Agarrem-me senão eu bato-lhe


Pedro Correia,

Rui Rio deu uma entrevista na antevéspera do congresso do PSD para revelar ao País que não estará presente na reunião máxima dos sociais-democratas. Se fosse, avisou em tom grave, teria que criticar Pedro Passos Coelho e “perturbar” o conclave. Assim limita-se a picar o ponto na comunicação social – onde sempre vence por goleada.

É uma variação, como qualquer outra, daquele velho dito “agarrem-me senão vou-me a ele”. Rio é, aliás, especialista neste número. Faz agora um ano, esteve quase a candidatar-se a líder do PSD. Faz agora um ano, esteve quase a candidatar-se à Presidência da República. Nunca lhe faltou imprensa amiga a desvendar-lhe o pensamento, dando nota de que estaria pronto para “avançar” fosse para o que fosse.

Eterno candidato a candidato, dá sempre a sensação de que se move. Mas é pura ilusão de óptica, pois acaba por nunca sair do mesmo sítio.

0 comentários em “Agarrem-me senão eu bato-lhe”

  1. em 1945 regressou um Amigo que saira com 10 anos para um país civilizado e regressava passados 35 anos

    para ele a mentalida ou filosofia de vida do nativo resumia-se
    ‘vá lá um de nós, que eu fico aqui’
    ‘agarrem-me ou faço uma desgraça’

    uma aldeã casou pela mesma altura co um impotente sexual que passou os 5 anos seguintes a gritar
    ‘É AGORA’ (parecia o monhé)

  2. Estas intervenções públicas de Rui Rio indiciam que deseja, mais do que ser presidente do PSD, substituir António Capucho no lugar de ex-futuro tudo, alguém que na comunicação social não tem medos, mas que na arena política fala em surdina.

    1. Nesse campeonato, Capucho continua imbatível. De presidente da Assembleia da República a provedor da Santa Casa, já esteve para ser quase tudo ou andou lá perto. De algum modo Rio é até o inverso de Capucho: falta-lhe a vontade firme de ambicionar seja o que for.

  3. Eu não apostaria nesse vaticínio. António Costa também andou a fazer o mesmo exercício, e a ter imprensa amiga durante muitos anos, recuando sempre na altura decisiva. Mas quando chegou a altura que entendeu propícia, não hesitou em desferir o golpe mortal a António José Seguro. Já vimos esse filme.

        1. O problema de Rio é nunca saber-se se está dentro ou fora. Pior: ele transmite a imagem de alguém que não sabe ao certo o que quer. Nesse aspecto, 2015 foi para ele um ano ‘terribilis’. De meias palavras, de ambiguidades, de indecisões. Nada que se compare com Passos, por um lado, ou Marcelo, por outro.
          E parece prolongar esse vício de estar fora e dentro ao mesmo tempo ao trocar a presença no congresso de Espinho por um jantar e uma entrevista.
          Quanto às ideias, nada de novo: bate no peito proclamando-se “social-democrata”, como se estivéssemos na década de 70 do século XX, e elogia Costa como se ambicionasse ser mais uma peça da “geringonça”. É pouco. Quase nada.

  4. Não é pura ilusão de óptica, é o preparar-se para o ataque. Passos Coelho é eleito, mas tem os dias contados. Na hora certa Rio ataca.

      1. Rio sabe muito bem o que quer. Tudo depende do momento e da ocasião para se candidatar. Se o momento lhe possibilitar candidata-se a secretário geral do PSD, para poder ascender a primeiro ministro se não, vai à Presidência. É óbvio que ele anseia por um lugarzinho destes.

        1. Rio queria a Presidência? Tivesse avançado no momento certo. Enquanto gastava as energias a dar entrevistas ambíguas aos jornais ao longo de 2015, Marcelo trocou-lhe as voltas. Agora terá de esperar pelo menos cinco anos – talvez até dez anos.
          Quer secretário-geral do PSD? Não me parece. O cargo está bem entregue, ao José Matos Rosa – figura muito querida e popular no partido. Além de grande sportinguista, o que só o torna mais apreciado.

  5. Um post para as carpideiras do estertor deste pi-esse-dê que agora até proclama ser social-democrata.

    Tirando a lenta agonia da Pátria vai ser lindo de ver o querido líder ser achincalhado de dentro para fora como ele e os dele fizeram antes.

    Quem com ferros mata com ferros morre .

    1. Se vocês estão à espera que Rio cruze o Rubicão, aviso desde já que a espera será longa. Passos que o diga: ele era o candidato favorito do presidente do PSD a Belém.

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