Ainda 2013 nuns quantos discos. 20: Didn’t It Rain, de Hugh Laurie.


escafandro,

Actores que decidem começar a cantar profissionalmente são uma das coisas mais irritantes que há. Sendo que o inverso é igualmente mau. (For the record, a lista de coisas que me irritam é apenas um tudo-nada mais curta que a lista de promessas quebradas pelos políticos portugueses desde a época em que Dom Afonso Henriques ainda levava palmadas da mãe.) A minha convicção a este respeito é tão forte que não vale a pena mencionarem exemplos que imaginam provar o contrário: obrigar-me-iam a escarnecer da maioria e a ignorar os restantes. Excepções são excepções e fiquemos por aí.

Clarificado este ponto, devo dizer que gosto de Hugh Laurie, até mesmo quando canta. Já gostava quando ele se limitava a temas de candente humor cínico vindos da época do programa Fry & Laurie e gosto agora, que decidiu dedicar-se aos blues. Gosto porque se nota que é um fã genuíno e porque mantém uma faceta de auto-derisão (repare-se no início do vídeo – e atenção à ortografia) que torna difícil acusá-lo de inconsciência ou pretensiosismo, mesmo sabendo-se que nasceu em Oxford, Reino Unido, um sítio tão ligado à comunidade negra do Sul dos Estados Unidos como eu estou ligado à Charlize Theron. Que é como quem diz: fisicamente nenhuma relação, espiritualmente tudo é possível.

2 comentários em “Ainda 2013 nuns quantos discos. 20: Didn’t It Rain, de Hugh Laurie.”

  1. Estás a ser injusto com o meu Hughinho. Ele sempre cantou e bem, não foi a carreira de actor que o lançou na música. E a auto-derisão é uma marca pessoal que lhe fica muito bem, até por ser irritante (lá está). 🙂

    1. Fiquei na dúvida se, cumprindo o prometido no texto, devia ignorar-te ou escarnecer da tua opinião. Optei por ambas as hipóteses. Agora que já te ignorei tempo suficiente, posso passar ao escárnio.
      Nah. E não estou nada a ser injusto. Eu disse que gosto dele.

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