry. Isto anda tudo ligado, mesmo quando não parece.

Gostava de saber porque isto é pago pelo contribuinte.
O facto de termos um presidente beato, uma direita que pensa que só com a ajuda de Cristo volta ao poder e um governo que quer ser popular agarrado à batina do Papa, não explica a santificação de tanto dinheiro doado aos mesmos de sempre (em ajustes diretos).
Você está preocupado com esse dinheiro. Eu estou mais preocupado com o que já foi gasto nas homilias das esquerdas, no dinheiro que é desperdiçado nos PALOPs e nos trópicos e na CPLP. Isso são custos permanentes que não nos trazem benefícios nenhuns, tal como as reformas de luxo da função pública onde há gente que saca 5000 e 6000 euros e por aí fora todos os meses sem nunca ter feito nada de meritório.
“Whatabaotismo” a desculpa que serve para tudo. Eles têm ajustes diretos com o Papa, mas também têm com outros.
Os verdadeiros chefes destas seitas trabalham na Mota Engil ou alguma empresa parecida.
Na Soares da Costa, não. Já faliu. mia/noticia/soares-costa-sera-liquidada-e stado-bancos-frente-credores-20561004
https://www.publico.pt/2023/07/07/econo
Também podiam explicar o retorno económico das jornadas.
1- As infra-estruturas que ficam são um descampado e um altar.
2- Os jovens estão com famílias de acolhimento e hospedados nas escolas do país a comer e a dormir à pala.
3- Há negócios parados e sem clientes. Ontem, por exemplo: uma dona de uma lavandaria queixava-se que não conseguia entregar a roupa aos seus clientes…
4- Os ajustes directos são de um oportunismo vergonhoso como sempre foram em Portugal. E até têm a bênção do nosso Presidente Marcelo como todos ouvimos na TV. Pelo o Papa vale tudo…
5- …
6- …
Isto para dizer: os idólatras do Papa como o V. fazem bem ir ao Parque do Perdão, com sorte, até fazem um amiguinho.
Os idólatras anti-Papa fazem bem em resmungar pelos cantos e espumar de raiva em comentários nos blogues.
Deve aliviar o fígado.
Sempre aos mesmos? Mas o Bordalo II também recebeu para as JMJS?
A mim só me irrita esta coisas dos “jovens”, essa conceptualização e essa distinção das restantes pessoas. É como haver senhas diferentes nos CTT em vez de ser por ordem de chegada.
E confesso que a ideia de um kumbaya gigante também me faz alguns fornicoques, mas enfim..
Com tanto jovens aí nas ruas, como é que os estafetas da Uber Eats e os tuque-tuques podem circular à vontade? É chato.
A minha zona está bastante condicionada porque éperto do Marquês. Mas saí de Lisboa a tempo, vim apanhar chuva cá pró norte. Bem bom.
Chuva em Agosto?
Onde está a monumental “onda de calor” que eles andam há meses a prognosticar nos telediários?
Tem chovido de manhã, depois limpa. Parece que o calor vem para a semana que vem — é o ultimo esticão para adoçicar as castanhas. Habeas corpus!
Habemus castaneae.
Acusativo: castaneas.
Ora cá estou eu Velho do Restelo a perguntar se não será pecado sujeitar o Papa com problemas de saúde a tanto e visível sacrifício. E perguntar se Sua Santidade se desloca até cá na qualidade de Chefe de Estado ou de eminente religioso. Na agenda para começar encontro com Costa e Marcelo o que sugere um aproveitamento indecoroso dos altos figurões da politica caseira.
Deixe-se estar aí no Restelo. Não se incomode a visitar outras zonas da cidade. Estão cheias de jovens alegres, joviais, optimistas – e cristãos. São imensos, vieram perturbar a paz da urbe. “Q’ orror”…
Que Francisco nos perdoe a exuberância de tanto luxo e grandeza no seio de gritante pobreza.
Estes milhares e milhares de miúdos ostentam imenso luxo, basta olhar para eles e ver como andam luxuosamente vestidos de T-shirts e luxosamente transportados, andando a pé pela cidade (e por todas as cidades portuguesas, não só Lisboa). Devem ser da aristocracia e da alta finança e da “corrupta classe dominante”, segundo reza o jargão comunista.
Pois, ninguém estaria à espera que a juventude que se diverte alegremente viesse equipada neste tempo com Samarras nortenhas. O Santo Padre deve é ter cuidado com os falsos beatos que o rodeiam, como aquele que logo à chegada o abanou de tal maneira que até parecia querer arrancar-lhe os braços. Tal é a febre de se querer mostrar como amigo pessoal de Francisco que até já deixou para trás a grande amizade com Ricardo Salgado. Bem o topo.
Topa-o tanto que quase não há dia sem crítica sua ao PR.
Questiono-me se faria o mesmo caso algum dos candidatos alternativos, Sampaio da Nóvoa e Ana Gomes, tivesse vencido as presidenciais de 2016 e 2021.
Até admito que se possa tratar de uma fixação doentia por não perder uma oportunidade de o visar, mas obviamente não me demito.
Sinta-se à vontade. Os seus desabafos têm sempre aqui guarida.
Oh Aarão ‘gritante pobreza’ , não exageremos que Deus pode castigar.
Marques Aarão, quero crer que ele bem dispensava muitos destes gastos com isto tudo. Mas a sua liderança não é de “líder supremo”, embora muitos (demasiados) assim o vejam. Tudo isto é responsabilidade de muitos católicos que, bem colocados, extravasaram o seu beatismo e interesses.
Agora, em resposta a muitas opiniões que tenho lido e ouvido, que dizem estes mesmos opinadores, dos “festivais” medonhamente desmedidos de celebrações nacionalistas com milhares e milhares de homens e mulheres nos seus equipamentos militares, a abarrotar dezenas de Parques Eduardo sétimos, ou Terreiros do Paço em desfiles massivos e compactos? Garanto que nunca ouvi uma única palavra sobre isto a tantos e tantos amigos e conhecidos.
Ainda bem que vivemos em democracia. Sinceramente. Porque noutras “democracias”, tanta crítica ao “sistema” teria graves consequências.
Desejo-vos boas férias, descansemos, porque temos muitos combates pela frente: a habitação, os salários, a saúde,…o avanço da extrema direita.
Caro Pedro, não sou católico. Porém…
Os outros desfilantes do costume (LGBKJFJVDHBVDHBVJDH+400, Profes, etc.), os que estão sempre a procura de um direito qualquer, parece que estão sempre zangados e contra o mundo todo. Têm esgares de ódio e trucidam tudo (e todos) à sua passagem. Porque “têm o direito”. São bem piores que o velho do Restelo. (“Papá, podes me vir buscar, que a manifestação contra os malandros dos destruidores do planeta já acabou.”)
A grande diferença destes incríveis grupos JMJ, que ontem, pela televisão, me deixaram com “lagriminha ao canto do olho” de felicidade, é que estes estão sempre alegres, em festa pelo mundo, acolhendo, cantando, contangiando de alegria tudo o que tocam. Sentem-se “devedores”.
Os meus impostos vão para isto? ÓPTIMO!
Pois claro, e sendo voce um desses paizinhos endinheirados, que pode pagar quartos a mil euros, comprar moedinhas comemorativas em ouro, pagar todas essas brincadeirinhas e no fim, receber a tal chamada dos “ricos filhos”, feita naturalmente de um Iphone 13 ou 14 ultimo modelo, para os ir buscar, no mercedes ou similar, mas ainda bem que a auto estrada de Cascais não esta congestionada e a coisa e la longe.
Sempre, claro esta, com a tal lagriminha de felicidade no canto do olho.
Cá está um dos tais. Espumam ódio por verem milhares de jovens exibindo genuína alegria. E estrangeiros, grande parte deles. E católicos, ainda por cima!
Coitados, vão sofrer muito durante o resto da semana.
Roídos pela xenofobia, pela cristofobia, pela aversão a jovens e ao optimismo que eles transportam.
Leio estas linhas, ditadas pela intolerância e pelo azedume mais viscoso, e associo-me ainda com mais entusiasmo aos felizes visitantes de todo o mundo que temos o privilégio de receber em Portugal: viva a JMJ!
Se calhar estas mentes bem-pensantes (devem andar a ler o Público) ignoram que as comunidades cristãs são as mais perseguidas em todo mundo, vitimas de todos os crimes que estão no cardápio de horrores dos comunistas, dos bloquistas e dos plataformistas. Enfim, a esquerda sempre teve uma relação impossivel (costuma dizer-se que é difícil, mas na verdade é impossível) com a verdade.
Será mais catolicofobia.
Padece disso? Estimo as melhoras.
Cruzo-me com eles nas ruas e sinto-me contagiado pela saudável alegria deles.
Precisávamos mais desta atmosfera insuflada de optimismo. E deste banho de juventude num dos países mais envelhecidos do mundo, onde crianças e jovens se vão tornando raridade.
Muito mais.
Cruzo-me com eles e digo-lhes: bem-hajam.
Não me diga que também anda a fazer o pino, inebriado com as belas e sedutoras jovens Freiras no Parque Eduardo VII.
Alguns já se assustam ao verem tantos jovens. Devem sentir-se, subitamente, noutro país. Talvez seja o seu caso. dade/noticia/portugal-sera-pais-envelhec ido-uniao-europeia-2050-1890619
Não admira: prevê-se que Portugal seja o país mais envelhecido da União Europeia em 2050.
https://www.publico.pt/2019/10/19/socie
Não há ruivas. E a Joana Latino não chega para as encomendas.
Latino não me parece apelido de origem escocesa. Fake redhair.
O mais interessante de tudo isto, e não terem ido fazer este “Woodstock beato” em Marvila, no Pragal ou ali nos “PER´s” de requalificação urbana do antigo casal ventoso, ainda e que se calhar as moedinhas de ouro de recordação, faziam um jeitão dos diabos…
Vocês abririam o vosso latifúndio da Quinta da Atalaia, que permanece interdito a olhares públicos durante 362 dias por ano, camarada? Com vista privilegiada sobre o Tejo.
Ah, tanta habitação social que ali podia construir-se.
Tudo muito bem, mas se a igreja tem essa vitalidade toda podia bem ter pago a sua festa. Ou podia, sei lá, ter demonstrado um pouco mais de vitalidade em Fevereiro.
No resto, nada contra. Desde que não me venham bater à porta ou queiram obrigar a ir, façam as missas que entenderem.
Já a forma com tudo foi “organizado” no último momento e o deslumbramento pateta de alguns dirigentes políticos, enfim, é tudo muito à portuguesa, nada a fazer.
NInguém vem obrigado, João. ara-khadem-con-velo-no-soy-yo.html
Religião obrigada é no Afeganistão, onde as mulheres e as meninas regressaram às trevas mais obscuras e mais desesperadas.
Religião obrigada é no Irão, onde as mulheres são presas, chicoteadas e sofrem todo o tipo de repressão, política e social se não andarem de véu na via pública. Como a jovem xadrezista Sara Khadem, que aproveitou uma competição internacional para se exilar e hoje vive em Espanha, enfim livre.
https://elpais.com/eps/2023-01-22/s
Mau argumento, Pedro. Estamos a uns quantos milhares de quilómetros do Afeganistão e do Irão. Não vivemos lá (felizmente), e estão demasiado longe para podermos fazer alguma coisa quanto ao que lá se passa.
Vivendo em Portugal, acho que temos toda a legitimidade para criticar o que cá se passa. E nesse sentido as atitudes dos nossos políticos, essas sim são (devem ser) escrutináveis e criticáveis. O fartote de ajustes directos à última hora para um evento programado há quatro anos é criticável. O dispender de fundos públicos e de serviços públicos para um evento que podia ter sido pago na íntegra, idem. E o mítico retorno económico também, até porque não se vai traduzir em qualquer benefício para toda a gente prejudicada por causa do evento (transportes, acessibilidades, etc). Ouvir ontem o António Costa a dizer que não se podia olhar aos custos quando sabemos o que se passa na Educação e na Saúde é confrangedor, passe o eufemismo.
No resto, nada me move contra a crença dos fiéis, seja em que divindade for (não partilho, respeito), e apesar das minhas desconfianças quanto à religião organizada (o que é diferente de fé) não me incomodam rituais religiosos em espaços públicos – seja uma missa campal enorme no Parque Eduardo VII ou um pequeno ajuntamento de muçulmanos a orar no Martim Moniz. Noutra vida fiz muitas Procissões das Velas e Vias Sacras lá na aldeia; nada contra. Venham, rezem, festejem, sejam felizes.
E nesse sentido as atitudes dos nossos políticos, essas sim são (devem ser) escrutináveis e criticáveis. O fartote de ajustes directos à última hora para um evento programado há quatro anos é criticável. O dispender de fundos públicos e de serviços públicos para um evento que podia ter sido pago na íntegra, idem. E o mítico retorno económico também.
Ouvir ontem o António Costa a dizer que não se podia olhar aos custos quando sabemos o que se passa na Educação e na Saúde é confrangedor, passe o eufemismo.
João, mau argumento para mim é alhearmo-nos do que se passa no mundo contemporâneo sob a alegação de que “está longe”.
Nada está longe, no mundo actual. Pelo contrário. Tudo está cada vez mais perto – por vezes dramaticamente mais perto. Como comprova o caso da corajosa xadrezista iraniana que apesar de fazer parte da elite do regime tirânico de Teerão teve o desassombro de tirar o véu. Algo que tem custado a vida a muitas compatriotas. Algo que lhe custou uma pátria.
Hoje vive em Espanha. Exilada, sabe-se lá até quando. Refugiada. Aqui a dois passos.
Quando falas em “obrigação”, referente a prática religiosa, é nisto que penso. Nada a ver com Portugal, nada a ver sequer com a Europa.
Quanto aos nossos políticos, há imensos motivos e há imensas ocasiões para criticá-los. Posso dizer e escrever isto, pois há longos anos que o faço. bsurdo-15865140
Ainda há pouco, a propósito do disparatado apoio à candidatura portuguesa ao Mundial de Futebol 2030 – a par com Espanha, Marrocos (!) e Ucrânia (!), obviamente com aval do Governo.
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a
Quero ver se todos quantos hoje se indignam a propósito da vinda do Papa e da organização da JMJ em Lisboa farão o mesmo relativamente a isto ou se, pelo contrário, entoarão hossanas e louvores a essa religião em que se transformou a chamada indústria do futebol. Única que muitos praticam, aliás com elevadíssimos índices de fanatismo e sempre, sempre, sempre com o beneplácito financeiro do “deus” Estado.
E os estádios de futebol para o europeu foram feitos com que dinheiro? E dois ou três deles nem eram necessários. O de Aveiro já devia ser atirado abaixo.
Os habitantes de Lisboa, Loures e Oeiras vão poder disfrutar de um parque público interessante, num sítio onde quase só havia lixo.
O pior cego é aquele que não quer ver.
Foi preciso haver a JMJ para finalmente ser reabilitada a vasta zona em redor do rio Trancão, que faz confluência entre os concelhos de Lisboa e Loures e é um passo decisivo para uma frente ribeirinha, junto ao Tejo, até Vila Franca.
Eis uma das obras, inapagáveis, que resulta desta iniciativa. Tem investimento público? Pois claro. Mas é o chamado investimento reprodutivo, como se diz em tecnocratês.
Oxalá houvesse mais, num país como o nosso, que recebe um milhão de euros por hora de fundos europeus – e assim vai ser até 2026 – e desperdiça grande parte deles.
Então o custo desta JMJ não é com o dinheiro dos contribuintes?
Só na Efacec, que decidiu estatizar, o Governo enterra 10 milhões de euros por mês. 3-06-13-Efacec-ate-ser-vendida-Governo-t era-de-injetar-10-milhoes-de-euros-por-m es-a844c08a
https://sicnoticias.pt/economia/202
Uma ninharia, comparada com os 3,2 mil milhões que o Governo já enterrou na TAP. irma-que-nao-ira-devolver-os-32-mil-milh oes-de-euros-ao-estado-15310848.html
https://www.dn.pt/dinheiro/tap-conf
Casos revoltantes, concordo.
Digo que é mau argumento porque o Irão ou o Afeganistão não são para aqui chamados. Não é uma questão de alheamento, é uma questão de não ser disso que estamos a falar (e, de resto, duvido muito que as nossas opiniões sobre o que se passa em ambos os países seja muito divergente). Pessoalmente, acho louvável a coragem da xadrezista de que falas, como de outras que se recusaram a jogar salvo erro na Arábia Saudita. E apoio incondicionalmente que o nosso país dê guarida a refugiados e refugiadas de ambos os países, que queiram procurar uma vida mais livre – algo que suspeito não ser bem visto por muitos auto-proclamados bons cristãos que hoje estão sintonizados nas jornadas. Enfim.
O meu ponto quanto à “obrigação” é muito simples: nada contra a religião desde que não seja obrigado a praticá-la. O que me afasta de modo irreconciliável de qualquer país ou sociedade que não separe as águas (já agora, também seria contra qualquer proibição de culto religioso, desde não atente contra a dignidade física e moral dos praticantes).
Sobre o futebol, nada a dizer. Terás a tua razão, mas tenho a certeza de que não me verás a defender o absurdo de o país se meter na organização de um monstro desses, sozinho ou acompanhado. Se eu nem vou ao Marquês celebrar o Benfica…!
(ainda ontem estava nas notícias que o inenarrável ministro da saúde era mandatário do Pinto da Costa. Algo que nem é novo neste Governo – recordemos o Vieira – mas que é sempre lastimável)
João, saúdo o mais possível ver Portugal como país de acolhimento, de encontro, de confraternização, de abertura ao mundo. Um manifesto risonho e ao vivo contra a xenofobia. É um encontro religioso? Pois que o seja.
Podes recusar isso com base na tua convicção pessoal, contra a religião em geral e a católica em particular. Estás no teu direito.
Mas é inegável o impacto social e cultural desta iniciativa. E que mostra o melhor desta cidade envelhecida e avinagrada, que se prenuncia como a capital mais idosa do continente europeu em 2050 – depois de amanhã, em termos históricos.
Para mim, basta esta onda de juventude para ser motivo de satisfação e congratulação. Seja qual for a íntima convicção religiosa que cada um tiver.
Se algo semelhante ocorresse com uma visita do Dalai Lama, por exemplo, eu diria o mesmo. Não sendo budista.
Se alguém contesta que a maior congregação de visitantes em Lisboa neste século pudesse ocorrer sem apoio logístico e financeiro, tanto do Estado central como das câmaras envolvidas, tem igualmente todo o direito de fazê-lo. Pensando talvez que a segurança, a assistência sanitária, a mobilidade, etc, são de borla – como o ar ou o vento.
Se há iniciativa que “põe Portugal no mapa”, mediático e não só, é precisamente esta. Mais do que todas as Web Summits que sempre contaram com generoso apoio estatal. .
Haverá retorno de tudo isto, claro. Mas o principal retorno, para mim, não é financeiro. É humano. E, sim, também espiritual.
Palavra fora de moda? Quero lá saber.
A igreja não paga um tusto. Estas festas católicas são pagas pelos dinheiros públicos dos contribuintes. A igreja não paga impostos em Portugal, como ainda recebe milhões do estado português. O retorno disto tudo é um O de otários na testa dos portugueses.
Quando vejo alguém refugiar-se em redundâncias (“pagas pelos dinheiros públicos dos contribuintes”), fico logo convicto de que é alguém com relação muito atribulada – ou inexistente – com a Autoridade Tributária.
Se for apenas um caso de cristofobia aguda, desejo-lhe as melhoras. E não me espantarei se um destes dias aparecer aqui até a citar o Papa, quando lhe der mais jeito.
Nada me move contra a igreja católica em particular (como disse, respeito a fé não a partilhando, tenho muitas dúvidas quanto aos méritos das instituições religiosas organizadas; será outra conversa, enfim).
Não sei de que impacto social falas – traduz-se em recebermos muita gente? Se é isso, então é apenas uma questão de escala (dimensão) em relação a outros eventos. Impacto religioso, admito que sim – para os crentes. Espiritual, certo (não desdenho a palavra, mas espiritualidade e religiosidade não serão sinónimas). Cultural… com boa vontade, talvez. É praticamente impossível de quantificar.
Sobre o envelhecimento da cidade (e do país): isso está tudo muito certo, mas talvez se a noção de “custos não importam” do nosso PM (em quem não votei) ou do presidente da CML (em quem votei) se aplicasse a tentar melhorar a vida dos mais jovens, talvez isso pudesse ser invertido. Mas os custos só não importam para eventos megalómanos e para os dirigentes políticos ficarem bem na fotografia. Os jovens que podem, esses, vão emigrando, católicos ou não. E os que cá ficam continuam a ter dificuldades na habitação, no emprego, na saúde, na educação – e nestas condições ou não terão filhos, ou terão filhos mais tarde, e talvez só um em vez de dois ou três. A mesma cidade que agora se orgulha de receber centenas de milhares de jovens de fora tem expulsado os jovens que para cá vieram viver para periferias cada vez mais distantes, algo que não parece preocupar nem a Câmara nem o Governo. E quando chega a hora de arrendar ou comprar casa, ou de ir ao centro de saúde, infelizmente não há “retorno imaterial” ou “impacto social e cultural” que valha.
Em qualquer evento de grande dimensão há envolvimento do Estado, central ou local (ou ambos). Caramba, isso acontece tanto nos Santos Populares como nos festivais de música ou até nos festejos da bola no Marquês. É normal e expectável – nada contra. Mas leio sobre os ajustes directos de última hora, sobre palcos milionários, sobre “fazer cidade” num descampado (descampado esse onde assisti a vários festivais de música entre 2004 e 2006, agora que penso nisso), e pergunto-me: porque é que o contribuinte português, já tão massacrado, tem de pagar mais esta factura? A igreja não tem fundos próprios? Não faz angariações de fundos juntos dos fiéis?
Enfim, não tenho nada contra a festa em si – da parte que me toca até tenho o privilégio de poder estar em teletrabalho, e nestes dias não preciso de me ir enfiar em transportes públicos ou em zonas condicionadas, pelo que não havendo nenhum azar espero escapar à maior confusão. Tenho muito contra a forma como foi organizada, e contra quem vai pagar a factura sem obter esse tão imaterial retorno. Não havia necessidade, como diria o saudoso Diácono Remédios.
(Entretanto, e muito a propósito, temos esta edificante acção do poder local: https://www.publico.pt/2023/08/02/p3/no ticia/camara-oeiras-manda-remover-cartaz-l embra-abusos-sexuais-igreja-2058977?ref=h p&cx=manchete_2_destaques_0)
João, com o devido respeito esses são argumentos simétricos àqueles que levam muitos reaccionários a clamar há longos anos contra o apoio do poder central e dos poderes autárquicos às iniciativas LGBT+, sob os lemas “não nos representam nisto” e “com os meus impostos não”.
Todos pagamos (os que pagamos) para as iniciativas mais diversas, concordemos com elas ou não.
Argumentar – explicitamente ou implicitamente – que só os católicos não merecem apoio do erário ou até, em alternativa, que são (somos) cidadãos de segunda, é algo inaceitável.
Não posso falar por eles, mas imagino que os promotores das iniciativas LGBT+ bem gostariam de ter todos estes milhões disponíveis e ajustes directos à vontade do freguês. Não há sequer comparação possível.
“Cidadãos de segunda” é uma leitura tua, Pedro, não uma opinião minha.
“Com os meus impostos não.”
Isto serve para tudo, João. Tem servido como argumento para as piores causas.
Há argumentos melhores, mais razoáveis, mais sensatos.
Argumentar que a maior presença simultânea de jovens em Lisboa num mesmo evento, vindos de 151 países e com a presença do líder religioso mais conhecido em todo o mundo que é também reconhecido como Chefe de Estado da Santa Sé, não devia ter apoio público é argumento que faz pouco ou nenhum sentido.
Sabendo-se, ainda por cima, que grande parte do dinheiro público agora utilizado se destina à reabilitação permanente de uma zona de Lisboa / Loures muito degradada que aguardava há décadas pela intervenção do Estado para usufruto dos cidadãos residentes nestes dois concelhos, mais se esvazia.
Também sinto uma alegria imensa de ver a minha cidade cheia de jovens de todo o mundo.Lembro a canção do C. Carmo “São como bando de pardais á solta”Sejam bem vindos.💚 .
E sentem-se bem-vindos cá, nota-se.
A minoria hostil nem se chega perto deles. Para evitar contágios.
É uma alegria imensa saber que estes milhares de jovens já nasceram todos no regime Socialista. Comemoremos pois.
O Lucklucky comentador vê “marxismo” em todo o lado.
Você vislumbra “socialismo” seja onde for.
Este milhão (ou mais) de jovens de 151 países do mundo “nasceram todos no(s) regime(s) socialista(s)”?
Parem as máquinas: temos aqui novidade absoluta.
Eu vou explicar a piada.
Vocês não dizem que os socialistas governam em Portugal, 20 dos últimos 25 anos? Então é só fazer as contas…
Você faz lembrar aqueles tipos que terminam cada frase com ponto de exclamação. Equivale a alguém rir-se da própria piada.
Aconteceu-lhe agora: teve de explicar a piada e ficou sozinho a rir-se com ela.
Já estou habituado a que não se riam das minhas piadas. Geralmente isso acontece quando a plateia é trombuda.
Relativize, a vida é demasiado curta para ser levada a sério.
Faz-lhe falta criar uma ONG, como eu fiz. O anúncio foi feito aqui em primeira mão: olidario-com-as-minorias-15954683
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/s
Se essa é a solução fazemos já aqui uma Marcha de Orgulho Ruivo.
Alinho já.
Sim, a maior parte vêm dos regimes socialistas do Terceiro Mundo. E nós para lá caminhamos se o Costa e o regime não arrumarem as botas. Se não fosse a sorte de estarmos na Europa, com estes funcionários todos já estaríamos na miséria absoluta há muito tempo.
V., a maior parte vem dos regimes socialistas do Terceiro Mundo?
Então deixam sair assim os jovens? E deixam haver igreja católica?
Que raio de Terceiro Mundo socialista é esse?
Então deixam sair assim os jovens?
Claro, quanto menos forem lá, mais fica para os outros.
Faz-me “espécie” (como dizia a minha avó) que algumas pessoas fiquem infelizes com a felicidade dos outros, mas cada um é como é (salvo melhor opinião ninguém é obrigado a ir às JMJ, da mesma forma que ninguém é obrigado a ir aos desfiles de quem se sente orgulhoso por ser LGBT+)
Pedro Cunha
Faz-me impressão ver tanta gente enfastiada, irritada, até exaltada com uma multidão de jovens oriundos de 151 países que aqui vêm conviver, confraternizar, rezar, cantar e rir. Sem fazerem mal nenhum a quem quer que seja.
Isto é o inverso do espírito de Quinhentos, que nos levou a todo o mundo.
Agora os ranzinzas que pontificam nas redes querem fechar Portugal ao mundo.
Coitados, que combate mais inútil. Mais um que vão perder.
Só para referir que o parque Eduardo VII tinha multidão na zona relvada, ao centro. As laterais, normalmente ocupadas pela Feira do Livro estavam vazias. Anunciaram 200.000 pessoas na missa. Nem metade. A propaganda e as câmaras podem dar essa ilusão mas basta estar atento….
Atento à “realidade” aí enterrado no sofá de casa?
Melhor continuar assim, sem sair à rua durante toda a semana.
Pode fazer-lhe mal à saúde.
Eh pá!
Obrigado Paulo Jaime, na lateral do relvado não havia ninguém e logo na relva não podia haver 200.000, mas pelas minhas contas seria 198.384.
A fotografia do postal é uma montagem descarada para fazer propaganda e quem ganha é o costa. E ninguém fala do moedas que tanto se tem empenhado, que investe grande esforço, não confundir com endividado.
Com esta lá vai o costa subir nas sondagens.
O Paulo nem precisa de fita métrica. Mede tudo a olho, pela televisão, cada vez mais afundado no sofá lá de casa.
Não quer contaminar-se com a alegria irradiante destes jovens. Se isso acontecesse, ninguém mais o reconhecia.
Faz bem em ficar aferrolhado em casa.
Pois não, estavam provavelmente bem mais. Eu vi nas imagens que tentavam ser mais gerais a lateral do parque ocupada por imensa gente, que confluía para o MarquÊs (como a foto o documenta) e se estendia pela Avenida da Liberdade. Nem nos troféus do Benfica se vê ali tanta gente. Se há tentativa de propaganda, é unicamente sua, e deixe que lhe diga,muita mázinha.
Nenhuma organização política, sindical ou desportiva tem a capacidade de mobilização da Igreja. Que Lisboa seja agora um palco mundial em nome da paz e da salutar convivência entre os povos, algo que só deve merecer aplauso, parece incomodar e até exasperar alguns. Movidos pelo ódio fanático às religiões.
Se mandassem, nenhum destes muitos milhares de jovens oriundos de 151 países tinham aqui chegado.
Com papas e bolos se enganam os tolos. Nunca fez tanto sentido

Sentes-te enganado?
Conta com a minha comiseração.
Não.
Deixa estar. Mais fica…
Hahahaha eu concordo consigo. O meu bairro esta cheio de jovens e agrada-me ve-los em grupos tao diversos e unidos por uma fe que nao partilho mas invejo. Quanto aos velhos do restelo, enfim, vieram passear-se para os comentarios, avaliando pelo pouco que li
Há gente perturbada, no pior sentido, por ver Lisboa (e o país) cheia de jovens estrangeiros católicos, vindos de todo o mundo – até de países onde os cristãos são ínfima minoria, até de países onde os cristãos são perseguidos e considerados cidadãos de segunda.
Esta alegria destes peregrinos faz revolver as tripas a alguns por cá. Têm bom remédio. Tapem os olhos para não ver, tapem os ouvidos para não ouvir.
Ninguém obriga ninguém a fazer nada, ninguém obriga ninguém a aderir a nada. Mas quem nos visita merece respeito, bom acolhimento e pelo menos um sorriso rasgado retribuindo os que eles vão espalhando por cá.
Em boa hora vieram. E a esmagadora maioria dos portugueses, comungue ou não da fe, acolhe-os com comovente fraternidade.
As excepções só confirmam a regra. Felizmente muito poucas.
Certo, mas parece haver uma grande percentagem de portugueses.
Natural. Uma clara maioria de jovens portugueses assume-se como crente – e como católica.
Há mais jovens a frequentar a missa ao domingo do que a militar nos partidos todos juntos.
Exactamente! A alegria deles e contagiante e e’ uma alegria sa.
Alegria capaz de contagiar uns Velhos do Restelo, que até parecem mais novos.
Hehehe isso mesmo
Alguns são casos irrecuperáveis. Parecem-se mais com os velhos dos Marretas do que com o Velho do Restelo.
Poucos, de qualquer modo. Cada vez menos.
As rosnadelas de acinte e mesmo ódio são muitas (ainda hoje Fernando Rosas demonstrou isso mesmo, revivendo o seu espírito albanês de outrora), mas mesmo grande, a patetice fica longe da magnitude de jovens alegres que estão em Lisboa. Só tenho pena de não ter podido juntar-me a eles, embora já não seja “jovem” há uns tempos. É uma incrível golfada de vitalidade.
Rosas é reincidente no jacobinismo mais rançoso, espécie de herdeiro espiritual (com perdão da palavra) do Afonso Costa..
No próprio dia da eleição do Papa Francisco, em Março de 2013, correu às televisões a dizer mal dele – que tinha sido colaboracionista da ditadura, que vacilava perante os poderosos, etc. Tive a paciência de o contraditar aqui nesse mesmo dia.
Estes velhos do Restelo não repararam que a multidão de jovens, concentrada no nosso país, não se veio manifestar contra quem quer que seja.
São gente gosta de tudo que antí, mesmo que isso seja uma tontice e que, quando confrontada com uma enorme manifestação de jovens que, no essencial, apenas se juntaram para alegremente se divertirem de uma forma saudável, à volta do seu chefe espiritual. E por isso ficam coléricos, não reparando na alegria que eles irradiam e na esperança que eles nos deixam de que o futuro do nosso Mundo pode ser melhor do que aquilo que nos parecia. Coitados.
orrigindo:
Estes velhos do Restelo não repararam que a multidão de jovens, concentrada no nosso país, não se veio manifestar contra quem quer que seja.
São gente gosta de tudo que antí, mesmo que isso seja uma tontice e que, quando confrontada com uma enorme manifestação de jovens que, no essencial, apenas se juntaram para alegremente se divertirem de uma forma saudável, à volta do seu chefe espiritual, ficam coléricos, não reparando na alegria que eles irradiam e na esperança que eles nos deixam de que o futuro do nosso Mundo pode ser melhor do que aquilo que nos parecia. Coitados.