Afinal entendem-nos


Teresa Ribeiro,

Nesta crónica, assinada há tempos por Rui Zink, passe uma ou duas generalizações discutíveis, está quase tudo:

 

Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial killers e depois queixam-se que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mães até que os filhos fazem dez anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São curiosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse acto de vontade tornam-se mesmo inocentes. Nunca perdem a capacidade de se deslumbrarem.

Riem quando estão tristes e choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Compreendem tudo. Sabem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem o passageiro e que o amor é um bom fio condutor.

Não são de confiança, mas até a mais infiel das mulheres é mais leal que o mais fiel dos homens. São tramadas. Comem-nos as papas na cabeça, mas depois levam-nos a colher à boca. A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jantarada de amigos – elas quando jogam é para ganhar. E é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. Acreditam no amor com A grande mas, para nossa sorte, contentam-se com pouco.

12 comentários em “Afinal entendem-nos”

  1. Um exagero correcto. Gosto que me tragam a colher à boca, mas o resto é peanuts. Ou seja: nada com que eu não possa viver. Afinal, já vivi até aqui, não é verdade?

  2. Rui Zink , conhece a Mulher? Não me parece ! A Mulher, merece tudo, até………cuidado! Cada Mulher é um caso…….complicado ou não! Há as inteligentes (maioria), masoquistas, (muitas), Burras, (algumas) a sádicas (poucas), mas há !

    1. E nem todos os italianos falam com as mãos, nem todos os tugas são lamurientos, nem todos os funcionários públicos são incompetentes, nem todos os políticos são aldrabões… é o problema das generalizações, Zeparafuso. Mas gosto desta.

  3. Boa agulha, esta 🙂 Gostei imenso.
    Não concordo com 2 ou 3 pontos, é claro.
    O mais evidente é que para nós já não há mistério algum com as jantaradas de amigOs…. Foi desde que começámos a fazer as jantaradas de amigAs 🙂

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