Ainda 2013 nuns quantos discos. 7: Peixe:Avião, de Peixe:Avião.


escafandro,

Os Peixe:Avião, nascidos na cidade dos Mão Morta e do Rui Rocha, são uma daquelas bandas que, desde o primeiro disco e no que pode muito bem constituir a situação ideal para uma banda de rock alternativo, parecem encontrar-se um par de centímetros fora da zona iluminada pelas luzes da ribalta. Têm sido acusados de se deixarem influenciar em excesso pelos Radiohead mas, existindo de facto angústia e sonoridades escuras e ambientais na sua música, tais acusações sempre me pareceram um bocadinho exageradas (seja como for, convenhamos que há piores influências). O álbum mais recente é o melhor dos três que já lançaram, apesar de, como os anteriores, não me convencer inteiramente. Talvez porque também o som deles me pareça sempre no limiar de algo ainda melhor. Mas vai-se a ver e é esta sensação de estar à beira de qualquer coisa verdadeiramente significativa (uma sensação reforçada pela voz frágil – no bom e no mau sentido do termo – do vocalista Ronaldo Fonseca) que torna a sua música tão fascinante.

3 comentários em “Ainda 2013 nuns quantos discos. 7: Peixe:Avião, de Peixe:Avião.”

  1. Quando começa por se invocar o nome Mão Morta, coloca-se a fasquia a um nível a que só Nick Cave tenta lá chegar… eh eh.
    Estou muito de acordo com a ideia do “limiar de poder ser melhor”, o que é algo estranho de qualificar como qualidade, mas de facto pode ser – boa observação.
    Apareceu um grupo muito interessante, que passou bastante nas rádios, mas de que pouco se falou – Best Youth.

    Aquilo que mais fica de perguntar é – o que seria de tanta nova boa música nacional sem a Antena 3?
    Isto mais para provocar a lógica do privatizar a torto e a direito…

    1. Depois de mencionar os Mão Morta tentei baixar as expectativas referindo o Rui Rocha…
      (Tenho de parar com estas piadas que às vezes dão mau resultado.)

      Creio que a ideia do limiar poder ser melhor é um bocadinho aquela coisa da perfeição ser aborrecida.

      Quanto à Antena 3, tem os seus pontos positivos. Mas, sem estar necessariamente a defender a privatização (desconheço o balanço custos – receitas próprias), nem tudo o que tem pontos positivos deve ser suportado pelo Estado. E o sector privado até tem algumas boas alternativas (embora de cobertura ainda não nacional): a Vodafone e a Meo Sudoeste.

      Quanto aos Best Youth, creio que não lançaram qualquer álbum em 2013. Mas são um dos casos de sucesso do projecto Optimus Discos (http://optimusdiscos.pt/discos), que permitiu lançar várias bandas. Aliás, há um caso que eu até devia ter colocado na lista e não coloquei. Se calhar ainda vou aumentar o número para 21. Acho que não há lei que obrigue a um número redondo.
      (Mas depois hei-de querer acrescentar mais outro e ainda mais outro… Raios. Decido mais tarde.)

      1. Yep, de acordo… a guerra dos telelés tem subvencionado muita alternativa.
        Só me desagrada o estigma racista privado/público que de tempos a tempos é usado num e noutro sentido para destruir coisas que estavam a funcionar bem.

        É “bem” não usar um número redondo… eh eh!
        Porque é bom estabelecer um limite, e é melhor que esse limite não o limite.

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