Nunca atribuí especial significado ao feriado do Corpo de Deus, pelo que não me perturba muito a sua abolição. A meu ver, muito mais grave foi a abolição dos feriados do 5 de Outubro e do 1º de Dezembro, um verdadeiro insulto feito pelo Governo e pelo Parlamento a símbolos nacionais que tinham o dever de respeitar. Neste último feriado do Corpo de Deus não deixa, porém, de me atingir uma certa nostalgia perante a última vez que se celebra esse dia em Portugal. As terras do nosso país que se engalanavam para comemorar esse feriado (como Caminha na fotografia) sentirão com certeza que se perdeu algo da sua tradição histórica e religiosa. Pode-se dizer que as medidas deste Governo não atacaram apenas o bolso dos portugueses. Atingiram-nos também na sua alma.
Quanto ao facto de os portugueses terem feriados a mais, e isso afectar a sua produtividade, trata-se de uma argumentação absolutamente ridícula. A Alemanha, onde me desloco com frequência por razões profissionais, tem muito mais feriados que Portugal, sendo quase impossível ir lá sem apanhar um feriado. Este ano desloquei-me lá no fim de Maio, e encontrei tudo fechado no feriado da Pfingsten, a 28 de Maio, que se comemora 50 dias depois da Páscoa. Noutro ano, tinha sido igualmente surpreendido com o feriado da Christi Himmelfahrt, que este ano se celebrou a 19 de Maio. Será que estes contínuos feriados afectam a produtividade alemã, reconhecidamente a melhor da Europa?
Passos Coelho agradece a paciência dos portugueses. De facto é preciso muita paciência para ver um Governo tomar medidas tão disparatadas.

Que difrença faz.. pisar aquele belo tapete a um Domingo?
Se calhar a mesma diferença que faz pisá-lo à noite dos dias de trabalho.
Tenho dificuldade em entender este tom de perda definitiva dos feriados, uma das medida mais disparatadas e sem sentido do actual governo. Se foi tão fácil suprimir feriados qual será a dificuldade de os restaurar? Nas próximas eleições só poderá receber o meu voto um partido que se proponha restaurar a totalidade dos feriados que este governo estupidamente suspendeu.
O mais ridículo feriado alemão é um que calha algures em novembro, salvo erro, e que se chama Buss und Bettag, que quer dizer “Dia de arrependimento e oração”. Nunca ninguém me soube explicar exatamente a que religião e a que evento se referia aquele feriado.
E ainda falta falar na segunda-feira de Páscoa e no segundo dia de Natal (26 de Dezembro, “Boxing Day”, nos países de língua inglesa) igualmente feriados na Alemanha. Note-se que, na Páscoa, é feriado na sexta (sexta-feira santa) e na segunda seguinte. Com fins-de-semana destes, quem precisa de pontes?
P.S. “Pfingsten” é o Pentecostes, a celebracao do Espírito Santo, muito considerada na Alemanha e desprezada por cá.
A identidade de um povo projecta-se no futuro tendo em conta como o seu passado é tratado no presente!
Se deixam de ter importância factos marcantes da nossa história (porque foram marcantes atribuiu-se-lhes dias feriados para que fosse devidamente comemorados), então a nossa história ficará virgem de factos marcantes.
Será?
É verdade que os feriados têm sido mais para passeios do que para comemorações.
E porquê?
Não será porque não lhes tem sido dada a devida importância cultural e histórica?
Não creio que a supressão de feriados seja solução para o problema português, em nenhum aspecto!
É uma decisão sem sentido e sem proveito, digam o que disserem!
Troque paciência por mansidão. Um povo que abdica da sua tradição não é paciente, é manso (no mínimo).
“Quanto ao facto de os portugueses terem feriados a mais, e isso afectar a sua produtividade, trata-se de uma argumentação absolutamente ridícula.”
Muito bem.
É só para fingir que se faz alguma coisa.
Usando linguagem religiosa é autoflagelação para expiar os pecados e poder continuar a cometê-los.