Primeiro conheci a Maria João. Tinha feito uma adopção singular e apresentava-se com o seu filho Bruno pronta para aprender o que fosse preciso sobre trissomia 21 para poder ajudar aquela criança a crescer.
Depois conheci a Maria, mãe de quatro filhos biológicos, a quem ligaram um dia a perguntar se queria ser mãe da Margarida. Foi assim que a Margarida lá foi parar a casa e que a Maria passou a ser sua mãe, o marido, pai, e os filhos tão irmãos que não seriam mais parecidos se o fossem de sangue.
Uns meses mais tarde, quando se soube que havia outro bebé com trissomia numa instituição, um casal amigo da Maria prontificou-se imediatamente a ficar com ele e o Manel ganhou uma família.
A seguir conheci o Fernandinho, um miúdo de dois anos engraçadíssimo que corre por todo o lado com cara de rufia. Também estava numa instituição e também houve quem se prontificasse a amá-lo.
Na semana passada, passei os olhos a correr por um email que dizia que um bebé com trissomia 21 tinha sido abandonado na maternidade e onde se pedia ajuda para encontrar uma família que o quisesse. Umas horas mais tarde, quando voltei ao email para o ler com calma, o bebé não só já tinha pais, como tinha ganho um irmão.
É por estas e por outras que acredito que ainda há esperança.

Além de inspiradoras, as boas notícias nos tempos que correm têm um efeito terapêutico. Que bem que esta soube 🙂
E o que é mais extraordinário é que, exceptuando o primeiro, todos estes casos aconteceram no último par de anos. Fico com o coração a transbordar.
Por acaso o miúdo do Eduardo Beauté e do Luís Borges também tem trissomia 21.
É´verdade, Isabel, tinha-me esquecido de mais esse caso 🙂
Que bom, Francisca. Também conheço alguns casos que alimentam a minha esperança na humanidade e nos portugueses em particular. Aliás, é reconfortante ver como os tempos difíceis parecem ter um efeito benéfico na consciência e na generosidade das pessoas, em vez de as tornar mais egoístas.
O que me parece inaceitável é que atualmente, quando há testes simples e relativamente seguros que permitem detetar a trissomia 21 ainda no ventre da mãe, ainda haja crianças a nascer com esse defeito.
Bem, de facto há testes simples e seguros para detectar se um feto tem trissomia 21. Mas a questão é que não há qualquer intervenção que possa prevenir que as criança nasçam com T21. A menos, claro, que os pais decidam que elas não devem nascer.
Por mim, são muito benvindas. E acredito que os filhos já são muito filhos quando chega o resultado de uma amniocentese.
não há qualquer intervenção que possa prevenir que as criança nasçam com T21
Há o aborto, que é livre quando o feto é anormal, como nesse caso. Ou antes, o teste da T21 pode facilmente ser feito (e é recomendado quando a mãe tem mais de uma certa idade, 35 salvo erro) antes da idade máxima para o aborto.
A questão que eu ponho é, se os pais rejeitam ter uma criança com T21, para que raio a puseram no mundo em primeiro lugar? Podiam e deviam ter feito o teste e depois o aborto. É inaceitável que pais que não querem tem uma criança com T21 não façam a despistagem dessa anormalidade e não abortem uma vez recebido o resultado positivo.
Do seu ponto de vista, portanto, todas as crianças que os pais vêm a rejeitar deviam ter sido abortadas. Lamento, mas discordo.
Pois, discordamos.
Se os pais à partida, quando o feto ainda é muito novo, sabem que o rejeitam, então devem abortar. Óbvio. Para isso é que o aborto serve.
Sou a mãe do Fernandinho, que é sem dúvida, um miúdo “engraçadíssimo que corre por todo o lado com cara de rufia”! E é muito mais que isso. O mundo seria de certeza mais pobre se ele não tivesse nascido. Porque eu seria muito mais pobre, a nossa família seria mais pobre, muitos à nossa volta seriam mais pobres. Pode ser incompreensível, mas é imensurável a alegria que este miúdo é e a alegria que este miúdo nos traz. Devia ter nascido, sim. E todos os dias agradeço ser mãe deste miúdo. E todos os dias penso que falta fazem a este mundo, cada vez mais pobre e mais asséptico os tantos miúdos com t21 que não nascem, apenas por ignorância de quem acha que pode decidir sobre a vida deles.
Muito obrigada pelo testemunho, Rita.
Viva o Fernandinho.
Francisca, nós é que agradecemos o post. Vivam todos os Fernandinhos e Fernandinhas!
Confesso que chorei com as palavras da Rita Monteiro, não poderia descrever melhor o que sinto de cada vez que vejo a minha afilhada, também com T21 . Durante a gravidez nunca existiu qualquer sinal alarmante de uma alteração no feto, logo não foram feitos mais testes. Quando a nossa princesa nasceu foi um choque tremendo para todos mas aprendemos a compreender, a conhecer e a amar loucamente aquele ser tão fantástico, em que nela não mudaríamos absolutamente nada. Mudava apenas no mundo e nas pessoas que a encaram como uma anormalidade, acreditem que não é. É o ser mais maravilhoso, mais fantástico e mais lindo que eu conheci, quando ela ri e avança nos seus passinhos vacilantes de braços abertos para mim, o meu mundo ilumina-se.
Quem não conhece não pode compreender, não pode amar, vai sempre olhar para ela como anormal mas a anormalidade não existe nela, existe sim na ignorância dos outros. O mundo está errado, não a minha “Fernandinha”.
Quero ainda acrescentar que na nossa família não teria existido aborto caso tivéssemos sabido antes.
Boa noite. É triste nos tempos que correm haver pessoas com a sua forma de pensar! Demonstra falta de nível, o que é triste e inaceitável. Anormalidade?! Defeito?! Tenho um irmão com trissomia 21 e tenho muito orgulho nele. Reflita bem antes de publicar, já que não diz nada de jeito. Defeito é o que é o que saiu da barriga da sua mãe, isso sim é um defeito. Pedro moser