Morreu Alberto Luís, advogado, marido de Agustina Bessa-Luís. Casados desde 1945, eram um casal especial. A Agustina gosta de contar que colocou um anúncio no jornal para encontrar um marido, uma “pessoa culta”. Tinha decidido que aquele que, ao abandonar a sala onde a entrevista se faria, olhasse para trás, seria o escolhido. Alberto Luís foi à entrevista com uns amigos, também candidatos (diz-se que teria sido uma aposta) e olhou para trás. Casaram. Durante anos e anos, Alberto Luís foi quem passou à máquina os textos de Agustina, ela que tem uma letra miúda e escreve a azul.
Na Egoísta fizemos um número especial dedicado

à Agustina do qual me orgulho muito. Alberto Luís foi incansável na ajuda que me prestou então. Publicámos os pequenos desenhos, retratos, que foi fazendo da escritora. Chamava-lhe sempre Maria Agustina. Eu gostei de os ver juntos das poucas vezes que tive esse privilégio. Que descanse em paz.

Vi hoje o artigo de Paulo Rangel, no Público, mas não percebi que era uma homenagem póstuma a Alberto Luís. Aparentemente tudo terá acontecido na maior descrição, a pedido da família, à qual Alberto Luís se dedicou totalmente, mesmo nestes últimos anos, que seguramente não foram fáceis, dados os problemas de Agustina. A casa na rua da Pena vai ficar ainda mais silenciosa.
“a maior descrição”
discrição. Escreve-se como se lê (em português não-lisboeta).
Tem razão, grato pelo reparo. Era realmente discrição que devia ter escrito (e nem sequer sou lisboeta).
O português – e qualquer outra língua não se escreve como se lê. Escrevemos ministro mas lemos “mnistro” ou “menistro” ou “mnino”. É que, em português, como no latim, há sílabas curtas e sílabas longas.
Escrevemos ministro mas lemos “mnistro” ou “menistro”
Falso. Diz-se “menistro” em lisboeta, mas portugueses de outras partes do país dizem “ministro”, que é a forma original da palavra.
Em lisboeta também se diz “desanho” ou “coâlho” ou “treuze” para as palavras que na generalidade do país são pronunciadas “desenho”, “coelho” e “treze”, respetivamente. Não é por os lisboetas pronunciarem dessa forma que a ortografia das palavras deve ser alterada.
Belo desenho.
Belo desenho de uma mulher bela, que é como eu nunca vi Agustina Bessa-Luís. Prova provada de que não há “belles toujours”…
Agustina foi e será bela para sempre.
A beleza está nos olhos (cérebro) de quem vê/sente (quem feio ama bonito lhe parece). Quem todos os dias procura a beleza no mundo que o rodeia vive feliz. Não devemos julgar pelas aparências, uma rapariga/rapaz bela(o) podem revelar-se uns grandes estafermos ;o). Nem tudo o que luz é ouro, a maior riqueza pode passar despercebida por não brilhar (ser versus parecer). Ouvi estas máximas centenas de vezes em criança. Tinha um parente que tinha sido pouco favorecido fisicamente e que em criança achava um pouco assustador, mas revelou-se o ser humano mais inteligente e divertido que conheci.
A feiura de uns pode ser a beleza de outros, como por exemplo a sombrancelha unida em países do norte da África que noutras culturas são recusadas por serem consideradas inestéticas. Enfim, o que significa belo?