Ainda as declarações de Soares dos Santos


joaomsandre,

Como foi referido por vários comentadores (que me levaram a acrescentar a minha adenda), Soares dos Santos estava a referir-se ao aumento dos dias de trabalho das empresas. Nessa lógica, os trabalhadores teriam a mesma carga horária semanal (ou mesmo uma carga horária menor) e para completar o número de horas de trabalho semanais, as empresas teriam de contratar mais pessoas. O emprego e produtividade acabariam assim por aumentar.

 

Talvez por ser um merceeiro, Soares dos Santos apresenta contas de merceeiro. Se as coisas fossem assim tão simples, poder-se-ia levar ao limite o conceito de reduzir o número de horas de trabalho semanais ao mínimo possível (talvez umas 10 horas) para que houvesse emprego para toda a gente. Não deixa portanto de ser divertido ver Soares dos Santos quase a defender sonhos de esquerda. Simultaneamente defende também sonhos da direita liberal: trabalho a qualquer altura, sem folgas previstas, sem horas extraordinárias, etc.

 

A verdade é que quando ouvimos Soares dos Santos temos que pensar em quais são os seus motivos. Como ele não é reconhecido pela sua intelectualidade e pela profundidade da sua filosofia, as suas declarações próprias são obviamente motivadas por interesses pessoais (ou corporativos). Neste caso, e sendo o responsável por uma empresa que abre aos sábados e domingos, Soares dos Santos interessa-se por soluções que lhe diminuam os custos. Neste caso, interessa-lhe que se acabe com as compensações extra para quem trabalhe ao fim de semana. Também creio que os motivos que referi no outro post sobre trabalhar as mesmas horas mas pagar menos se aplicariam também aqui.

 

Num comentário ao outro post, André Miguel já refere uma importante falha na lógica: a procura provavelmente não acompanharia a oferta. Nada que preocupe Soares dos Santos, já que toda a gente precisa de comer. Por outro lado o nosso comentador luckylucky também refere no fim do seu comentário algo de interessante: Soares dos Santos acaba por querer impor a toda a gente as suas regras. Isto apesar de já ser possível as empresas privadas operarem ao fim de semana, tal como os vários supermercados da Jerónimo Martins provam. Mais uma vez repito: a Soares dos Santos pouco interessa o emprego ou a economia nacional/mundial. Aquilo que lhe interessa é baixar o custo unitário do trabalho. Isso seria conseguido com o fim das horas extraordinárias e dos custos acrescidos para quem trabalha ao fim de semana. Quanto a isto, estamos arrumados.

 

Em termos de emprego, valeria a pena? Sinceramente não o creio. Li em tempos um trabalho onde o autor argumentava que a razão para a divergência de horários de trabalho na Europa e nos EUA tinha sido a influência dos sindicatos. Nos EUA, quem quisesse trabalhar mais tempo (e receber mais dinheiro) deveria poder fazê-lo. Os sindicatos europeus não o permitiram sem gratificações extra e bastante custosas para as empresas. Isso fez com que os europeus tivessem semanas de trabalho por volta das 40 horas e a dos norte-americanos seja habitualmente de 60.

 

A verdade é que, para ser produtivo e ter uma vida saudável, um ser humano precisa do descanso. Como também gosta de rotinas, o descanso é mais bem vindo se vier a intervalos regulares. E como somos animais sociáveis (uns mais que outros, é certo), é sempre bom que o nosso descanso seja sincronizado com o das outras pessoas. O fim de semana existe em praticamente todas as sociedades e tem frequentemente uma base religiosa. Não sendo crente, penso que a base religiosa será a justificação para uma necessidade humana (e se o fosse poderia argumentar que Deus queria satisfazer essa necessidade).

 

Talvez seja verdade que eliminando o conceito de fim de semana, criando dias de trabalho de 24 horas, etc, a economia crescesse desmesuradamente, o desemprego desaparecesse e houvesse riqueza para todos. Infelizmente para os economistas a sociedade é composta de pessoas que têm desejos, sonhos, necessidades, etc. É por isso que essas noções lunáticas nunca funcionarão. É um pouco como o comunismo científico: até poderia ter bases teóricas sólidas, mas enquanto tiver que ser aplicado em pessoas e por pessoas, nenhum sistema ideal funcionará.

45 comentários em “Ainda as declarações de Soares dos Santos”

  1. Boicoto todas as empresas que trabalham aos sábados e aos domingos. Por isso nunca vou ao Continente, ao Auchan, ao Lidl, ao Intermarché, ao Minipreço, ao Leclerc. Também nunca meto combustível nem vou a restaurantes e muito menos ao cinema.

      1. E mais: também nunca vou à missa porque acho que os Senhores Padres têm direito ao descanso dominical.

  2. João André,

    vem ao encontro aos comentários que produzi no post relativo ao mesmo tema. Convém acrescentar o seguinte: o sistema ideal é idealizar o Homem, ajudando-o a criar um ideal comum que não se confunda com uniformidade.
    A ideia do descanso – escrevo agora como religioso – é também um ideal de contemplação, que é uma atitude criativa (vemos isto nas artes, em todo o tipo de arte). Contemplando a vida e seus movimentos o Homem torna-se co-criador e co-redentor. Mas, pelos vistos, há quem queira decidir o tipo de “contemplação” a que o Homem se deve submeter.
    Abraço

    1. Não quis entrar excessivamente pelo lado humanitário e preferi ver a questão do lado instrumental. Mas percebo aquilo que quer dizer.

      Já agora, não quererá usar um nome (seja o seu ou um nick que use permanentemente) para que o possamos identificar no futuro?

      Abraço.

  3. Senhor Doutor

    Não vou comentar a parte político-económica da longa e sábia prosa, porque infeliz ou felizmente não pertenço ao grupo dos 9,99 milhões de portugueses experts na matéria …
    Só o seu “insulto” bacoco : “merceeiro” e o “como ele não é conhecido pela sua intelectualidade”…!

    Senhor João André (Doutor Professor?)
    1- É de louvar um merceeiro que, com lápis atrás d’orelha e de avental, chega a onde ele chegou… Ao contrario de muitos catedráticos e sábios em números que levaram à falência… a grande “mercearia” chamada Portugal.

    2 – “Como ele não é conhecido pela sua intelectualidade”…
    O Senhor, como Homem culto e da cultura, devia saber que os maiores empresários e empreendedores lusitanos, não foram ou são conhecidos pela “intelectualidade”, como por exemplo: Tomé Feiteira ,Alfredo da Silva e Champaulimoud…. não me consta que Belmiro de Azevedo, seja conhecido e reconhecido por esse lado da vida!

    3- O “inculto”… teve a visão de criar uma fundação… virada precisamente para a Cultura…Com provas dadas …e Trabalho Feito…Conhecido!!!!
    Ao contrário de algumas… muito famosas e conhecidas….mas tão sómente do erário publico!

    1. Trabalhei em tempos numa empresa onde os donos, dois irmãos com a 4ª classe e que tinham herdado o negócio do pai, costumavam dirigir-se a mim com um “ó engenheiro” apenas e só quando me queriam colocar no meu lugar (habitualmente depois de eu ter apresentado ideias novas – boas ou más – para tentar melhorar o processo). O seu “Doutor”, ou “Professor” provoca em mim a mesma repulsa, uma tentativa de menorizar o adversário e tentar ironizar com ele. Funciona com muita gente.

      Em relação aos seus pontos, apenas comento: as contas de Soares dos Santos são de merceeiro. Isso não é insulto em si, a não ser que você veja os merceeiros como gente inferior. O que apontei é que são contas básicas e de somar, subtrair ou dividir. Soares dos Santos sabe-o, por isso as usa.

      É verdade que Soares dos Santos não é nenhum intelectual. Não quer dizer que não seja inteligente. É-o para o que lhe interessa. Se você considera que ser-se intelectual e ter-se inteligência é o mesmo, então receio que não compreenda a diferença.

      Do trabalho feito de Soares dos Santos conheço-lhe um: a empresa que dirige. O resto é marketing.

      Já agora, as suas referências de empresários contam a sua própria história e explicam perfeitamente a sua opinião.

      1. Senhor “Engenheiro” (Sem ofensa)

        Entendi a sua resposta…
        Para responder com mais detalhe, vou perguntar ao Eng. António Barreto e aos muitos colaboradores da Fundação …se trabalham e colaboram numa “empresa” de marketing…

        Bom fim de semana

          1. Senhor JPT

            Só agora li o seu comentário.
            Embora, tarde faça o obsequio de pesquisar na internet:

            Fundação Francisco Manuel dos Santos/ Veja a quantidade de livros editados, estudos, conferencias, etc.
            … Note sff. Isto é serviço público… a expensas da Fundação
            A fundação Mário Soares… subsidiada pelo Estado… o que produz? Biografias do fundador… só! Esta sim é puro marketing politico… mas com ele não tem coragem para se meter…

            Fim de papo… vocês da extrema esquerda… só vêm fantasmas!

          2. (o postal não é meu mas como o comentário me é dirigido editei o comentário, com toda a certeza que o João André não resmungará que meti a foice em seara alheia …)

            Como am diz que é fim de papo assim será, da parte dele. Mas o comentário é tão excêntrico que quero sublinhá-lo, pois não é todos os dias que me penduram no estendal da “extrema esquerda”, normalmente passo por um furioso reaccionário e até já fui elencado ao lado dos neofascistas de cantanhede ou coisa assim parecida e indexado como fóbico de não sei o quê. Fica este para a minha blogobiografia.

            Em relação à “substância” do comentário de am, alguns pontos: a fundação Francisco Manuel dos Santos tem um papel importante? Terá, não me parece necessário negá-lo (nem correr para o google). Na organização de eventos intelectuais na edição e divulgação (tenho para aqui uns livros, apesar de viver longe, o ensino de português, o ensino da história, do Mithá Ribeiro, a classe média, de elísio estanque, acho que mais um ou outro andam por aí nas estantes, um de Vitor Bento pelo menos, mas a esses ainda não li). É isso “serviço público”? Sim, no sentido amplo que a expressão tomou (quantas vezes vejo comentários saudando um bom postal informativo que resumem o elogio agradecimento com um “serviço público”). Mas não é no sentido estrito, o que não menoriza o seu mérito, não é “serviço público”, estatal. Será serviço para o público (creio até que intenta criar público) feito por serviço fundacional.

            O que causa a ira de am é eu ter dito que se trata de marketing. Acontece que eu não sou anticapitalista, contra a comercialização e a iniciativa privada. Como tal não sou contra o marketing, nem veja a actividade como uma malevolência enganadora. É uma política empresarial, muitas vezes associada ao que vem sendo chamado de “responsabilidade social”. Nem sempre através de fundações, às vezes através destas. O que estas fazem não se reduz aos interesses directos da empresa (ou grupo), não é publicidade. Mas é marketing, que pode vir associado a interesses humanitários, religiosos, culturais etc, como me parece ser este o caso. Pois as coisas não são monolíticas, nem os seus condutores. Quem se furibundiza contra uma associação disto ao marketing é quem vê nesta actividade uma mácula qualquer, normalmente gente da extrema-esquerda, anticapitalista ou, em tempos recuados, gente proveniente daquela extrema-direita anticapitalista, muito em desuso hoje, e à qual não me parece que a argumentação da am se associe.

            Depois é esta coisa da “falta de coragem” que me imputa. Não blogo para afirmar a minha virilidade mas confesso que me irrita um bocado isto de comentadores aparecerem, volta e meia, com este tipo invectiva. Um tipo não é obrigado a escrever e bota opiniões porque lhe apetece. Assina-as. E vêm alguns outros, normalmente sob pseudónimo ou anonimato, e dizem-no cobardolas. E quase sempre a despropósito. Está aqui o João André a escrever sobre o Pingo Doce, levanta-se a questão da fundação que lhe está associada. É disso que se fala. De repente am, quando encerra o papo, ainda para mais, levanta outra fundação e como eu (desta vez sou eu) não a refiro sou um cobardolas. Isto não tem lógica nenhuma. Ou, de outra forma, é argumentação típica de grupelho de extrema-esquerda, mandam-se umas bocas para o ar com tom furioso e prontos … E assina-se com uma sigla, para dar um aspecto revolucionário

            fim do meu papo

    2. Comentário típico do provincianismo tuga tão amigo do “respeitinho é muito bonito”.
      Desde quando chamar merceeiro a um dono de mercearias é um insulto?!
      E desde quando alguém vira intelectual só pode subiu a pulso na vida? Ou só tem mérito neste país quem é intelectual?!
      Haja paciência…

      1. Só para esclarecer o meu lado da questão: chamar merceeiro a alguém não é insulto. No meu post apenas quis apontar para as “contas de merceeiro” de Soares dos Santos. As velhas contas de merceeiro são perfeitas para uma mercearia, mas parecem-me desajustadas quando avaliando a economia moderna. Infelizmente, diria…

        E os intelectuais têm tanto valo como qualquer outra pessoa, mas quando falamos de soluções de fundo para uma sociedade, convenhamos que há pessoas que pensaram no assunto com mais profundidade que outras. Soares dos Santos não me parece que pertença ao primeiro grupo.

    3. Um merceeiro que não paga impostos, pelo menos aqui na Lusitânia, prefere pagar aos Bardos.

      Por isso e só por isso deveria estar calado.

      1. Não sendo defensor do Sr. tenho que o informar que está errado , devia pelos menos fazer uma pesquisa via internet e poderia confirmar os impostos pagos , mas infelizmente só vê as noticias em letra “gorda” ou o telejornal.

        A Jerónimo Martins paga impostos devidos em Portugal pela sua actividade em Portugal , deslocalizando a sua sede , não paga é impostos pelos seus negócios exteriores a Portugal , como na Polónia por exemplo , vai declarar os mesmos na Holanda , que tem um IRC muito mais baixo ( É injusto eu sei) e tendo a sede na Holanda , tem o seu rating muito superior a qq empresa sediada em Portugal , logo consegue empréstimos para os seus investimentos a juros mais baixos que se estivesse sediado e subordinado ao sistema bancário nacional .

        Portanto o grupo Jerónimo Martins paga a TSU , o IVA , o IMI , imposto circulação , IRC sobre toda a sua actividade em Portugal . Essa história de este grupo ter mudado a sua sede fiscal para a Holanda é muito engraçada e avalio por aqui a má informação de muitos comentadores na altura porque na verdade não sabem do que falam , se o soubessem não se teriam indignado com o grupo Jerónimo Martins mas antes (muitos anos antes) teriam feito o mesmo “espalhafato) com a Sonae , com a Galp , com a PT para mencionar só alguns .

        Aliás o caso da PT é exemplo típico disso , quando a telefónica tentou fazer uma OPA á PT ,quase que houve uma mobilização nacional em sua defesa , empresários , bancários , comentadores , até Socrates e o seu governo saíram em sua defesa , colocando Portugal á mercê de levar um processo no tribunal europeu e multas pela UE por interferência comercial entre empresas europeias ( a tal livre concorrência que só funciona para alguns papalvos – nós) , mas todos se calaram , todinhos , quando após um bom negócio a PT só vendeu a sua participação na empresa de telecomunicações Brasileira , no maior negócio mundial do ano , e foi declarar esses lucros á sua sede holandesa , não pagando por isso em imposto de selo aos cofres nacionais mais de 200 milhões nem tão pouco o IRC correspondente ao lucro obtido . claro que para os accionistas institucionais isso foi brilhante , receberam todos mais dinheiro fora de Portugal , menos os pequenos e pobres accionistas nacionais (aqueles que possuem apenas umas 1000 acções que o prof . Cavaco andou para aí a vender )que tiveram de pagar o tal imposto cá em Portugal .

        Ora não percebo porque se critica a Jerónimo Martins por mudar a sua sede e não se criticam os que anteriormente o fizeram …

        Se querem criticar , critiquem quem realmente nos rouba dinheiro e lucra com o desvario dos políticos , falem da BRISA , da Lusoponte , do grupo Mota-engil , dos bancos , dos contractos PPP e contractos SWAP que lixaram a nossa contabilidade , esses sim são os que nos roubam e nada dizemos … Se queremos um governo sério temos de ser mais atentos e mais informados , assim só andamos para aqui a dizer mal dos que menos roubam … (e não estou a dizer que este SR. Soares dos Santos seja honesto , nem o conheço e nem simpatizo com algumas duas suas visões laborais e financeiras) .

        1. Já agora, do meu lado não lhe critico as jogadas para não pagar impostos. O trabalho dele dar dinheiro à empresa, não é beneficiar o país. É por isso que depois não tenho a menor vontade de o ouvir: aceito-lhe as acções como empresário, mas não estou para lhe ouvir as moralizações. É como saber que um padre tem sexo com outras pessoas mas depois vê-lo a pregar a castidade…

        2. É evidente que o IVA, EMI, Circulação e TSU os paga cá, nem os poderia pagar noutro lado, já os lucros são desviados através de pseudo emprestimos para a Holanda fazendo com o que paga de IRC seja diminuto, eu sei do que falo e só me estou a referir aos negócios cá em Portugal.

    4. Senhor am
      De facto de merceeiros está o país muito bem servido, uns inteligentes (poucos e honestos), outros espertos (como o visado neste post que de honesto pouco tem, basta atender à sua fuga a pagar impostos em Portugal) e outros de que é melhor nem falar (os tais que levaram o país ao estado em que está).
      Quanto à Fundação, deveria ter escrito afundação, pois a mesma só serve para fugir aos impostos, apresentando sucessiva e anualmente prejuizos e da qual não se conhece nenhuma actividade verdadeiramente cultural, social e participativa, objectivo de uma Fundação.

    5. Senhor(a) am,
      habitualmente, e sempre habitualmente, “borrifo-me” para títulos académicos e para figuras cifronárias (vem de cifrões, é o meu lado criativo). O que me interessa são as pessoas. Não venho em auxílio de João André, ele não o necessita, mas o seu comentário obriga-me a agir.

      Pouco me importa o que fez Soares dos Santos, Champalimmaud e tantos outros. E não me importa porque entendo que na vida devemos (repare que usei a primeira pessoa do plural) fazer o que devemos (que vem de dívida e de dever). Se tudo isso foi feito por dívida, ninguém lhes deve nada; e se foi feito por dever, o mesmo os obriga.
      E a dívida e dever está aí para nos colocarmos como servidores de todos, e nunca de nós mesmos chamando outros para um serviço que não é.

      Nota: Meu caro João André, após meditar no seu convite, o de usar um nick, decidi usar um: Vento. Explico: porque o vento vai e vem e nunca ninguém sabe de onde vem nem para onde vai. Vento é espírito (no hebraico, Ruha; no grego, significa Sopro).
      Gosto muito de o ler.
      Abraço

        1. João André,

          Uma discordância expressa nunca é uma negação da qualidade do texto, mas uma visão diferente sobre um mesmo tema.
          Creio que já discordámos por aqui, e nenhum mal veio ao mundo.

    6. Merceeiro??? O homem estudou no Almeida Garret no Porto e tirou Direito em Lisboa!!! Eu sei que os portugueses gostam muito de sonhar com o homem que veio do nada, mas a realidade é muitas vezes muito distinta. Soares dos Santos é um homem que vem de uma família em que o seu avô era de facto um merceeiro mas o seu pai já se havia descolado desse rótulo pela sua astucia para o negócio e o Alexandre SS nunca precisou definitivamente de ter um lápis atrás da orelha. Facto.

  4. Família; procriação; educação das crianças (aka socialização); incremento de redes de entreajuda (um mutualismo exo-estatal); religião; apenas alguns temas caros a algum pensamento pouco dado ao estatismo e aos direitos adquiridos, que seria interessante conjugar com o fim do fim-de-semana, sem recorrer ao argumento do ideal contemplativo …

    1. Há muitos argumentos, sejam eles de que lado sejam da barricada. Como escrevi acima, o fim de semana é para mim uma invenção humana para responder a necessidades básicas. E é por isso que não deveria desaparecer com as mudanças que Soares dos Santos preconiza.

      1. Neste caso gosto da palavra “barricada” (e do iconográfico que faz despontar): pois não vejo o fim-de-semana como uma invenção que satisfaz as necessidades humanas. Mas sim como resultado de lutas para aligeirar os processos laborais, sobreextensivos, e como tal uma opção, muito válida.
        No fundo é como o dever das férias (às quais continuamos a chamar direito mas é um dever). As necessidades humanas (no sentido de naturais) satisfazem-se sem férias. A gente optou, ao longo da história, por as consagrar e tornar obrigatórias. [não falo no populista “direito” a “passar férias” mas sim no “direito” a “ter férias”]

  5. Permitam-me discordar da tónica deste post. A ideia em si é boa, desde que aplicada de uma forma séria, o que em Portugal se pode tornar complicado devido a mediocridades várias (legislador, patrões e/ou trabalhadores oportunistas, etc).
    Na verdade, foi a ideia de se trabalhar menos horas (com o corte proporcional do salario) e em contra-partida as empresas empregarem mais gente, que a Holanda usou para ajudar a sair da crise por que passaram no início dos anos 90.
    Mais, algumas empresas como a Philips, mantiveram o horario de trabalho semanal, compensando a redução do salario com dias de férias extra. Ainda hoje, funcionarios antigos da Philips e de algumas das suas spin-off’s gozam de 13 dias de férias extra todos os anos: os “verlet dagen”.
    A ideia em si é válida e revela inteligencia por parte de quem a lançou.
    Haja quem a leve a sério e esteja disposto a tirar benefícios para todos. Afinal o que é melhor: ganhar menos ou pagar mais impostos???

    1. Caro José Magalhães, eu permito sempre que discordem de mim. Nem quero pensamentos únicos nem tenho sequer poder para impedir as discordâncias :).

      Conheço bem o caso holandês (afinal de contas trabalhei na Holanda 6-7 anos). Lamento dizer-lhe que muitas empresas holandesas estão agora a voltar a retirar os dias extra de férias que foram dados no passado no lugar de aumentos salariais. Nem todas, mas é cada vez mais notório.

      A redução do horário de trabalho é uma boa noção (que tem obviamente limites, não faria sentido diminuir o horário de trabalho para menos de 50%). Aquilo a que me oponho é o fim do fim de semana. Nada mais.

    2. Um corte proporcional de salários em Portugal só pode ser aplicado em certos níveis de salários, porque os mantém ainda, aos que os usufruem, num nível capaz de poder continuar a viver. De outra forma acontcerá se aplicado a quem já não vive e sobrevive com os salários que tem.

      Eu sei qu € 600,00 mensais são suficientes para quem vive em casa herdada e cultiva o quintal, já não digo o mesmo para aqueles que não possuem tais heranças. Em Portugal, com o surto migratório para o litorial e a concentração nesta área da população e dos demais motores económicos, ocorreu uma transformação nos modos de susbsistência, com a consequenta perda das “enxadas” de outrora.

      Quando pensamos nas necessidades de levar a efeito transformações não o devemos fazer por comparação, mas pela readidade em que nos inserimos.

  6. JPT

    Ena pá!!… esta é mesmo de inteclualissimo….
    Mayday… Mayday… SOS SOS ..
    Por caridade cristã, haja alguém que me traduza este “pensamento”.

    Obrigado

  7. Isto faz-me lembrar um pouco aquela história do cigano e do burro… “Atão, agora que eu tinha conseguido que o animal trabalhasse o dia todo, e não comesse nada, é que o desgraçado morre!!??”

  8. Qual é a grande diferença entre alguém como Soares dos Santos e alguém que trabalha por conta de outrem?
    Entre, por certo, muitas diferenças, escolho simplesmente uma: um explora e outro é explorado.
    Hoje mais do que nunca, quem explora não enxerga humanismos, apenas números. No entanto quem é explorado não enxerga números, apenas humanismos. Contudo importa lembrar que um ser humano vive, quando muito, 80 anos. Durante esse tempo, todos deviam ter direito a crescer, construir e realizar seus sonhos, mas infelizmente não acontece, muito menos quando o mundo esta contaminado com pessoas que se julgam superiores a outros e por isso se julgam como justos mandatados por algo acima de toda e qualquer compreensão humana. Assim sendo, a Humanidade perdeu a sua condição essencial em prol de um materialismo onde tudo tem um preço, onde tudo tem um custo. No entanto esta forma de humanismo quer também usufruir do melhor que há, nem que, para assim se sentir tenha de se relativizar em relação ao próximo, e é precisamente daqui que surgem as alegadas diferenças entre uns e outros.
    Amigo, quem vê de baixo, vê apenas o seu problema, quando muito alguns se juntam à mesma causa. Quem vê de cima, vê como quer e gosta.

  9. Senhor João Andre ..diga-me por curiosidade com tamanha sapiciencia intelectualidade e conhecimentos na área da economia …qual é a sua solução ?
    Não concordo com tudo o q o q Soares dos Santos diz..mas não lhe retire o mérito daquilo q ele fez …sim tem como objectivo o lucro ( esse é o objectivo de uma empresa vem nos manuais…mais basicos )… depois antes de criticar tanto fale com um funcionário do grupo Jeronimo Martins ..talvez se vá surpreender com algumas coisas e pela positiva .E não não trabalho no Grupo Jeronimo Martins …não ganho nada em o defender ..mas custa-me q alguém analise e critique tão basicamente alguém. Sabe porque é tão fácil criticar o Soares dos Santos ? porque ele fez algo …se calhar critica-lo a si já e mais difícil…a humildade nunca fez mal a ninguém …

    1. Primeiro: tenho alguns antigos colegas a trabalhar no grupo. Uns dizem-me bem. outros mal. Independentemente disso, não vejo a relevância.

      Lamento mas nãou sou um poço de sapiência. Como cidadão que se tenta informar e pensar pela sua cabeça, o que fiz foi ler uma notícia, ver a proposta nela incluída, pensar nos motivos por trás da proposta e nas consequências da mesma. Poderei estar errado? É evidente que sim. Quer propostas alternativas? Olhe, as minhas não vão necessariamente no sentido de melhorar a economia, vão no sentidod e tentar melhorar a sociedade. Uma hipótese nesse sentido poderia ser de reduzir parcialmente o horário de trabalho e manter os fins de semana. Os salários poderiam em contrapartida ser mantidos (ou onde sejam mais altos, reduzidos) para compensar o aumento dos custos unitários. Não melhoraria necessariamente a economia, mas isso nunca é o meu objectivo.

      Claro que Soares dos Santos está interessado no lucro. Eu bem o sei, por isso mesmo decidi avançar um passo extra e ver quais os interesses pessoais que ele poderia ter na ideia. Fez o mesmo?

      Porque diabo de razão não poderia eu criticar o Soares dos Santos? «porque fez algo»? A crítica é também agora um sinal de falta de humildade? Se assim é, bendito o povo que seja pouco humilde. Em Portugal há a mais.

  10. Boa tarde,

    O seu post está em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.

    Atenciosamente,

    Catarina Osório
    Gestão de Conteúdos e Redes Sociais – Portal SAPO

  11. Não sei se viu a entrevista mas julgo que não pois só comenta esta ideia de Soares dos Santos e não todas as outras . Começo por dizer que não admiro Soares dos Santos nem Belmiro de Azevedo , assim como também não admiro a hipocrisia do pessoal do BE que nunca apresenta soluções , apenas cria cismas , para este último é mais importante legislar sobre o “piropo” do que por exemplo o apoio social a famílias numerosas . dito isto , eu VI a entrevista.

    Na entrevista Soares dos Santos disse muito mais coisas com as quais concordo , outras que não concordo e outras ainda que são autenticas “bacoradas” .

    No entanto estamos aqui a falar do alargar dos horários e será este o ponto que comentarei , eu concordo . Admito as suas razões , admito que por detrás desta opinião de Soares dos Santos existam outros interesses , no entanto factos são factos e a liberalização dos horários dos hipers trouxe na altura a criação de mais de mil postos de trabalho . Na entrevista também foi referida a possibilidade de em vez de se dispensar milhares de trabalhadores do estado , porque não criar horários alargados dos serviços públicos , em que cumprindo o horário individual , criar-se-iam turnos para que os serviços públicos ( finanças , segurança social , serviços camarários) pudessem servir os cidadãos sem que estes tenham de perder horas (muitas) de trabalho para resolver os seus assuntos ; Esta a meu ver é uma boa proposta . Mas parece-me que o que João defende é precisamente o contrário , se a maioria dos portugueses tem um horário de 40 horas semanais , porque razão os trabalhadores do estado não o deverão ter ?porque razão muitas câmaras municipais encerram serviços á Sexta-Feira após o período de almoço ? Porque razão muitos colaboradores dos serviços estatais podem (podiam) tirar 1 dia por mês do seu período de trabalho , sem justificação ? Numa altura em que estamos a necessitar de mais postos de trabalho e menos desemprego , ignorar medidas que mantenham ou produzam mais postos de trabalho , não me parece ser boa ideia.

    Soares dos Santos também falou de outros assuntos muito prementes que parecem ser ignorados e são de urgente importância , falou de casos em que o estado comporta-se como autentico empecilho á criação de emprego , como o governo diz uma coisa mas os seus serviços fazem outra completamente diferente , por exemplo , como o banco do estado (CGD) recebe dinheiro do BCE a taxas inferiores a 1% mas pede 11% a jovens agricultores que querem aumentar a sua área de cultivo , como o ministério ou secretaria da agricultura tem (ou teve) uma estrutura enorme mas os seus técnicos não ajudam sequer na divulgação de culturas rentáveis , na criação de cooperativas ou na prospecção de novos mercados , deixando tudo isso nas mãos do agricultor como se este tivesse capacidade para o fazer . Soares dos Santos deu ainda um exemplo , o do sector do Vinho , em que os seus hipers na Polónia queriam importar mais vinho nosso de qualidade e este não existia pois em Portugal os pequenos produtores não possuem capacidade de agregação para optimização e racionalização de custos e o estado nada ajuda . E eu dou outro exemplo , se for a um hiper , secção de peixe , procure por Douradas , irá verificar que muitas senão todas têm origem na Grécia ou em Espanha e nós com um mar enorme , sabia que a agência do ambiente chumbou a criação de viveiros piscícolas nas antigas salinas no Algarve pela simples razão de que uma determinada ave faria o seu ninho nesta zona desde á 20 anos , após as salinas terem sido abandonadas e com isso não se geraram mais de 400 postos de trabalho ? ESTAS SÃO A MEU VER AS SITUAÇÕES COM QUE NOS DEVEMOS DEFRONTAR . Para haver trabalho ´, emprego , é necessário haver empresas e regras também , nisso estamos de acordo , se o nosso objectivo é não haver deveres só direitos então vamos a caminho de países como Cuba , Venezuela , será que é isso que queremos ?Uma economia estatal sem saída alguma ?

    Claro que com todo este meu discurso que já vai longo , defendo também e principalmente que deve haver um GRANDE controlo dos nossos banqueiros e maiores empresários , é aqui que está a nossa divida (SWAP’s , PPP’s , BPN , BES , BCP , CP,etc. ), não nas contas do cidadão normal como querem fazer crer .

    Boa “bloggagem”
    cmp

    1. Não, não vi a entrevista. Quando o vejo na televisão mudo de canal. Faz-me mal à digestão. Comentei a notícia que veio no link acima. Deveria bastar.

      Antes de mais: não tendo nada a ver com o BE (fora amigos, que os tenho em todos os quadrantes), não comento essa parte do seu post.

      Em relação aos funcionários públicos, a minha experiência de os ver trabalhar é que trabalham mais que as 8 horas. Conheço uns quantos que fecham de facto o serviço ao público mais cedo que o previsto (é errado, concordo) porque necessitam da calma para poder terminar o resto do trabalho (uma repartição tem muito mais trabalho que aquele que envolve atendimento). Há muitos que trabalham pouco ou mal, mas encontra disso em todo o lado (dar-lhe-ia 10 exemplos em menos de dois minutos só nos locais – privados – onde trabalhei). Os funcionários públicos são bodes expiatórios convenientes.

      Quanto ao resto, não o compreendo bem. Queixa-se da falta de eficiência do estado de uma forma que me faz pensar que nada tem contra a sua intervenção apenas, contra a falta de eficiência. Se alinha por esse diapasão, estamos de acordo. A CGD deveria de facto ter a função de injectar dinheiro na economia (através de negócios) sem se preocupar tanto com o lucro. Deveria ser essa a função de um banco estatal. Já muitos dos problemas com a agricultura e com as pescas podem ser assacados aos governos Cavaco Silva, que permitiu a Bruxelas impôr o desmantelamento da frota pesqueira e restrições à agricultura portuguesa sem ao abrigo das PAC e quejandas.

      Já agora, sinceramente não acredito nas razões de Soares dos Santos em relação ao vinho. Portugal produz muito bom vinho mas não produz muito vinho de grande qualidade. É por isso que para ter qualidade, os produtores que estão a levar o vinho português ao mundo preferem apostar na qualidade e nos preços (um pouco como a indústria do calçado). Pelo menos é isso que uma antiga colega minha, que produz vinho de qualidade para exportação, me explica (com garrafas a 15-50 € e se a qualidade não for a que ela quer, vende com outra marca e exclusivamente em Portugal).

      Abraço.

      1. Estamos então falados , não viu a entrevista . Eu peco por aí , mesmo que não goste da pessoa , dos seus actos no passado , antes de criticar tento perceber o que realmente afirmou e não o que alguns disseram que disse , mesmo porque hoje em dia nem na comunicação social podemos acreditar.
        Penso que em muito até estaremos de acordo , em algumas coisas obviamente não estamos .
        Nomeadamente em relação á função publica , concordo que não se deve e até é desonesto diabolizar quem trabalha nos serviços do estado porque há boa gente e maus profissionais , no entanto lamento discordar de si , tal como afirma conhecer imensos casos de pessoas que trabalham para além da hora , eu conheço outros tantos que até saem para ir ao ginásio , que demoram 1 hora a tomar o seu café , que levam papel higiénico para casa , que levam bens hospitalares para as suas clínicas privadas , que vêm a televisão afirmar que é impossível conseguir trabalhar 40 horas com qualidade ( funcionário de uma câmara municipal no dia da manifestação da CGTP ) . Ora diz que conhece outros tantos casos de maus funcionários no privado , admito que sim, também conheço mas tem de convir que no sector privado torna-se mais fácil lidar com maus funcionários e são menos frequentes .
        Quanto aos vinhos , se tem uma amiga que até produz vinhos ela deve saber qual a situação actual , não se trata de falta de qualidade , muito pelo contrário , quer-se qualidade , se alguns conseguem produzir bem e ter capacidade para fazer a apresentação do produto , tem de convir que nem todos possuem capital para estarem presentes em feiras e concursos internacionais para mostrar o seu produto , outros não o conseguem por isso mesmo . Pequenos produtores que não possuem conhecimentos nem capital suficiente têm por vezes um produto inferior e de pouco volume quando com as ajudas certas poderiam ter um produto muito melhor e um escoamento como o que a sua amiga tem , o problema é que não existe uma aglutinação destes pequenos produtores , só resultar ter vinha e marca própria a partir de uns 30 hectares e mesmo assim … O que quero mostrar e me parecer reflectir o que foi dito é que com algum incremento se pode melhorar a qualidade , volume e produtividade de pequenos produtores para vinhos de qualidade e exportáveis .

        Quanto ao Sr , Cavaco Silva e as suas culpas , meu amigo , culpas têm todos , incluindo o Sr . Cavaco certamente , mas não descurando todos os que se lhe seguiram até terminar no actual fundamentalista neo-liberal …

  12. Talvez pensando que alguém tem que trabalhar ao fim de semana, para outros se divertirem com as famílias, se crie um equilíbrio de pensamento sobre a matéria.

  13. Fiquei confuso quando o sr. santos afirmou que emigrou para a Alemanha para trabalhar e que vivia num pequeno quarto que trabalhavaque nem um mouro quando aparentemente os portugueses que na mesma época emigraram compraram imediatamente andares carros e passaram a viver como nababos, E que o Alentejo e o Algarve estão pejados de vietnamitas cambojanos e tudo porque os portugueses “não querem vergar a mola, claro que o cavalheiros “se esqueceu” de dizer quanto ganha essa gente e as habitações que lhe põem a disposição por ex. e até porque cá chegam. E tambem não se lembrou que as cenetenas de milhar que lá continuam são excelentes trabalhadores gente séria que só nãp tiveram a”sorte” que o Sr. Santos teve. Como disse o Presidente do SCP tambem disse que o pai tem 80 anos e que a idade potencia um bocado estas (e outras) visões. Vale o que vale.

    1. Não conheço dados demográficos mas sei que a maior parte dos portugueses que trabalhou na Alemanha ou França nos anos 50 vivia em barracas. Se Soares dos Santos vivia nalgum quarto de um apartamento já vivia melhor que eles.

      Por outro lado, os portugueses nessa altura poupavam todos os tostões que tinham para poder voltar para Portugal e viver bem. Os grandes carros que compravam normalmente só faziam quilómetros na ida anual à terra. Vida de nababos só nas férias, para mostrar aos que tinham ficado para trás.

      Já Soares dos Santos deveria ser de facto um coitadinho. Estudou no colégio, foi para a Universidade de Lisboa, começou a trabalhar na Unilever como gestor estagiário… Estou mesmo a vê-lo nos anos 50 a tomar banho de 3 em 3 dias, num quartito de 8 m2 e a comer papas cérelac para poder pagar o comboiozito para Portugal…

      Tretas.

  14. 1 — 4,5,6 —- 11,12,13,14,15 —–,21,22,23 — 27,28 — Seriam estes dias do mês de trabalho do trabalhador (A) e os traços os dias de trabalho do trabalhador (B) ou seja, 15 dias de trabalho mensal para cada um. Era esta a minha proposta para horário de trabalho numa sociedade de 2 pessoas na “gerência” (? não sei se será o termo correcto ) de uma loja de 2ª mão.
    Como dá para ver gosto de sistemas. O outro era na distribuição dos lucros, como segue – 33% para cada sócio, 33% para reinvestimento e 33% para o investidor até ser coberto o investimento e que passaria a 10% como rendimento do investimento sendo que restariam então mais 23% ou para acrescentar ao investimento ou para dividir pelos 2 colaboradores.
    Este sistema nunca foi testado. Só consegui sócio que o aceitasse após 2 anos de procura e a loja ainda por cima faliu após funcionar apenas entre Março e Setembro pelo que não foi possível concluir da sua validade. Além da quantidade de tempo livre nada mais foi possível concluir.

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