Agora um pouco mais a sério


Sérgio de Almeida Correia,

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Passada a fase da provocação, essencial para se manter o humor, a sanidade e ver o modo como as almas penadas reagem à jocosidade do escriba, convém que de quando em vez se volte a falar de temas mais sérios, deixando a contabilidade futebolística dos debates para os reclusos – no sentido virtual e real – e para os comentadores encartados e pagos.

Um dos aspectos em que José Sócrates, quando foi primeiro-ministro, se mostrou politicamente mais infeliz foi na radicalização do seu discurso e na posse do animal feroz que muitos aplaudiam e em que os seus acólitos se reviam (e revêem, como ainda recentemente se viu numa acção de campanha).

Essa radicalização, que se acentuou ao longo do tempo, permitiu depois a Passos Coelho, com o apoio do PR, ir-se distanciando, à medida que o país também se ia apartando de Sócrates e do PS. Num primeiro momento a radicalização funcionou a seu favor, depois contra si. O agravamento da situação do país em 2010 e 2011 aumentou a tendência radicalizadora. Deve haver quem ainda se lembre disso. Passos Coelho e o PSD trilharam o seu caminho na esteira desse clima e dele viriam a colher frutos, optando ainda hoje por um registo semelhante, ultimamente temperado por razões eleitorais, mas pronto a explodir assim que rodeado da sua malta e vislumbre a oportunidade de colher mais uns votos.

A derrota de Sócrates em Junho de 2011 e a agudização da crise funcionaram como um estímulo para a criação do espírito de trincheira que está em Portugal tão presente nas mais pequenas coisas. Da crónica jornalística aos comentários nos blogues. De um lado e do outro acentuaram-se as clivagens. A amargura funcionou como um estímulo de um lado e do outro, e os mais pequenos ganhos nas discussões parlamentares ou nos confrontos televisivos eram vistos como parte de uma jornada gloriosa que acabaria por aniquilar o adversário. O azedume que cresceu dos dois lados fechou a porta aos entendimentos necessários.

Isso também se viu nos debates entre Passos Coelho e António Costa. Em Outubro, Cavaco Silva vai receber uma batata quente nas mãos. E não vai poder largá-la porque sem maioria absoluta não há posse – presumo que o homem ainda se recorde do que disse – e vai ter de ser ele a resolver o problema para cuja agudização tanto contribuiu com a sua inépcia.

António Costa já disse que não viabiliza um orçamento da coligação PSD/CDS-PP, o que pode ter deixado muita gente estupefacta, não ter qualquer sentido nesta altura e, em meu entender, só pode ter sido mais um conselho que sobrou de um daqueles senhores que idealizaram os etéreos cartazes.

Pergunta-se agora, e com razão, quais as soluções possíveis? Um governo de iniciativa presidencial está fora de questão. Com uma eleição presidencial a escassos meses, com um Presidente em queda acentuada e perfeitamente desacreditado como futuro interlocutor do que quer que seja, qualquer solução para um impasse criado por uma vitória eleitoral sem maioria absoluta obrigará a acordos de incidência parlamentar. Estes são sempre possíveis, embora duvide que tal possa acontecer com os actuais líderes.

Mas se uma coligação à esquerda ou entre os partidos do centrão é pouco provável, então como desfazer o nó górdio?

Passos Coelho e Paulo Portas querem continuar a governar. É natural. As sondagens têm-lhes sido amigas, eles querem puxar por elas, até aí tudo bem. Mas estão longe de uma maioria absoluta e sem esta como vão formar governo? E com quem? Com o PCTP/MRPP? E quem lhes dará posse? Bruno de Carvalho? 

António Costa também pede uma maioria absoluta. E por aí faz bem. Saber se com aquela primeira linha que levou a Vila Real chegará lá é outra história. De qualquer modo, se for o PS a vencer as eleições, essa poderá ser a solução mais conveniente em termos de governabilidade. Se não conseguir essa maioria, a alternativa vai depender da votação do Livre, porque não creio que, apesar das sondagens, o BE entre nestas contas. Apesar de tudo nunca se sabe e ainda faltam muitos dias. 

Se a votação do Livre não for suficiente para formar uma maioria, então a alternativa poderá vir de onde menos se espera. A mudança de líder no PSD, com um eventual congresso extraordinário e a chamada de Rui Rio, com quem Costa já mostrou que se entende razoavelmente bem, não me parece plausível no imediato. E leva tempo. Além de que qualquer derrota eleitoral do PSD quando está no poder, se for de novo o caso, faz o partido entrar em transe.

A solução que resta pode estar no CDS/PP. O interesse nacional, ou o instinto de sobrevivência do partido, pode levá-lo a distanciar-se da coligação logo após as eleições. Na AR será cada um por si. Resta saber se os deputados do CDS/PP serão suficientes para formar uma maioria de governo com o PS e manterem o partido no poder. A hipótese é menos estrambólica do que poderá parecer. As hostes centristas não enjeitam, nunca, uma possibilidade mesmo remota de se manterem no poder. Estamos no campo da lucubração, eu sei, mas não custa nada ir pensando nisso. E desta vez não estou a gozar.

A solução, por vezes, vem de onde menos se espera. E num país onde os candidatos a primeiro-ministro se fazem acompanhar nas acções de campanha por quem não devem, dançam o vira e bebem vinho “Amnésia”, enfiando os pés pelas mãos quando se trata de falar de uma coisa tão comezinha como a segurança social, enfim, num país há muito sem solução, todas as hipóteses que à partida possam resolver problemas são plausíveis. E ainda quando não se queira discuti-las, por serem inconvenientes, não há nada que proíba que sejam encaradas.

 

P.S. Costa patinou no segundo debate quando instado a esclarecer onde iria arranjar dinheiro para poupar 1020 milhões de euros nas prestações sociais não contributivas. Passos Coelho tem patinado todos os dias e a toda a hora, mesmo sem debate, como ainda agora se viu quando afirmou que Portugal iria antecipar um pagamento ao FMI ou quando remeteu para a mesma concertação social a que António Costa se referiu o valor do plafonamento que tanto apregoou, revelando-se de novo como um fala-barato impreparado, embora tenha criticado o adversário e esteja há mais de quatro anos ao leme da governação, o que lhe deveria dar outro conhecimento de uma matéria tão essencial e delicada. 

0 comentários em “Agora um pouco mais a sério”

  1. O Sérgio faz bem, não pode ser só a Bola de Cristal do Dr. Marques Mendes a funcionar e mesmo baça sempre vai divulgando umas coisas.

    Já eu aposto na vitória do Paf com maioria relativa (pequenina) mas depois o Dr. Portas roi a corda no orçamento e assina um acordo com o PS, lixando o comparsa Passos que vai acabar destituído da liderança do PSD e substituído pelo Dr. Rio.

    P.S. – Tem de ser em atenção que o acordo em termos de repartição de mandatos no PAF foi feito com base nos resultados de 2011 logo é muito favorável ao CDS.

  2. O Sérgio pode continuar a lucubrar, mas lucubre sobre a realidade. O Cavaco Silva não disse que “sem maioria absoluta não há posse” – ele disse, e repetiu, que era de todo conveniente que o próximo governo tivesse apoio maioritário na Assembleia da República. E muito boa gente pensa o mesmo, parecendo-me, até, que o Sérgio também partilha dessa ideia.
    Quem primeiro apareceu a distorcer as palavras do presidente foi a “máquina” do PS, no convencimento, pareceu-me, de que essa versão lhe dava vantagem. Mas não é isso que se está a ver.

    1. Se quisermos ser rigorosos, o que o Presidente disse foi que era desejável um governo maioritário e consistente com sólido apoio na AR.
      A conclusão de que não dará posse a um governo minoritário decorre da interpretação feita às suas palavras.
      Alguns comentadores (Marques Mendes) já disseram que seria um absurdo tal interpretação, mas o certo é que ela surgiu de imediato nas páginas da imprensa, e não necessariamente afecta ao PS: http :/ http://www.cmjornal.xl.pt /nacional/detalhe cavaco_so_dara_posse_a_maioria.html ; http :/ http://www.ionline.pt /403728 Cavaco-ameaça–não-dar-posse-a-governo-minoritário ; http :/ expresso.sapo.pt /politica/2015-05-08 PR -exige-acordos-para-dar-posse-a-Governo-minoritario.
      Se o PR levar à letra as suas próprias palavras, sendo coerente, não lhe restará outra alternativa e recusar-se-á a dar posse a um governo que não tenha um apoio maioritário e com garantias de apoio estável e duradouro em sede parlamentar.

  3. Passando um pouco ao lado do artigo…para quando uma investigação séria a este senhor? Os escândalos da banca nacional acabaram por abafar o buraco das contas da Madeira, detectados após a chegada do FMI. Alguém que causa tanto prejuízo e o esconde das autoridades competentes, deve no mínimo ser chamado a prestar contas perante os portugueses, em vez de andar a dar entrevistas e a gozar da sua reforma milionária como se tivesse prestado um bom serviço.

  4. Está excelente esta sua lucubração. Mas convém lembrar o seguinte: o actual Presidente da República viu realizados seus sonhos com esta coligação. E o sonho do Presidente era poder ser Presidente e primeiro-ministro em simultâneo.
    Com Sócrates isto era impossível, porque o bicho não se deixa domesticar, nem mesmo por um Presidente.
    No fundo Cavaco é o um “democrata” à moda de Salazar: Estando dois reunidos já é um conselho, mas prevalece a vontade dele.
    Passos Coelho e Portas necessitavam disto mesmo, de um guarda-chuva. Porque sendo rapazes com vagas ideias não fazem a mínima ideia de como governar.

    Claro está que esta campanha tem demonstrado que o único programa que eles tinham para continuar a não governar era precisamente trazer Sócrates e falar sobre o governo Sócrates. E espalharam-se, porque o feitiço virou-se contra o feiticeiro.
    No último caso os homens denigrem a governação e a dívida de Sócrates, mas esqueceram equacionar que a dívida de Sócrates deixou obras ( e a dívida que eles deixam não só reflecte a continuação do resgate como também que não deixam obras). E são as obras de Sócrates que estão a permitir também receitas ao Estado. No fundo eles atacam o que usam para benefício de suas ditas realizações.
    http://economico.sapo.pt/noticias/divida-do-estado-sobe-13-mil-milhoes-em-um-mes_229427.html

    Está claro que Costa vai vencer as eleições. A matemática bem aplicada e o conhecimento do que afirma Jardim comprovam isso. O mesmo aconteceu na Grécia e noutros pontos da Europa.
    Equacionar um possível apoio ou aliança com CDS é laborar num enorme erro.

    O PS ou governa com maioria absoluta ou simplesmente governa em minoria. E governando nesta última situação só terá de contar que todos os demais se acostarão (palavra propositada) para valorizar o essencial do programa do PS e reclamar algumas coisas.
    Mas a nenhum partido da oposição interessará inviabilizar um programa e governo PS.
    É a oposição que ficará refém do PS e não o contrário.

    1. Vento, você a aderir à velha máxima “ele roubou, mas fez obra.”! Isso era coisa, salvo erro, empregue para desculpar a actuação de uns dinossauros autárquicos do velho Cavaquistão. E eis o Vento, caninamente fiel seguidor do PS ou coisa afim, a recuperar, a sacralizar, esses argumentos.

      E com que dimensão: do “roubo” e da “obra” à escala autárquica, da rotundazinha inútil, do pavilhão multi-usos sem uso, da urbanização absurda, do PDM feito em cacos à medida de um empreiteiro ou de uma fabriqueta, para as dívidas colossais das barragens absolutamente inúteis, das auto-estradas para lado nenhum, das PPPs absurdas, dos TGVs e aeroportos à medida das empresas de obras públicas do regime (isso tudo, claro, depois das coisas menores e já mal-lembradas), do nepotismo e da plutocracia mais descaradas.

      Chega longe o fanatismo…

      Costa

      1. Meu caro, eu tenho dado conta que tem andado a farejar oportunidades para soltar sua ira e meter o dente.

        Na obra que ele fez, em consonância com as regras europeias, andam outros a mijar marcando terreno e apropriando-se das receitas que daí advêm. E você que quer dar ar que caninamente segue outros trilhos não vê isto.
        E também não vê que essas obras que tanto o apupam já não servem de argumento para o momento em questão.
        Elas dão jeito aos velhos do Restelo, mas eu falo de uma nova era. Quem quis sentar-se no banco destes velhotes foram esses que eu contesto, que quiseram trazer ao debate questões de justiça e políticas passadas que também os compromete.

        Chega longe a cegueira e a pseudo-indignação disfarçada de fanatismo…

        1. O meu caro Vento recorre – e isso seria naturalmente de esperar, vindo de si – à sempre tão conveniente quanto substantivamente questionável bengala da alusão à figura do Velho do Restelo: ao entendimento que dele foi carinhosamente desenvolvido para o servir repetida e abundantemente, por parte da alegada intelectualidade dominante e dos vários poderes que se sucederam, a uma vastíssima multidão que dos Lusíadas nem uma estrofe leu e da nossa História e dos Descobrimentos cultiva uma convicta ignorância, e que convinha – convém – por estes dias arrebanhar para a crença de que há que ser “moderno”, como se pretende que se seja moderno, a todo o custo.

          Representa verdadeiramente o Velho do Restelo o reaccionarismo estéril, ou a sensatez, o prudente conservadorismo de quem via uma alegada gesta gloriosa, um vasto império, ser iniciada e sustentada à custa de uma retaguarda absolutamente desprotegida, improdutiva, deixada ao abandono? E que nos mostra a História? Heróis, sem dúvida, determinação e engenho, certamente, novos mundos dados ao Mundo, decerto, para bom uso e abuso do comércio da Europa a norte de nós. Quanto a nós, a ruína que nos revisita com pendular regularidade, o consumo idealista e desenfreado de recursos sem nada que os regenere. E, desconsiderando repetidamente a mensagem do Velho do Restelo, cá estamos onde estamos. Mutatis mutandis , historicamente cigarras…

          Quanto ao mais, Vento, parece-me que nem remotamente aproveito tanto quanto você o faz as oportunidades para, como escreve, soltar a ira ou ferrar o dente. É que você para o fazer e na falta de oportunidades de facto substantivas, inventa-as. Tudo lhe serve. E eu, conceder-me-á, a tanto não chego.

          E ao contrário de si, eu não descarto a delírio socretista . Por muita e grave asneira que os últimos quatro anos tenham trazido, agravando a muita ruína, desonra, desgraça que se haveria de abater sobre tanta gente de bem (e isso tenho-o eu invocado, por aqui, uma e outra vez), por muita impunidade repugnante que enquadre a acção da administração pública em sentido lato (e que não é, de todo, exclusivo destes que agora lá estão), convém não esquecer o que nos fez primacialmente cair neste tremendo lamaçal. Não esquecer e não perdoar. Menos ainda “lavar”.

          Por analogia: se alguém não presta os cuidados devidos a um moribundo e, alegadamente, o deixa em ainda pior estado, puna-se. Mas não se desculpabilize quem, antes disso, o deixou às portas da morte. Que é o que você anda por aqui militantemente a fazer. E tem você tanto direito de o fazer, como eu de o contestar.

          Quanto ao resto, confiemos na sensata moderação dos responsáveis pelo blogue.

          Costa

          1. Naturalmente que o meu caro refugia-se num bola de cristal para tentar dar substância à primeira parte do seu comentário. Não espanta, vindo de si, que mais uma vez fique na mesma quanto ao que pretende materializar.
            Mas verifico, por sua reacção, que se sentiu tocado. A ideia era precisamente essa.

            Na segunda parte do seu comentário não alude ao brilhante espectro do que se pode chamar o renascimento português. Aliás, os Velhos do Restelo não podem alcançar nunca com seu olhar o que se alcançou e tampouco compreender as necessárias renovações e/ou renascimentos que às sociedades se exige. Na realidade nem todos os homens nascem com correntes.
            E isto não se adquire contabilizando custos nem a qualquer preço, mas custe o que custar.

            A terceira parte de seu comentário recordou-me a necessidade de responder-lhe com o mesmo sentido com que fez alusão ao “caninamente”; e lá chegou.

            Na quarta parte de seu comentário – com excepção para o descarte socretista (eu descartei-o. E descartei-o votando contra ele(s) -, verifico que afinal compreende o que afirmei em meu comentário e que também tenho referido.

            A quinta parte do seu comentário só revela a desatenção a meus comentários. Não admira, porque o seu olhar impede-o de ver o real, o real na contraparte.
            E não, não desculpabilizo ninguém. Culpo somente quem pretende culpar sendo culpado também.

            Não necessito chamar a sensata moderação de ninguém, na medida em que em matéria ideológica ninguém é suficientemente sensato para moderar o que quer que seja.

          2. Naturalmente que o Vento reduz o que não vá ao encontro do seu pensamento a coisa de bola de cristal. É uma forma de matar a discussão e um elegante qualificativo do mérito do oponente. Nada que surpreenda, você reduz quem não siga a sua cartilha a, pelo menos, gente do passado, anacronismos vivos. E já é por aqui claro que no seu luminoso raciocínio, Vento, isso de passado é coisa necessariamente má. Mas claro que me senti tocado. Como você.

            Ou não estaríamos ambos nesta troca de impressões.

            Aprecio a sua invocação do renascimento português. Fundamentalmente irrelevante na questão da interpretação da substância da figura do Velho do Restelo, mas alguma coisa precisava você de me responder. A decadência dos povos peninsulares, sem lhes negar os seus instantes de excelência, é coisa por estes tempos incontestável, demonstrada e estudada por gente bem mais qualificada do que eu. Ou você.

            Caninamente, Vento, invoquei eu como devoção incondicional, dogmática, ao chefe e à agremiação. Do que leio de si – e apesar dos seus cuidados em aparentar o contrário – é o que vou encontrando por aqui.

            O seu comentário ao que designa como a quarta parte do meu comentário apenas demonstra algo que ia sendo evidente: tanto se inebria o Vento com o que aqui verte, tanto se orgulha das suas certezas, que tende a ignorar os outros. Ocasionalmente apercebe-se que as suas (deles) ideias até têm – lá muito ocasionalmente – mérito. Porquê? Porque, surpresa, são compatíveis com o que o Vento (evidentemente!) originalmente afirmara.

            O que aliás se verifica também no seu comentário à minha “quinta parte”: tudo o que escrevi padece de invalidade liminar porque, veja-se bem, revelo desatenção aos seus comentários. E pode alguém passar pelo D. O. sem se curvar submissamente ante a figura do Vento e a sua grandeza epistolar? E mais, quem assim ousar, não vê “o real na contraparte” (leia-se, o Vento; que conhece a realidade e detém a sua certeira interpretação). Se se discorda é porque se está desatento. Se se está desatento não se é digno interlocutor. Brilhante.

            Mais mundanamente fico eu a saber que você não desculpabiliza ninguém. Isso, apesar do pueril entusiasmo com que antevê e vem vibrantemente anunciando os resultados que dá por certos para as próximas eleições. Seja, então.

            O Vento termina com mais uma devastadora certeza. Eu, apenas um tipo comum, sou mais modesto. Invoco a sensata moderação dos responsáveis, reconhecendo que esta nossa troca de comentários se afasta do que de facto e neste tópico está em discussão. O Vento, claro, estará acima destas vulgares considerações.

            Costa

          3. Continuo sereno, com a mesma serenidade com que comento os textos aqui postados. Mas não vejo no oponente vontade de materializar suas afirmações.
            Aliás, o Velho do Restelo também revela uma certa bipolaridade. Quer agarrar o presente com o passado.
            É esta bipolaridade que caracteriza o trilho que enaltece.
            O que verte no restante que concerne ao primeiro e segundo parágrafo é uma pequena habilidade literária para tentar preencher o que fica vazio.

            Já no terceiro parágrafo, remeto para a minha resposta: que foi responder-lhe com o mesmo SENTIDO com que usou a expressou “caninamente”. O meu sentido de devoção possui uma natureza humana.

            No quarto parágrafo só pretende atribuir-me suas próprias emoções. E nada tenho a acrescentar.

            No quinto parágrafo enreda-se em retóricas de carácter psicológico para continuar a dar corpo às premissas anteriores. E nada tenho a acrescentar.

            No sexto parágrafo devo acrescentar algo: na realidade eu não desculpabilizo ninguém nem a mim mesmo. Tenho o sentido do perdão. Mas o perdão não tira a culpa.
            Ao que mais verte: seja.

            No último parágrafo verte a típica modéstia que se invoca para enaltecer. E se fosse correcto o que afirma a meu respeito só revela que se equipara.

            Dou por concluídas as impressões. E não voltarei mais a elas.

          4. Fico também por aqui, Vento. Concordemos então que discordamos insanavelmente. Cansa-me, bem vê, bater contra paredes de betão. E a discussão contra quem se sente numa missão de proselitismo é, por sua natureza, votada, na melhor hipótese, à inutilidade.

            Não perca o seu tempo a devolver-me o que aqui escrevo. Faço-o eu já aqui.

            Costa

          5. Destaco estas palavras :

            Por analogia: se alguém não presta os cuidados devidos a um moribundo e, alegadamente, o deixa em ainda pior estado, puna-se. Mas não se desculpabilize quem, antes disso, o deixou às portas da morte.

            Eu compreendo o Vento, ele Acredita que uma mudança trará algo de redentor, mas o problema do Vento é que existem lá pelo PS poucos como ele e nenhum está na linha da frente para mudar a forma de ser e estar do PS e a maneira como poderia governar o País, o exemplo mais próximo que houve disso foi o Eng. Guterres e ele saiu a falar em Pântano e creio que desde aí a quantidade de lodo não cessou de aumentar.

  5. Caro SdAR, parabens o excelente post, que resumo com a única “certeza” do próximo acto eleitoral: que um dos vencedores das próximas eleições será o sempre em pé e irrevogável Portas, este sim, um homem que contém em si um verdadeiro “partido do regime”, tais as soluções de governação que viabiliza…em síntese, todas! Para os restantes, Passos, Costa (ainda ninguém lhe perguntou o que considera como vitória, digamos, satisfatória, já que as do outro eram todas bem pífias…é só questionar!), Presidente…serão só “derrotas” em toda a linha….
    abr, Paulo

  6. Quer lucubrar de forma independente mas depois espeta uma imagem manhosa no cabeçalho. Quem não conhece estas lucubrações que as compre.

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