Membros do grupo fundamentalista Boko Haram, responsável por milhares de mortes na Nigéria
Sou incapaz de diluir a responsabilidade individual dos homicidas em factores étnicos, culturais, sociais ou religiosos.
Um “crime passional” (expressão detestável) pode ser avaliado por factores externos: solidão, ciúme, depressão, desemprego, exclusão social. Podemos tentar “compreender” a vertente externa do crime. E, se formos advogados de quem cometeu esse crime, até talvez devamos invocar tudo isso como possível atenuante em tribunal.
Nada apaga, no entanto, a componente do livre-arbítrio. É o grande trunfo – e também o grande fardo – da condição humana.
Isto ficou, de resto, plasmado na jurisprudência internacional nos célebres julgamentos de Nuremberga que julgaram os responsáveis pelos crimes cometidos durante o regime totalitário hitleriano. A linha defensiva dos réus era invariável: todos tinham agido em obediência a ordens superiores, como se a responsabilidade de cada um estivesse diluída numa espécie de imperativo categórico ditado pelas forças do mal.
O tribunal rejeitou esta tese – e muito bem, condenando a generalidade dos réus a duras penas. Foi uma conquista civilizacional do direito que não deve ser revertida nestes tempos de barbárie à solta em tantos locais – de Paris a Beirute, sem esquecer Ancara, passando pelos crimes hediondos que têm sido cometidos pelas hordas fundamentalistas do Boko Haram na Nigéria. Nenhuma “exclusão social” ou “marginalização” de qualquer espécie justifica o comportamento daqueles que degolam, lançam a bomba ou comprimem o gatilho.
Alá nada tem a ver com isto. É tudo humano, demasiado humano, por vezes insuportavelmente humano.

![17921856_oMNIU[1].jpg 17921856_oMNIU[1].jpg](http://2.fotos.web.sapo.io/i/Bba0461f3/19009305_zEall.jpeg)
Alá tem tudo que ver com isto. É a ideologia islâmica levada às suas ultimas consequências.
“Nenhuma “exclusão social” ou “marginalização” de qualquer espécie justifica o comportamento daqueles que degolam, lançam a bomba ou comprimem o gatilho.”
É impressionante como ainda tomam a sério esses argumentos Marxistas.
Se pensassem sequer um bocadinho veriam que segundo a lógica do argumento Marxista as mulheres seriam o mais provável grupo a formar terroristas no Médio Oriente. São as mais oprimidas, excluídas, forçadas a casamentos, tornadas 2, 3º ou 4º mulher contra vontade.
Existiriam ainda grupos terroristas Assírios, Coptas, Zoroastras e muitos outros povos de que não se ouve a lutar por um seu território.
A violência continuada não se sustenta sem ideias, sem pensamento.
Você vive obcecado pelo marxismo. Cada vez mais me convenço de que é um marxista-leninista na clandestinidade.
🙂
O Marxismo é grosso modo a visão do mundo onde tudo é culpa do Ocidente- leia-se Capitalismo e dos seus símbolos- e todas as posições são tomadas à volta dessa lente.
É um conceito com função utilitária. O objectivo é desconstruir, culpar para paralisar e desmoralizar e assim tomar mais facilmente o poder.
Por exemplo os problemas do Médio Oriente são fruto de quê?
Como é óbvio o primeiro problema no Médio Oriente sãos os Governos que lá estiveram nos últimos 40 anos. A ruína do Socialismo Árabe abriu portas ao Islamismo radical.
Mas para um Marxista a culpa nunca é dos governos, sociedades e cultura locais. É sempre do Ocidente. Os outros são bonecos a serem usados para o combate político no Ocidente.
E se o Ocidente ou os seus símbolos não participam, desaparecem as notícias. Pois já não têm utilidade. Ninguém na Esquerda Marxista se interessa por Assírios. Não são úteis.
A UE tem de continuar a ser o que foi nas últimas décadas: um espaço de liberdade e segurança. Que não pode abdicar de uma em função da outra porque estão interligadas por natureza. Uma Europa mais segura é uma Europa mais livre e uma Europa mais livre é uma Europa mais segura.
Isso são tretas. O espaço de segurança externo- se quisermos ignorar o terrorismo dos anos 60, 70 e 80 – deve-se às armas nucleares e convencionais e à vontade de as usar se necessário. As armas nucleares que referi não existem para atingir alvos militares.
Acaba essa vontade e teria a guerra e a ocupação. Yves Montand explicou.
Se você tem um fetiche pelo peluche europeu é bom saber porque é que o peluche europeu se manteve fofinho.
E o peluche europeu precisa de ter uma cultura que permita criar, forme pessoas que o possam defender. E isso não é estético. Tem coisas feias para os humanistas como armas…
A humanitarian is always a hypocrite, and Kipling’s understanding of this is perhaps the central secret of his power to create telling phrases. It would be difficult to hit off the one-eyed pacifism of the English in fewer words than in the phrase, “making mock of uniforms that guard you while you sleep”.
George Orwell sobre Kipling
Seja consequente então: fuja do “peluche europeu” e busque refúgio num sítio melhor, que eu ignoro qual possa ser. Verá que vai encontrar-se com milhares e milhares de pessoas que se cruzam consigo na direcção oposta. Porque a Europa continua a ser um espaço de segurança e liberdade. E quem sabe isso melhor que ninguém são os que vêem a Europa de outros continentes.
Como pessoa razoavel(vexa) ponho-lhe algumas questões:
É capaz de diluir a responsabilidade dos canalhas que afirmaram sobre as armas de destruição massiva?(300mil mortos depois ainda não foram julgados)
É capaz de valorizar mais os mortos de Paris(inocentes) do que os milhares de Sirios, Iraquianos, Afegãos…que inocentemente têm morrido as mãos de terroristas?
É capaz de desvalorizar a falta de moral de quem paulatinamente, sem resultados palpaveis ou positivos, tem invadido países,decidido quem deve ou não governar, provocado indirectamente a crise que a UE tem em mãos com refugiados e iminencia de guerra na Ucrania?
Eu condeno veementemente os terroristas , fanaticos , imbecis, que tornam a vida de milhões de inocentes penosa.
Uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa; penso que não se vai deixar confundir, ou vai?
No meio de tantas perguntas fiquei sem perceber se concordou ou não com o que escrevi.
O texto começa:
“Sou incapaz de diluir a responsabilidade individual dos homicidas em factores étnicos, culturais, sociais ou religiosos.”
Prossegue:
“Nenhuma “exclusão social” ou “marginalização” de qualquer espécie justifica o comportamento daqueles que degolam, lançam a bomba ou comprimem o gatilho.”
E termina:
“Alá nada tem a ver com isto. É tudo humano, demasiado humano, por vezes insuportavelmente humano.”
Subscrevo tudo.
Mas relevo a última frase:
“É tudo humano, demasiado humano, por vezes insuportavelmente humano.”
E relevo porque, de facto, tudo radica na condição humana.
Mas a um nível ainda mais fundo e primordial.
As atuais e futuras circunstâncias tornam cada vez mais insuportável o fosso cada vez mais fundo entre os poucos que têm tudo e os muitos que não têm nada, fosso cavado pelo regime radicalmente liberal, que tem como estratégia a globalização, como meio a competitividade feroz, como objetivo o crescimento constante e como consequência a subjugação do homem ao capital.
“… insuportavelmente humano.”…
Apetece-me citar Saramago: «Quem mata em nome de Deus converte este num assassino.»
É evidente que Alá nada tem a ver com isto. Mas se eu posso, dentro da lógica dos Evangelhos, combater o ódio e a violência de um cristão com os argumentos desses evangelhos e do exemplo de Cristo. Torna-se mais difícil fazê-lo com o texto do Corão e com o exemplo de vida do profeta Maomé. Neles posso sempre encontrar a justificação para essa violência, ao contrário dos Evangelhos que nunca a justificam. É preciso e é urgente que os muçulmanos que se dizem pacíficos levantem a sua voz. Porque o seu silêncio é ensurdecedor!
Na guerra civil de Espanha, do lado nacionalista, matava-se aos gritos “Viva o Cristo Rei!”
Cristo não mandava matar ninguém. Cristo mandou respeitar a vida alheia.
O que cada um grita no momento em que mata não vincula entidade alguma – e muito menos esse homicídio pode ligar-se a um mandamento divino. Não concebo maior heresia que essa.
Foi o que escrevi.
Concordo em absoluto.
A guerra “justificada” é um conceito operativo no Corão. Mais nenhuma religião o tem ou utiliza, e mais nenhuma religião (ou o seu corpo de sábios) rejeita a actualização e uma interpretação contemporânea dos textos originais. Alá tem tudo a ver com isto. E os seus acólitos partilham desta visão. Vê algumas manifestações ou recusa do jihadismo de onde interessaria que elas viessem? (Manifs organizadas com meia dúzias de muçulmanos organizadas pelos Blocos locais não contam).
Parte da nossa civilização beneficiou dos contributos que nos foram fornecidos pela cultura islâmica. Dos algarismos que utilizamos até inúmeras palavras incorporadas no nosso vocabulário comum. Sem esquecer que devemos aos árabes a reintrodução no Ocidente do pensamento grego clássico – a começar pelo pensamento aristotélico.
Há países islâmicos onde a democracia funciona – com imperfeições mas funciona. Da Tunísia à Indonésia, de Marrocos à Malásia, sem esquecer a Turquia.
Dos diversos genocídios ocorridos no século XX, só um número mínimo pode ser imputado a países islâmicos.
Auschwitz não aconteceu por culpa de muçulmanos. Hiroxima também não. Mao e Pol Pot não rezavam a Alá. Aliás não rezavam a deus nenhum.
Obviamente. Além do Islão há outros problemas no mundo de igual gravidade e com trajectórias semelhantes: o que reafirma a tese de que o Islão é mais uma ideologia (e um universo social) do que um culto.
Falta no islão uma reforma, que separe a ideologia do culto. Isto não impede a existência de sociedades seculares maioritariamente muçulmanas. Como a turca, a malaia ou a indonésia. De resto não esqueçamos que a maioria dos atentados terroristas de matriz fundamentalista tem ocorrido em países de maioria islâmica: Paquistão, Marrocos, Indonésia, Iémene, Iraque, Tunísia, Líbano.
http://m.huffpost.com/us/entry/5717157
Interessante artigo. Vai dar livro, de certeza.
E proporciona muita informação, sem dúvida.
Pedro, concordo em absoluto que não existe causa alguma que justifique o terrorismo. Este consubstancia-se apenas em ataques bárbaros supostamente em nome de Deus, que não pode ser invocado em hipótese alguma para atos de tamanha barbaridade. No entanto convém salientar que não será apenas por atos de guerra em retaliação ou vingança que se poderá resolver o problema do terrorismo, pelo contrário. Os radicais islâmicos alimentam o ódio que sentem pela nossa civilização, mas também querem alimentar o nosso ódio contra a civilização islâmica. É do ódio que eles vivem e se alimentam, para justificar os seus próprios atos terroristas. Por isso convém refletir sobre as politicas internas e externas dos dirigentes politicos ocidentais. Convém não esquecer que a invasão do Iraque levou a abertura de uma verdadeira caixa de pandora, que ainda hoje estamos a sofrer as consequências. Não esquecer as alianças mais ou menos tácitas que as forças ocidentais têm perpetrado com forças radicais islâmicas, no derrube de regimes de vários países árabes, nomeadamente no Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria. Os países ocidentais de uma forma sistemática têm interferido em questões internas de países soberanos, que teriam que ser resolvidos e ultrapassados pelos povos dos respetivos países. Claro que o argumento é sempre o de que esses regimes violavam os direitos humanos, quando sabemos que o que normalmente está por detrás dessas intervenções são interesses estratégicos frequentemente ligados a interesses económicos baseados no petróleo. Quando os direitos humanos são violados em países onde não existem interesses estratégicos, a comunidade politica ocidental não mexe nem uma palha. Nós também tivemos durante 48 anos uma ditadura que violou claramente os direitos humanos mais elementares e não houve nenhuma intervenção estrangeira para libertar o povo português dessa ditadura. Tiveram que ser os portugueses a libertar-se dela, e com toda a legitimidade, porque só os próprios povos o deverão fazer. Infelizmente os dirigentes politicos e militares ocidentais também têm que assumir a sua quota parte de responsabilidade no que está a acontecer.
também a nível das politicas internas convém refletir sobre as mesmas, quando constatamos a existência de sociedades cada vez mais desiguais, com crises profundas de desemprego particularmente dos jovens, sem perspetivas de futuro, particularmente os jovens filhos de emigrantes em segundas ou terceiras gerações que são mais atingidos pelo flagelo do desemprego e posturas descriminatórias que cada vez mais abundam por essa Europa dos bons costumes. No âmbito destas camadas de jovens desfavorecidos desencantados com as sociedades atuais, sem pespetiva de futuro, muitos deles tornam-se presa fácil de ideais radicais e fanáticas que por linhas tortas acabam por lhes dar algum sentido à sua existência, pelo pior caminho infelizmente. Reafirmando que nada, mas mesmo nada pode justificar a existência do terrorismo, no entanto é nosso dever fazer uma análise profunda deste fenómeno, para concluirmos que este não cai do céu, que existem causas politicas, sociais e económicas que facilitam o seu aparecimento e propagação, e relação às quais os dirigentes politicos ocidentais não estão incólumes. Nós ocidentais, temos que fazer precisamente o oposto daquilo que os terroristas desejam que nós façamos, não alimentando o ódio e a discriminação discricionária, porque é exatamente isso que o auto proclamado estado islâmico pretende para dar a entender que estamos perante um choque de civilizações. Nada de mais falso! A solidadariedade que a Europa deverá continuar a demonstrar em relação aos refugiados, que no fundo fogem extamente desse mesmo terrorismo, é um verdadeiro murro no estomago dos terroristas, porque contraria tudo aquilo que o EI quer provar. Por ultimo convém não esquecer que em consequência dos bombardeamentos ocidentais também morre muita gente inocente, nomeadamente mulheres e crianças, que também são pessoas.
Caro Orlando:
Nada justifica estes crimes da barbárie jiadista. As pessoas inocentes que morreram, na rua ou em restaurantes ou em salas de espectáculo não têm que expiar supostos pecados cometidos em seu nome por alguns políticos.
Enveredar por aí é um caminho muito perigosa. Quase de rendição moral ao terrorismo. Está subjacente nesse raciocínio algo como isto: “Estavam mesmo a pedi-las.”
Nada justifica a violência. Mesmo nada.
Quanto à caixas de Pandora, se você quer recuar no tempo então podmos recuar um pouco mais. E apontar como origem inicial de tudo isto a invasão do Afeganistão pela União Soviética em 1979.
Pedro, parece que não entendeu o meu comentário. Disse e reafirmo que NADA, MAS MESMO NADA ((com maíusculas para ver melhor), justifica os atos terroristas. Limitei-me apenas a referenciar circuntâncias de politica externa e interna dos dirigentes politicos ocidentais que têm facilitado a propagação dos ideais radicais dos terroristas. Se estes não encontrarem terreno fértil, terão muito mais dificuldade na sua ação e expansão, e na prática as vítimas seja no ocidente ou no oriente são sempre ( ou quase sempre) pessoas inocentes.
Em relação à caixa de Pandora, não queira comparar a invasão do Iraque, que teve como finalidade o derrube de um governo de um estado soberano apenas para satisfazer os interesses estratégicos obscuros do complexo militar/industrial americano, com a intervenção soviética no Afeganistão a pedido do governo desse país, que como se sabe era aliado da URSS, com o objetivo de o ajudar a combater os rebeldes fundamentalistas chefiados por Ossama Bin Laden, que por sinal era apoiado e armado pelos EUA. Bin Laden, que por ironia do destino se viria a tornar num dos piores inimigos do ocidente e em particular dos EUA. Este foi precisamente um dos exemplos que citei no anterior comentário, em que se pôde constatar o apoio tácito ou expresso de países ocidentais a movimentos fundamentalistas islâmicos sempre que isso favorecia os seus interesses estratégicos. Posteriormente virou-se o feitiço contra o feiticeiro, e como sempre as vítimas são pessoas inocentes. Vítimas simultaneamente da irracionalidade assassina de terroristas, e da irracionalidade de dirigentes politicos ocidentais, que não olham a meios para satisfazer os seus objetivos estratégicos e imperialistas. Não é por acaso que neste momento o governo francês dá mostras de uma certa inflexão da sua posição relativamente ao governo sírio, que como sabemos tem combatido numa clara ingerência nos assuntos internos de um estado soberano, ao declarar agora que o seu claro e verdadeiro inimigo é o estado islâmico. Parece que a história, infelizmente de forma trágica para vítimas inocentes, se encarregou de dar alguma ( pelo menos aparente) responsabilidade e lucidez aos governantes franceses.
E já agora agradecia (se não lhe der muito trabalho), que lesse os meus comentários na íntegra e não apenas na diagonal, para evitar tirar conclusões precipitadas relativamente a supostas teses minhas que nem pela cabeça me passaram!
Os meus antecipados agradecimentos…
Caro Orlando, achei admirável a forma rapidíssima como arruma a invasão soviética do Afeganistão (que se prolongou por dez anos e, essa sim, abriu a caixa de Pandora) dizendo que ocorreu ” a pedido do Governo desse país”.
Limita-se a reproduzir o argumentário soviético da época, que aliás por sua vez reproduzia o argumentário oficial de Moscovo quando os blindados soviéticos invadiram a Checoslováquia, em 1968.
Era sempre “a pedido” desses países, em nome da “solidariedade internacionalista”. Não pode haver exemplo mais flagrante de cinismo e duplicidade moral nas relações internacionais.
Que esses governantes que “pediam ajuda” tivessem sido rapidamente derrubados pelos invasores soviéticos (Dubcek, em 1968, feito prisioneiro e levado para Moscovo em Agosto de 1968; Amin, assassinado em Dezembro de 1979) é talvez um pormenor irrelevante para todos quantos preferem o “pronto-a-pensar” em vez de reflectir sobre os factos.
Pedro, cada um com a sua interpretação da história. Também essa diversidade é parte integrante do livre arbítrio de cada um. Aliás em relação à questão do livre arbítrio, tenho uma posição muito clara e particular que noutro momento e com mais tempo, não deixarei de esplanar.