Chamamos-lhe 11 de Setembro. O ano não é mencionado pois sabemos que seja ele qual for continuaremos a estremecer perante a menção desta data e perante a recordação do que estávamos nós a fazer enquanto, em directo de Nova Iorque, as televisões nos mostravam que é sempre possível ir mais além no horror, mergulhar mais fundo na incapacidade de compreender o outro, reconhecer as nossas limitações enquanto seres humanos. Cada um de nós lembra-se desse dia com uma memória precisa pois não nos basta rever as imagens dessa terça-feira que passaram vezes sem conta. Torna-se necessário voltarmos a nós, à nossa escala, para encontrarmos algo que faça sentido. O mal, quando nos ultrapassa, pela sua dimensão, deixa-nos longe das razões, das certezas. Tudo é abalado. Regressamos então a nós, como se convocássemos o nosso instinto de sobrevivência e nos quiséssemos salvar frente a uma crueldade que nos atinge a todos, em cheio. Pensamos então que há datas que era bom podermos esquecer. Mesmo que saibamos que nunca o faremos. Esta é uma delas. Chamamos-lhe 11 de Setembro.
Ainda a propósito de uma data…
Ana Lima,
